segunda-feira, 10 de março de 2014

Ferramentólatra - a caixa

(Como sempre, clicar nas imagens abre versoes com maior resolucao.)

Como mencionei na postagem anterior, julguei estava na obrigacao de construir uma caixa onde alojar na sua bandeja premoldada a serrinha sabre, o recem-chegado e mais recente icone do meu altar de ferramentolatria. Sim, certo: tenho varias ferramentas mais nobres, mais caras e mais delicadas guardadas sem qualquer embalagem. Mas... fazer o que? Jogar fora a bandeja? Nao, nao, nem pensar. Sacrilegio! Pecado mortalissimo, imperdoavel.

Fazer a caixa, inescapavel obrigacao. E ponto.

No primeiro momento pensei fazer a caixa com compensado. Mas qual a graca? O que poderia aprender? Optei entao por utilizar sobras de madeira macica: reciclar a sucata e' sempre uma boa obra e nessa lida sempre ha o que aprender ou, no minimo, treinar. Catando entre os restos, encontrei um retalho de cedro-mara suficiente para fazer base e tampa da caixa, e um sarrafo de cedro-rosa para as laterais. O detalhe e' que ambos os cedros para executar-se o, mm, projeto, precisariam ser desdobrados, cortados ao meio na espessura. Como a ideia era aprender e nao havia nenhuma pressa, resolvi executar algo que so havia visto em videos: desdobrar as pecas na mao, utilizando um serrote ryoba, japones. Usei um graminho para marcar uma linha de metade da espessura em todos os lados da chapa de cedro-mara, e pus maos `a obra...

Um belo — e prolongado! — suador foi o custo, mas cortando e girando a chapa, cortando e girando, cortando e girando eventualmente consegui criar duas placas mais finas da placa mais grossa. Mas como, regra, sempre acontece quando se faz algo pela primeira vez e sem instrucao por alguem com experiencia, cometi alguns erros e como imagino possa ser visto na imagem abaixo o resultado apresentou algumas... mm, digamos... imperfeicoes.


Ficou um buraco de um lado (o direito, na foto acima) e um correspondente calombo do outro. Tudo bem, aprendi. E da proxima vez — se houver uma proxima vez! — ja sei o que fazer para evitar.

De todo modo, hora de aparelhar e dimensionar as chapas para fazer base e tampa da caixa. E ja que estava no embalo de ferramentas manuais, toquei em frente utilizando plainas de mao, uma scrub plane cortando na transversal dos veios para rebaixar o grosso e depois uma jack plane (a da foto), primeiro cortando nas diagonais dos veios e entao a favor dos veios para aplainar e deixar paralelas as faces largas das placas.

Outro suador!

Suei tanto que julguei a unica atitude nobre cabivel naquele momento era pausar tudo imediatamente e partir para uma reidratacao aguda. Com auxilio de umas long necks. E uns salgadinhos para parar de perder liquidos, por supuesto...

No outro dia, recuperado, hidratado, descansado, voltei para desdobrar o sarrafo de cedro-rosa. No entanto, considerei que repetir o processo com serrote e plainas manuais seria uma repeticao desnecessaria, tediosa. Para variar, so para variar, para treinar outras tecnicas, desenvolver o aprendizado, e tudo, e tal, desdobrei o sarrafo foi na serra de mesa mesmo, aplainei no desengrosso em duas passadas e dimensionei na serra de esquadria. Um tapa, dois toques, quando vi estava feito. E praticamente sem nem uma gota de suor! So um monte de poeira no ar, no corpo, nas roupas, mascara, oculos e tapa-ouvidos...

Ahi com a madeira toda aparelhada e dimensionada foi so rotina: montar a caixa, o unico regalito a colocacao de encaixes em cauda-de-andorinha nas laterais, envenenar tudo com cupinicida depois das — argh! — lixas, acabamento com oleo de linhaca e cera, dobradica, alca e a cereja do bolo: colocar a bandeja.




Colocada a serra e as laminas na bandeja dentro da caixa, agora so ficaram faltando as baterias.

Que vida, essa de hobista... Ta sempre faltando alguma coisa, hehehe.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ferramentólatra - a encomenda

Pois a encomenda que mencionei ter feito na postagem anterior chegou, faz pouco. Veio incompleta, infelizmente...

