sábado, 13 de agosto de 2011

Aprendizagem do bedan

Como planejado, continuo meu treinamento no uso do bedan.

Imagino com cada um sera de seu jeito, mas pelo menos para mim o aprendizado de qualquer ferramenta sempre pode ser dividido em duas partes. Primeiro, eu tenho de entender a fisica da coisa, por que se faz dessa e nao daquela maneira, por que isso, assim, facilita, por que isso e' ou nao errado — essas coisas que por mais a gente olhe os outros fazendo so vai entender mesmo quando poe as maos na obra, e faz, e erra ate entender. No caso do bedan que e' uma ferramenta bem simples, esse aprendizado veio rapido, ficou bem claro entender as razoes do processo de obter uma curva convexa iniciando, bizel para cima, pelo topo, fio na horizontal e, girando o corpo da ferramenta para que o corte ocorra apenas na ponta lateral do fio, avancar em um movimento o mais fluido possivel o corte ate a extremidade da curva, ahi ja com o corte totalmente vertical, e o por que de manter sempre o pivo do formao firme no mesmo ponto do encosto, abrindo progressivamente o angulo e nunca deslocando a ferramenta em paralelo ao corte.

Esse video ahi abaixo foi feito por outro iniciante, bem no comecinho, e evidencia erros e acertos. Nada que substitua a pratica real, claro, mas no minimo podera ser divertido...


Entendido, intelectualmente, o como e o por que fazer para conseguir esse ou aquele resultado, a segunda e sempre demorada parte do aprendizado de uma nova ferramenta e', como dizem os japoneses, ensinar o corpo. Ensinar ao corpo a postura e os movimentos corretos e, pela forca da repeticao ir automatizando os processos, os movimentos, ate o ponto de saber fazer sem pensar. Toma tempo, e' inevitavel. Um, dois meses, apregoa M. Escoulen...

Minha terceira producao pilotando um bedan evidencia, me parece, que ja consigo entender com alguma inteligencia como executar e variar o raio de uma curva convexa em uma peca com alguma regularidade. Como igualmente evidencia ainda falta bastante para dominar a indispensavel fluidez dos movimentos para obter o acabamento que a tecnica possibilita:


Nao tem escape: e' preciso treinar. E treinar.
Dificil imaginar algo mais divertido, hehehe...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Torno e bedan

Depois de uma longa e eventualmente irritante espera, finalmente as circunstancias foram propicias e eu consegui adquirir um torno manual para madeira. Embora longe de ser uma maquina sequer de segunda linha em relacao ao que se oferta no Primeiro Mundo, tem suficientes recursos para atender minhas demandas por um bom tempo, imagino.

Cheguei a ter um certo treinamento, por maos `a obra em tornearia la pelo final da adolescencia em meados do seculo passado, mas minha pratica ultimamente estava limitada apenas ao meu microtorno; e embora os formoes, goivas, os ferros de corte em geral sejam ate bem semelhantes, a tecnica de seu emprego e' bem diferente quando o tamanho muda de micro para macro.

Bedan
Enquanto aguardava a oportunidade de comprar o torno, um pouco para mitigar a sede, outro pouco pelo prazer de me informar, aproveitei para adicionar ao trivial variado de minhas surfadas pela Teia temas de tornearia. Assim, um belo dia me deparei com uma ferramenta cujo uso desconhecia, mas que logo despertou meu interesse: o tal de bedan. Trata-se de um formao de perfil quadrado, ou quase, com um bizel cortado a 47,5°. De uso costumeiro na Franca, o maior divulgador e propagandista de seu emprego e' um marceneiro frances de boa fama, chamado Jean Francois Escoulen (seu site e' acessivel em http://www.escoulen.com). Houve outros, claro, antes e depois, mas em especial esse video de M. Escoulen ahi abaixo — com sua mistura inusitada; um torneiro falando ingles com sotaque frances e sendo traduzido para o japones — foi fulcral em minha decisao: era uma tecnica que eu queria experimentar, sem qualquer duvida. Alem da preciosidade da execucao e da beleza do resultado demonstrado no video, calou fundo a afirmacao do mestre quanto a, em sua experiencia, qualquer apreciador de tornearia que dedicasse 10 minutos por dia `a pratica com o bedan em dois meses estaria total e irreversivelmente convertido ao seu uso sobre qualquer outra tecnica. Tao impressionado e tao curioso fiquei que ja meses atras acabei adquirindo um bedan...



