quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Madeiras no futuro

Varias coisas aqui por pindorama sao boas, muito boas Mas nao sao para nos...

Niobio, por exemplo. Elemento absolutamente indispensavel na moderna metalurgia, especialmente na industria aeroespacial, somos praticamente o unico produtor do mundo. E exportamos tudo com precos determinados por... Londres!

Jogadores de futebol! Um tanto quanto melhor que a media e... zum! Malas e bagagens atras de €uros, petrodolare$ e corre£atos.

Nao e' diferente com madeiras. As nossas madeiras mais nobres, escassas ou mesmo com comercio proibido em nosso mercado, surgem facilmente nas terras do mundo desenvolvido, prospectadas por moedas fortes. Meses andei atras de, um pedaco que fosse, de jacaranda da Bahia, so para ter, e um belo dia um amigo me traz da Inglaterra um graminho — em jacaranda da Bahia... Mogno, na lista da CITES como ameacado de extincao, comercio totalmente vetado por aqui sob risco de prisao inafiancavel, foi facilmente obtido por um marceneiro dA Matriz para construir um belo movel que lhe acabou impulsionando `a notoriedade televisiva. Originario d... Adivinhem!

Ha mesmo quem diga que em atividades de marcenaria e carpintaria nos outros, filhos de pindorama, terra abencoada com uma das maiores biodiversidades inclusive em essencias de madeiras de primeira, nos encaminhamos para dispor apenas de eucalipto e pinus. Ironicamente, especies exoticas, nao nativas...

Mas sacanagens mercadologicas a parte, e' fato inarredavel boas madeiras sao um recurso cada vez mais escasso planetariamente. E no variado elenco de medidas visando alcancar sustentabilidade no comercio de lenhos, um recurso originario da tecnologia vem assomando com progressiva notoriedade: a madeira sintetica, ou madeira plastica, originaria de reciclagem.


Como imagino seja tambem o caso de voces, meus seis leitores, ainda nao tive oportunidade de ver, tocar, cheirar um pedaco dessa madeira sintetica. Consta, tem varias implementacoes construtivas, do puro plastico reciclado, a um amplo leque de misturas, com restos de madeira, fibras, metais, o escambal. A aparencia, consta ainda, pode ser francamente artificial, ou enganar completamente os olhos tal a semelhanca com madeira natural — mesmo se parece que as maos e o nariz nao se enganam tao facilmente. Certos tipos desse material podem ser usinados tal qual madeira fossem, com as mesmas maquinas e ferramentas, para os mesmos objetivos.

As vantagens anunciadas, cantadas em prosa e verso, sobre a madeira natural vao desde a praticamente nao haver limites quanto a formas, dimensoes, consistencia, rigidez, etc., para a construcao das unidades, ate a alegacao de ser totalmente dispensavel qualquer conservacao: nao e' preciso tinta, pois ja vem pigmentadas da origem, podem encostar-se nuas diretamente ao solo e ficar impunes `a exposicao aos elementos, pois nao se embebem com agua, nao mofam, nao apodrecem, resistem incolumes `as radiacoes solares. Dizem...

Qual a real aparencia da coisa, quais as reais semelhancas e diferencas, sensoriais, mecanicas e esteticas, e' coisa que so vou comentar depois de ver, para nao cometer injustica, nem falsa propaganda — embora nao va nunca negar eu tenha um fortissimo bias favoravel `a madeira natural. Mas, afora essa natural curiosidade pelo novo e o desejo sincero de que o gosto, meu e de tantos, por marcenaria nao acabe sendo soterrado pela progressiva falta de materia prima onde exercer-se nossa pratica, uma observacao ja se pode adiantar no que tange a essas madeiras sinteticas. Varios dos fabricantes afirmam elas podem apresentar, na pratica, performance equivalente a das melhores madeiras naturais. E ahi — por coincidencia ou nao, voce decide — o preco que colocam nesses pseudolenhos e' justamente o mesmo de madeira de lei de primeira escolha.

E nao e' so aqui, coisa de tupiniquim, nao. Uma mesinha com banquinhos, por exemplo, esta `a venda nA Matriz. Por miseros U$1.000...

Quer dizer, a menos que uma economia de escala e/ou os chineses deem um jeito nos valores, essa intervencao da tecnologia talvez ate venha a defender os nossos estoques. Ja o nosso bolso...

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