Ha alguns anos o transporte de baterias de litio tem sido problematico, especialmente por via aerea. A confusao, imagino eu, iniciou-se quando alguns Boeing 787 apresentaram incendios a bordo e descobriu-se o fogo iniciara-se por certas baterias dos circuitos da aeronave, de litio, haverem-se incendiado por motivos cuja especificidade desconheco, mas provavelmente por sobrecarga. O fato e' que a partir dai as baterias de litio passaram a ser consideradas cargas perigosas e seu transporte e' hoje estritamente regulado.

Localizacao das baterias (de litio) nos Boeing 787 Dream Liners

O resultado e' inumeras industrias que produzem equipamentos que utilizam essas baterias, buscando contornar as restricoes de transporte passaram a embalar tais produtos SEM as baterias. E' o caso de inumeras maquinas sem fio utilizadas em marcenaria.

E, infelizmente, foi o caso da minha encomenda.

Um brinquedinho que quando lancado ha par de anos no Primeiro Mundo eu imaginei me poderia ser util, muito util, e coloquei na lista de desejos. Claro, como e' potencialmente util, muito util, ainda nao foi lancado aqui em pindorama — provavelmente porque a administracao do fabricante mantem continuado conluio com o velho Pedro na pratica de irritante e interminavel implicancia, so pode ser.

Trata-se de uma pequenina serra reciprocante, ou serra sabre, sem fio, da Bosch. Denominada PS60 nA Matriz, e GSA 10.8LI  no resto do mundo.


A minha, essa ahi acima e nas demais fotos, veio dA Matriz em uma caixa de papelao contendo a maquina, duas laminas, uma para madeira e outra para metal, e uma bandeja onde tudo cabe bem direitinho. E sem as baterias e sem carregador, que isso e' vendido `a parte, e nao pode viajar de aviao.


Por acaso (e sorte) eu tenho outras ferramentas que utilizam essas baterias, de tal forma que enquanto tento equacionar alguma maneira de conseguir trazer-lhe um par de baterias, o brinquedinho absolutamente nao vai ficar sem uso.

E entao, ja que a L-Boxx, o estojo 'oficial' nao veio, naturalmente vou ter de me submeter `a terrivel trabalheira de confeccionar uma caixa, um estojo onde alojar a mais recente joia devidamente acomodada em sua bandeja. Mas.. fazer o que? A vida de hobista e' mesmo um trabalhao sem fim, hehehe...


E e' isso.

Quando houver, conto novidades.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ferramentólatra

Ferramentolatra querendo dizer adorador de ferramentas. Sim, sou!

E' meu mais antigo amor. Afinal, literalmente nasci e me criei entre maquinas e ferramentas, e o passar dos anos em nada arrefeceu essa paixao de infancia. Pelo contrario, o tempo so a fez fermentar. Ha mesmo quem diga a principal razao de ser, dessa coisa de eu brincar de marceneiro, e' para poder acumular ferramentas...

Bueno, faz muito tempo eu desisti de tentar esmiucar, analisar os meus motivos. Muito mais simples e proveitoso tratar de desfrutar meus gostos do que tentar entende-los, hehe. Gosto, sempre gostei de mexer com madeiras, e se isso ainda tem o bonus de justificar a compra e o uso de ferramentas, boa — e pouco se me da uma coisa tenha ou nao a ver com a outra coisa.

Mas por muito ardor houvesse nessa paixao de ter, lidar, conservar ferramentas, sempre houve tambem criterio: Por diversas razoes (inclusive economica$, claro) nunca adquiri uma ferramenta para a qual nao tivesse uso. E se constato alguma maquina ou ferramenta minha por algum motivo esta jogada, criando po, sem uso, em geral trato de encontrar quem saiba, queira e possa usa-la. E' essa a regra.