Quando o meu torno enfim chegou, antes de poder opera-lo foi necessario mandar construir no torneiro mecanico algumas pecinhas que 'vieram faltando' e adaptar outras para, na minha opinao, melhorar a ergonomia. Ja pensando em usar o bedan lembrei desse e outros videos, e de algumas postagens onde tinha lido que, especialmente em maos sem treino, como todo formao chato o bedan pode facilmente ocasionar trancos e por isso e' recomendavel que ao inves de pontas com agarre e' mais seguro, para o operador e para a peca, utilizar-se ponta lisa. Assim, aproveitei a ida ao torneiro mecanico e encomendei uma ponta lisa. Longa, tipo 'lapis', para afastar a peca do eixo, aumentando a seguranca.


(Na foto acima pode-se ver alguns acessorios do torno: da esquerda para a direita, as duas chaves para aperto do eixo, a placa de face e dois bits do copiador, um com ponta triangular, o outro com ponta quadrada. Sobre a placa, a ponta viva original, com garras, a contraponta rolamentada e a ponta que mandei construir, lisa, tipo 'lapis'.)

Tudo ajeitado, revisado, os acessorios disponiveis, era hora de testar a encrenca...

Medidas de seguranca tomadas, EPIs, roupas, tudo e tal, prendi um galho de amoreira, seco de anos, entre pontas e comecei a girar. Dois serios problemas de ergonomia logo se manifestaram. Primeiro, a fixacao do apoio da ferramenta e da base da contraponta e' feita com porcas:

Isso significa que a cada ajuste, tanto para reposicionar o descanso, como para aproximar ou afastar a base, e' necessario utilizar uma chave.


Marcas e serrilhado produzido no descanso de
ferramenta pelos bordos dos formoes

Alem disso, o descanso da ferramenta propriamente dito e' construido em aluminio. Ora, os formoes sao de aco rapido, muito mais duros. Ao apertar contra o encosto os formoes, especialmente os cantos vivos do bedan, o aluminio evidentemente cede, e vai-se formando um serrilhado na borda do descanso que acaba atrapalhando o livre deslocamento da ferramenta durante o corte, com repercussao no acabamento da peca.

Mas, enfim, como eu disse nao e' uma maquina de primeira linha, longe disso. Solucoes estao sendo engendradas, por certo, mas enquanto isso, e' hora de treinar, treinar. No minimo 10 minutos por dia, como recomenda M. Escoulen...

Ontem e hoje, o bedan muitissimo bem afiado como indispensavel, treinei. Os resultados... Ontem, do galho de amoreira, uma forma livre com um anel prisioneiro, para ver se eu ainda lembrava como se faz.





Hoje de manha, resolvi seguir a recomendacao do mestre frances e, de um toquinho de cedrinho, tentei girar um ovo. Longe da perfeicao, como esperado. Tive problemas com a terminacao nas pontas e, tambem como esperado, com o acabamento.








Bueno, de qualquer jeito ainda faltam 59 dias para confirmar, ou negar, a tese proferida no video... O que ja deu para perceber nessas duas primeiras tentativas e' que quando a coisa da certo, da muito certo.

Estou curioso, muito curioso, de ver o que vou poder conseguir quando sentir firmeza para usar madeiras mais afeitas a giros.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estilos

Por razoes que a sociologia tenta — no usual sem sucesso — explicar, o gosto das gentes muda acentuadamente com o fluir do tempo. Quando certos padroes de gosto como que se estabilizam por periodos mais ou menos prolongados na historia das civilizacoes esses padroes, expressos nas criacoes desses periodos, sao denominados estilos.

