terça-feira, 8 de outubro de 2013

Curiosidade

Ia comecar com uma convoluta tentativa de explicar razoes, intencoes. Mas so ia chatear meus pobres sete fieis leitores, entao vou-me limitar ao fato: dia desses resolvi me presentear com uma plaina japonesa.

Como tambem e' o caso das ocidentais, ha plainas japonesas para todos os gostos, para inumeras funcoes. E com precos para todos os bolsos, de umas poucas dezenas ate dezenas de milhares de dinheiros. Para satisfazer minha curiosidade, consegui um modelito bem baratinho, a preco de um livro, uma producao simplificada que imagino os japoneses executem justamente para vender para ocidentais curiosos.


Tendo recebido o brinquedinho novo, a primeira coisa que fiz foi afiar a lamina. O aco certamente nao e' um daqueles acos forjados com tecnicas exclusivas por ferreiros ultraespecializados que sao o coracao das realmente boas plainas niponicas. Mas de qualquer forma, mesmo produzido industrialmente aceitou um fio irretocavel. Ahi, um par de horas para aprender a setar a lamina utilizando um martelinho bem leve, batendo na lamina para dar mais ferro, ou no vertice traseiro superior do corpo para faze-lo recuar...

Eventualmente consegui uma regulagem que me pareceu adequada e fui testar a alegada magica da simplissima ferramenta em uns pedacos de madeira.


Inicialmente utilizei brancal de louro gaucho (molinho) e imbuia. Consegui obter maravalhas realmente fininhas, daquelas que qualquer ventinho faz voar. Mas ninguem plaina pelas maravalhas, mas para obter uma superficie plana, oras, e o resultado foi realmente bom, lisinho, lisinho. Vejam como ficou a superficie da imbuia:


Tudo bem, alguns 'arrepios' sim — a imbuia e' mesmo complicado de plainar e o ferro tem um angulo baixo (38°) —, mas vejam a madeira crua chega a brilhar de tao lisa, como se encerada.

Como o brancal do louro gaucho tinha marcas de ataque de algum bicho xilofago prejudicando a avaliacao, resolvi plainar tambem o cerne.


Talvez clicar nas imagens para ve-las em maior resolucao ajude a perceber o quao lisa ficou a superficie.


Por fim, tentando demonstrar que as fitas de maravalha saiam continuas e finissimas tomei a foto abaixo:

Estiquei uma das maravalhas e tentei prende-la sob aquele pedaco de louro mas infelizmente rebentei um pedaco. Depois coloquei o martelo sob a maravalha para ver-se a transparencia, mas a iluminacao vindo de cima, embora com algum esforco se consiga ver a cor do cabo vasando a tira da maravalha, nao ajudou.

Dispensando o flash e utilizando luz natural no entanto, talvez se possa ter uma melhor ideia...


Obviamente, ha uma curva de aprendizado ate poder realmente usar o novo brinquedinho com confianca e conforto. Por ora pelo menos, ainda que sem duvida a performance da bichinha realmente cumpra o que se apregoa, afora custar bem mais barato nao me parece oferecer qualquer vantagem sobre as equivalentes ocidentais. Com mais treino... vamos ver.

Qualquer coisa, venho contar aqui...

2 comentários:

  1. Respostas
    1. E´ questao de procurar, Gustavo. Alem fronteiras, mais usualmente...

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