Mas toda a regra tem excecoes. Em primeiro lugar ha ferramentas que ganhei — e presente, aceito, nao se da nem se vende. Mas, devo confessar, ha tambem algumas ferramentazinhas que adquiri por variados motivos mas tambem por boa dose de pura cobica e que na verdade usei algumas vezes para ver como funcionavam e, embora pouco ou nenhum uso tenha encontrado para elas no dia-a-dia, acabei me apegando. Exata meia duzia. Essas ahi abaixo:




Compasso para cartas maritmas, da Royal Navy,
replica Made in India
Pontas de cintel (em ingles, trammel); adaptam-se em uma regua
para formar um compasso de tracar largos circulos
Miniatura de guilherme de metal da Veritas

Posicionador de ponto de centro, com
precisao submilimetrica

Retificador para rebolos diamantado

Morsa manual para pecas minusculas


Falar em morsa de mao, desde onde a memoria alcanca nutro um amor muito especial pela Starrett 86, essa ahi abaixo:

Como tentacoes estao sempre esperando uma brecha para intrometer-se nas nossas vidas, amigo meu conhecedor dessa minha antiga paixao e ora perambulando la pelA Matriz ofereceu-se para me trazer uma dessas.

Pensei, pensei... 

Em primeiro lugar, a verdade e' que nao tenho qualquer necessidade dessa maravilha, e assim fica contrariada minha regra basica de aquisicao de ferramentas. Ainda por cima o brinquedinho custa, la, ao redor de 250 alfaces. E eu acho que tenho melhor uso para essa grana.

Alias, nao acho. Tenho certeza.
Tanta certeza mesmo que acabei foi encomendando uma s... Mas nao!

Voces, meus sete fieis leitores, vao ter que ter paciencia e esperar o brinquedinho chegar.

Ahi — esta feita a promessa — eu conto tudo para voces. Aqui nesse batcanal...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Fechando uma porta - IV

Fevereiro vai chegando ao fim e ao fim tambem vai chegando a minha lide com a tal porta...

Acabei fazendo tambem a esquadria — e acho que estou vacinado contra obras de carpintaria: o tamanho e o peso nao combinam, nem com o meu maquinario e ferramentas, nem com o meu gosto de trabalhar sozinho; mesmo quando o peso fica dentro dos limites que minhas costas impoem, o comprimento das pecas torna muito dificil manipula-las nas maquinas sem ajuda. E depois, e' puro trabalho, quase nada de aprendizado.

De qualquer modo, consegui uma auxiliar (por mera coincidencia a futura proprietaria da encrenca), aparelhei, dimensionei as pranchas para formar os caixilhos e entao cortei na serra de bancada os rebaixos para os batentes. Ahi foi so bolear o canto externo na tupia de mesa, lixar tudo (argh!@&4$) e aplicar acabamento com oleo de linhaca.




Para finalizar, um comentario rapido sobre a madeira utilizada, o cedro-mara. Uma curiosidade, digamos assim...

Alem de produzir uma serragem que parece pimenta, e das ardidas, obrigando inescapavelmente o uso de mascara protetora, esse lenho vem em duas variedades: uma mais clara, avermelhada, de veios retos, pouco densa, em tudo (exceto pelos efeitos no nariz e nas vias aereas) semelhante ao cedro-rosa; a outra bem mais densa, com veios tortuosos e nao raro invertidos, mais escura, lembrando bastante a itauba, como imagino se possa ver nessa imagem da porta ahi ao lado:



Da a nitida sensacao seriam duas essencias bem diferentes, embora a irritacao que a poeira de ambas produz seja identica. Mas, em um dos caixilhos da esquadria, pude constatar que ambas as variedades se misturam. A distincao das duas variedades e' muito mais gritante na madeira crua, mas eu esqueci de fotografar antes de aplicar o oleo de linhaca e as fotos que consegui obter nao mostram uma diferenca tao gritante como a que os olhos percebem. Mas talvez com um pouco de boa vontade seja possivel perceber na foto abaixo como o lenho da ripa do centro, na parte delimitada pelas linhas vermelhas, e' semelhante ao do da ripa `a direita (da variedade 'vermelha'), enquanto que o resto da ripa e' semelhante `a da esquerda (da variedade 'morena').



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Fechando uma porta - III

Clicando as imagens, abrem-se versoes em maior tamanho.


A resina expoxi tendo curado tampando os buracos na superficie, a porta entao foi tratada em ambas as faces com lixa G60 na lixadeira de cinta, seguido por lixa G80 na lixadeira orbital. A imagem acima mostra o resultado na parte media de uma face da porta, a com maior numero de 'defeitos'.