Sem a menor intencao de contemplacoes sociologicas, a mera observacao nas diferentes civilizacoes do produto dos, mm, arteiros (artistas, artifices, artesoes) faz evidencia gritante da imensa variacao dos conceitos de beleza e utilidade, sempre os fundamentos da arte, em intervalos de tempo nem tao imensos assim.

Como exemplos, os projetos dessas duas cadeiras ilustradas ahi acima, arquetipicas de seus estilos, embora quase antagonicas no que representam de prioridades no processo construtivo, sao separados por nao mais de seis geracoes.  O modelo em couro branco, caracteristicamente do estilo Rococo ingles, o apice do Barroco, contemporaneo no Brasil `as obras do Aleijadinho em Minas, evidencia a intencao de demonstrar a maestria do artifice na profusao de enfeites, bordados, na riqueza e complexidade dos detalhes, nas geometrias quase impossiveis, no acabamento impecavel, nos materiais nobres. Ja o outro modelo, em couro preto, italiana, caracteriza o estilo moderno contemporaneo, a priorizacao absoluta do design, a funcao submersa na forma, as linhas enxutas, sem aderecos, suportadas pelo arcabouco em aco.

Inumeras hipoteses podem ser coerentemente aventadas para explicar, dar nexo a esse progressivo enxugamento das formas que fluiu nos dois seculos a separar os dois estilos. Dificil vai ser conseguir a mesma logica, o mesmo nexo se aplique com igual coerencia a outros periodos e outras civilizacoes onde as coisas fluiram em uma tendencia exatamente oposta, do simples para o complexo, do enxuto para o convoluto.

Da minha parte, para nao confundir meu separador de orelhas notoriamente subdotado, eu prefiro ficar sem explicacao alguma. Apenas sublinhando a tese que sao gostos.

E, como diz um conhecido meu, gostos sao como as mulheres. Nao se discute. Se abraca.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Madeiras no futuro

Varias coisas aqui por pindorama sao boas, muito boas Mas nao sao para nos...

Niobio, por exemplo. Elemento absolutamente indispensavel na moderna metalurgia, especialmente na industria aeroespacial, somos praticamente o unico produtor do mundo. E exportamos tudo com precos determinados por... Londres!

Jogadores de futebol! Um tanto quanto melhor que a media e... zum! Malas e bagagens atras de €uros, petrodolare$ e corre£atos.

Nao e' diferente com madeiras. As nossas madeiras mais nobres, escassas ou mesmo com comercio proibido em nosso mercado, surgem facilmente nas terras do mundo desenvolvido, prospectadas por moedas fortes. Meses andei atras de, um pedaco que fosse, de jacaranda da Bahia, so para ter, e um belo dia um amigo me traz da Inglaterra um graminho — em jacaranda da Bahia... Mogno, na lista da CITES como ameacado de extincao, comercio totalmente vetado por aqui sob risco de prisao inafiancavel, foi facilmente obtido por um marceneiro dA Matriz para construir um belo movel que lhe acabou impulsionando `a notoriedade televisiva. Originario d... Adivinhem!

Ha mesmo quem diga que em atividades de marcenaria e carpintaria nos outros, filhos de pindorama, terra abencoada com uma das maiores biodiversidades inclusive em essencias de madeiras de primeira, nos encaminhamos para dispor apenas de eucalipto e pinus. Ironicamente, especies exoticas, nao nativas...

Mas sacanagens mercadologicas a parte, e' fato inarredavel boas madeiras sao um recurso cada vez mais escasso planetariamente. E no variado elenco de medidas visando alcancar sustentabilidade no comercio de lenhos, um recurso originario da tecnologia vem assomando com progressiva notoriedade: a madeira sintetica, ou madeira plastica, originaria de reciclagem.


Como imagino seja tambem o caso de voces, meus seis leitores, ainda nao tive oportunidade de ver, tocar, cheirar um pedaco dessa madeira sintetica. Consta, tem varias implementacoes construtivas, do puro plastico reciclado, a um amplo leque de misturas, com restos de madeira, fibras, metais, o escambal. A aparencia, consta ainda, pode ser francamente artificial, ou enganar completamente os olhos tal a semelhanca com madeira natural — mesmo se parece que as maos e o nariz nao se enganam tao facilmente. Certos tipos desse material podem ser usinados tal qual madeira fossem, com as mesmas maquinas e ferramentas, para os mesmos objetivos.

As vantagens anunciadas, cantadas em prosa e verso, sobre a madeira natural vao desde a praticamente nao haver limites quanto a formas, dimensoes, consistencia, rigidez, etc., para a construcao das unidades, ate a alegacao de ser totalmente dispensavel qualquer conservacao: nao e' preciso tinta, pois ja vem pigmentadas da origem, podem encostar-se nuas diretamente ao solo e ficar impunes `a exposicao aos elementos, pois nao se embebem com agua, nao mofam, nao apodrecem, resistem incolumes `as radiacoes solares. Dizem...

Qual a real aparencia da coisa, quais as reais semelhancas e diferencas, sensoriais, mecanicas e esteticas, e' coisa que so vou comentar depois de ver, para nao cometer injustica, nem falsa propaganda — embora nao va nunca negar eu tenha um fortissimo bias favoravel `a madeira natural. Mas, afora essa natural curiosidade pelo novo e o desejo sincero de que o gosto, meu e de tantos, por marcenaria nao acabe sendo soterrado pela progressiva falta de materia prima onde exercer-se nossa pratica, uma observacao ja se pode adiantar no que tange a essas madeiras sinteticas. Varios dos fabricantes afirmam elas podem apresentar, na pratica, performance equivalente a das melhores madeiras naturais. E ahi — por coincidencia ou nao, voce decide — o preco que colocam nesses pseudolenhos e' justamente o mesmo de madeira de lei de primeira escolha.

E nao e' so aqui, coisa de tupiniquim, nao. Uma mesinha com banquinhos, por exemplo, esta `a venda nA Matriz. Por miseros U$1.000...

Quer dizer, a menos que uma economia de escala e/ou os chineses deem um jeito nos valores, essa intervencao da tecnologia talvez ate venha a defender os nossos estoques. Ja o nosso bolso...

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sábado, 30 de julho de 2011

Coisas que nao temos — Dado Set

Ha um sem-numero de recursos e acessorios disponiveis para oficinas de marceneiros hobistas no mundo desenvolvido que simplesmente nao existem aqui por pindorama. Exemplo gritante, o que inumeros marceneiros dA Matriz apontam como o mais util acessorio que ha para a serra circular de mesa, o dado set...

Abrindo um parentese, registre-se a cultura inglesa desde sempre dedicou muito mais atencao `as lides com madeira do que a maioria das demais culturas europeias (embora os franceses muito provavelmente nao aceitem essa afirmacao, hehe). Certamente bem mais do que os portugueses — e isso se reflete ate na lingua: Em portugues, desconheco (mas adoraria ser corrigido) palavra(s) especifica(s) para designar um rasgo com perfil "U" na madeira. Ja em ingles ha tres palavras, definindo nao apenas um rasgo em "U" mas tambem de que forma tal rasgo e' cortado.

Groove
Se o rasgo for aberto acompanhando a direcao dos veios da madeira, recebe a denominacao de groove.


Se no entanto o rasgo, independente da direcao dos veios, for aberto em um extremo da tabua, sera chamado rabbet.

E se for aberto nao no extremo da tabua e transversalmente `a direcao dos veios da madeira, entao o rasgo chamar-se-a dado.
Dado
O dado set e' um acessorio para serra de mesa que permite se abram rasgos em "U", nao apenas dados, mas igualmente rabbets e grooves. A implementacao e' feita em fundamentalmente duas configuracoes. Na primeira, um disco especial monta-se angulado em relacao ao eixo (eventualmente utilizando arruelas para ocasionar essa angulacao em um disco comum) e, assim, quando em operacao fica 'bamboleando', e nisso amplia a largura do rasgo. Por razoes de seguranca, tanto para o operador como para o equipamento, esse metodo praticamente nao se utiliza mais, tendo sido substituido pela segunda configuracao, a montagem de varios discos de corte, lado a lado no eixo da serra, uma tecnica nao apenas muito mais segura mas que permite estabelecer a largura do rasgo com precisao melhor que milimetrica (sendo evidentemente a profundidade do corte estabelecida pela altura da lamina).