A seguir, mais para satisfazer minha curiosidade do que por qualquer outra razao, borrifei agua em toda a face, para ter uma ideia de como poderia ficar apos um acabamento transparente...


Satisfeita minha curiosidade, hehe, foram marcadas com esquadro e serradas, com serra circular manual utilizando o auxilio de uma guia, as extremidades longas da porta, dimensionando-lhe o comprimento. Nova sessao de lixamento com a lixadeira orbital ate G180 em todas as faces, e a obra foi considerada concluida.


Ante a hipotese de aplicar frisos, relevos, rebaixos, quaisquer decoracoes, a futura dona da peca — sem saber que concordava comigo — optou por mante-la com esta, lisa e simples (e, nisso, provavelmente muito mais duravel, por nao haver frestas nem recessos por onde agua possa penetrar e/ou acumular-se).

Resta ainda, claro, a confeccao da esquadria para a porta, posicionar, acertar e fixar a encrenca toda em nivel e prumo na abertura, colocar as ferragens, escolher e fazer o acabamento. Disso, talvez eu va fazer a esquadria, pendendo ainda a futura proprietaria decidir se vai empregar dobradicas convencionais ou pivotantes. Colocar a porta nao esta nos meus planos: nao tenho experiencia nisso, e a casa e a propriedade dos outros nao me parecem lugar nem material adequados para aprendizados. Sem mencionar que a porta ultrapassou bem o limite de peso que minhas costas me impoem.

Pendendo os resultados, hehehe, talvez no futuro eu va tomar umas imagens de como a porta tera ficado, no lugar e funcionando. Veremos... Conforme for, compartilho com voces aqui, meus sete fieis leitores.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fechando uma porta - II

Mantendo o ritmo extremamente lento imposto pelas escaldantes condicoes metereologicas com que o velho Pedro continua nos brindando aqui pelo portinho, uma vez feitas todas as furas e a montagem seca para corrigir quaisquer problemas remanescentes nos encaixes, fiz a colagem da porta em duas etapas.

Colando as primeiras duas folhas na primeira etapa





Utilizei cola epoxi de cura lenta por varias razoes: por permitir aproximadamente 30 minutos de tempo de trabalho, adequado para o ritmo imposto pela temperatura, hehe, e pelas naturais dificuldades de lidar com pranchas longas e pesadas, pela excelente adesividade da resina que, por permanecer mais tempo na fase liquida permite um mais profundo embebimento na madeira e, claro, por a resina curada resistir muito bem aos elementos, algo fundamental considerado tratar-se de uma porta externa.


Optei por fazer a colagem em duas etapas ao inves de colar tudo de uma vez nao apenas para reduzir os riscos de empenamentos e desalinhos na prensagem, mas tambem para facilitar o manuseio.


Na segunda e final etapa da colagem, embora usualmente trabalhando sozinho, acabei pedindo socorro e consegui uma auxiliar para efetuar a colagem e o posicionamento dos grampos em ambas as faces das madeiras.

A segunda etapa, as tres folhas colando
Como a porta e' mais larga do que a bancada, a participacao de uma auxiliar foi fundamental

Curada a cola (24 horas em cada etapa) e removidos os grampos, veio o penoso, cansativo, abafado processo de remover o excesso de cola e fazer com lixa grossa o primeiro passo do acabamento da porta. Nao tenho palavras para expressar quao agradavel e convidativo e', com temperatura beirando os 40°C, trabalhar com a cara tapada por mascara, oculos e fones... Santa desidratacao, Batman!

Mas, como dizem, nao ha mal que sempre dure, e eventualmente a lide de poeira profundamente irritante (quem ja lidou com cedrorana sabe bem do que estou falando) e barulho acima de 100 dB (com constantes preces a Sta. Edwirges do Profundo Silencio para que inventem uma lixadeira de cinta silenciosa de uma vez!) chegou ao fim.