Ha incontaveis modelos e variantes fabricados e disponibilizados mundo afora, em diferentes formas, implementacoes e tamanhos:



As vantagens que tornam esses acessorios tao populares onde disponiveis sao claras. Embora certamente haja varias outras formas de se abrir os mesmos rasgos que se pode abrir com um dado set — utilizando plainas manuais, serra, formoes, tupias, etc. — e' pouco provavel se consiga a mesma facilidade, precisao e, principalmente, rapidez. Ate por isso seu uso e' tao disseminado que ao se assitir videos de marcenaria na Teia e' praticamente certo que cedo ou tarde (bem mais provavelmente cedo, hehe) va-se ver algum projeto empregando um desses produtos.

Abaixo, adiciono um video (adivinhem em que lingua...) demonstrando como se monta um desses sets na serra, seu uso, e alguns comentarios sobre como opera-lo com seguranca:


Por fim, alem de reiterar lamentavelmente nao conseguimos encontrar esses potencialmente utilissimos acessorios em nossas lojas, cabe apontar uns problemas relacionados ao seu uso.

Obviamente, um set desses representa um peso maior, bem maior, do que uma simples lamina, o que se traduz em um consideravel esforco adicional para o motor da serra. Tanto e' assim que os fabricantes recomendam que em serras de ate 1HP (equipadas para discos de 10" de diametro) se utilize apenas sets com 6" de diametro; nas de ate 2HP se utilize sets com ate 8" de diametro, deixando os sets com 10" ou mais de diametro reservados para serras 'profissionais' com mais de 3HP de potencia e com eixos de 1", ao inves dos 5/8" habituais em serras para hobistas.

Alem de possivel sobrecarga no motor, nos rolamentos e na transmissao da serra, esse equipamento muito provavelmente representara uma sobrecarga consideravel no bolso do usuario! Os baratinhos, nA Matriz, arrancam ao redor de U$ 100, os melhorzinhos ultrapassam U$ 400, os profissionais nao sei. Nem quero saber. O que sei e' que isso se traduziria (com otimismo) por um custo entre R$ 800 a R$ 3.000 para importar diretamente os 'baratinhos' e — considerada a ganancia usual do nosso comercio — alguma coisa entre tres a quatro vezes isso se disponiveis, legalmente, com garantia, credito e tudo e tal, em balcao. O que, imagino, explica sua extrema raridade por aqui...

Nao esqueca: quando tiver um tempinho, visite-nos no forum Madeira!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Segurando a peteca

Diz-se que o patrono do Rio Grande e' o velho Pedro. Imagino se nao fosse!

Aparentemente ter despejado por aqui ha uns dez dias um tal volume d'agua que configurou a terceira maior precipitacao do planeta no periodo (cosa poca, uns 300mm!) nao foi suficiente para acalmar a implicancia do patrono e, parece, vamos ter a dose repetida.

Um dos efeitos colaterais dessa umidade toda — comparativamente insignificante, sob certas oticas — e' que tive de proteger os tampos de ferro das minhas maquinas contra a ferrugem e o resultado e' que estao para todos os efeitos desativadas. Mas sim, e' verdade, nao poder dispor das maquinas mais importantes nao significa que nao se possa brincar de marceneiro. Alias semana passada, impulsionado por um desafio em desenvolvimento no forum Madeira!, inclusive confeccionei um estojo para ilustrar um processo construtivo fast and dirty, como dizem os Grandes Irmaos:

E hoje entao, para nao deixar a peteca cair — e tambem porque vinha muito sutil e apropriadamente sendo cobrado eu andava demolindo o cabo dos meus formoes ao usar martelo para bater-lhes — aproveitei a inspecao do maquinario para construir um malho. Na verdade um prototipo de malho, porque utilizei cedrinho e pinus, madeiras nao bem apropriadas para a funcao. O modelo definitivo que pretendo seja de ipe e grapia eu nao quis iniciar porque a trabalheira sera certamente bem maior com essas madeiras duras e eu queria me certificar quanto ao que e como daria para fazer antes de desperdicar tempo e boa madeira...

De todo modo foi interessante, divertido e instrutivo construir a ferramenta com serras, plainas e formoes, todos manuais. E o resultado, se nao e' nada para por numa vitrine, certamente ficou aceitavel e, o mais importante, funciona a contento, mesmo se provavelmente nao va durar muito...


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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Filmes de marcenaria na Teia

Ja falei antes aqui no blog sobre os populares programas de marcenaria na televisao dA Matriz, da sucessao do New Yankee Workshop, protagonizado pelo Norm Abram, pelo Rough Cut, protagonizado pelo T-Chis..., digo, Tommy Mac. Sucessao com perdas, eu diria, pois embora a producao no novo show nitidamente tenha procurado manter o formato do antigo — iniciando com uma peregrinacao a um lugar notavel que de alguma forma inspirou o projeto a ser desenvolvido, e entao o desenrolar da construcao baseada em um prototipo, com planos, materiais, medidas e desenhos detalhados disponiveis para aquisicao no site — o fato e' que o T-Ch..., digo, Tommy Mac, embora talvez possa ser um marceneiro mais competente, mais detalhista, ate mais habil que o velho Norm Abram, certamente nao tem o dominio de cena do antecessor, fala depressa demais, exagera o sotaque da Nova Inglaterra, e frequentemente pula etapas importantes, atropela, se embaralha no processo construtivo da peca para privilegiar um detalhe menor, fazer uma firula, soltar uma piada infame...


Ma vontade minha?

Acho que nao, mas enfim... Julguem voces: nao e' preciso ser especialista em mecanismos de buscas na Teia para encontrar os videos, tanto as 20 temporadas completas do NYW, como a primeira do RC.


Mas por falar em videos disponiveis na Teia, e que nem precisam de busca nenhuma para se encontrar, eu gostaria de recomendar tres, ou melhor, quatro canais de videos do YouTube onde voces seis, meus leitores interessados em marcenaria possam — espero! — se deleitar. (E sim, sim, infelizmente os videos sao todos em ingles mas mais das vezes as imagens sao suficientemente informativas para valer a pena assistir...)


O primeiro, claro, o canal de Mr. Matthias Wandel, o engenheiro marceneiro canadense, com seus jigs, adaptacoes, criacoes engenhosas e admiraveis. Disponivel a partir de http://www.youtube.com/user/Matthiaswandel#g/u . Imperdivel!



Depois, o Woodworking for Mere Mortals que trata exatamente disso, marcenaria para meros mortais, construcoes simples de fazer sem utilizar altos equipamentos, apresentando usualmente um projeto novo a cada sexta-feira, conduzido pelo irriquieto e irreverente Stevin Marin, tudo acessivel desde http://www.youtube.com/user/stevinmarin#g/u .


Falar em Stevin Marin, a criatura e' tao fora da caixinha que tem um outro canal, o Mere Minutes: WWMM onde, ao inves de apresentar o desenvolvimento de um projeto, conta o que vai acontecendo no intervalo entre as sextas-feiras, fragamentos do dia-a-dia, nao necessariamente ligados `a marcenaria, mas usualmente bastante divertidos. Esta em http://www.youtube.com/user/steveinmarin#g/u .

E ahi, por ultimo o menor, mas nem por isso o menos interessante deles: The Teen Woodworker, canal de Mr. Alexis Harris, um rapazote ingles de 15 anos que faz chover na sua micromarcenaria encaixotada em um cubiculo espremido contra a casa. Muita enfase em tornearia, mas o guri e' metido, bota a mao em tudo, de encaixes cortados `a mao ate construcao de uma forja domestica. Acesso em http://www.youtube.com/profile?feature=iv&user=TeenWoodworker&annotation_id=annotation_781110#g/u .

Ahi esta... Ou, melhor, ahi estao.

Videos para ver por semanas a fio e, pelo menos no meu sempre desconsideravel entender, muita coisa interessante para aprender, ou no minimo recapitular. E o preco, o preco e' imbativel!

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