A seguir, os pequenos defeitos de superficie (nos, furos, etc.) foram preenchidos com epoxi. Nos dois lados, com intervalo de 8 horas para virar a porta. E nisso estamos:








Amigo meu, nao familiarizado com a tecnica mencionada na postagem anterior (spring joint) de criar-se uma pequena concavidade nas superfices de colagem para evitar descolagens nas extremidades da emenda, comentou que ficou curioso de ver o resultado. Por isso, essa imagem ahi ao lado mostrando mais de perto, alem dos reparos com epoxi secando, as linhas de cola na parte central da porta.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Fechando uma porta - I

Um longo hiato desde a ultima postagem. Varios motivos determinaram esse intervalo alargado, mas preponderantemente ponha a culpa no velho e implicante Pedro. O ultimo presente do Patrono do Rio Grande para os habitantes aqui da capital do Continente que lhe leva (ou levava) o nome foi e esta sendo uma onda de calor bagual, tao intensa a ponto de levar em varios dos ultimos dias o portinho a receber a duvidosa honra de ser apontada como "a capital mais quente do pais", e receber a alcunha nada carinhosa de "Forno Alegre".

Engracado? Uma ova!
Podem crer, calor de mais de 40°C com uma umidade relativa ao redor de 20-30% nao constitui uma ambiencia agradavel, mas da para tolerar bem — especialmente com mar por perto e liquidos gaseificados bem gelados disponiveis. Agora, calor de mais de 40°C com umidade relativa acima de 60% — nao raro bem, mas bem acima, la nos 90% — sem nem uma brisa, mesmo com o vivente parado, nao fazendo nada, litros e litros de suor derramando-se e simplesmente recusando-se a evaporar, mas tei...

Nah! E' indescritivel.

E voces — se e' que algum dos meus sete fieis leitores ainda restam por aqui — acham que bem no centro desse abrasador e umido circulo dos infernos eu ia-me animar a brincar de marcenaria?

Pior que sim.
Meu coracao mole (ou meu cerebro deteriorado?) acabou deixando-se convencer e acabei aceitando fazer algo que nunca fiz: construir uma porta. Mentira, claro. Nao, nao que eu estar fazendo uma porta externa de madeira macica seja mentira. Mentira e' que eu tenha tido de ser convencido. Na verdade fui eu quem tomou a iniciativa, movido pelo gosto de fazer uma coisa inedita em minha experiencia. So que, com essa meteorologia, a coisa esta indo devagar, bem devagarinho, que eu posso ser louco de ter decidido construir a porta, mas nao sou burro de me matar no processo, hehe.

--  oOo --

Considerei a principio desenvolver um modelo com paineis e almofadas por ser mais facil de lidar (e provavelmente mais divertido de construir) mas, por razoes de seguranca (vai ser a porta da rua de uma residencia) acabei por optar por um projeto o mais solido possivel: simplesmente tres taboas inteiras e espessas, solidamente emendadas. A madeira escolhida, numa relacao de resistencia/peso/estabilidade/disponibilidade acabou sendo cedro-mara (ou cedrorana, ou qualquer outro de seus tantos nomes).

Cortando as espigas soltas

As taboas, claro, foram cortadas algo mais longas e mais largas do que as medidas finais, e entao aparelhadas no ciclo habitual: uma face aplainada e retificada na desempenadeira onde a seguir um lado adjacente `a face foi plainado no esquadro, dai para a serra de mesa para cortar o outro lado paralelo e entao para o desengrosso para plainar a outra face.

Um retalho, dos cortados ao comprido das taboas, foi igualmente aparelhado para fornecer as espigas soltas a serem empregadas nas emendas.



Aparelhadas as taboas, os lados a serem emendados receberam, utilizando uma plaina manual, uma minima concavidade para obter-se o efeito spring-joint.

Talvez caiba lembrar, esses passos aparentemente simples e banais no entanto tem seus problemas, oriundos das dimensoes e peso das pecas e da necessidade de superficies adequadas nos lados, para uma boa emenda. As longas e pesadas pranchas apresentaram um consideravel desafio, tanto para minhas maquinas projetadas mais para servicos de marcenaria do que carpintaria, como para minha musculatura nao afeita a tao severas cargas. Quero dizer, entremeadas com palavroes, podem somar aos suadores varias, variadas dores em varios lugares da minha anatomia eu nem sabia existiam.

O passo seguinte, naturalmente, foi abrir as furas nos lados das tabuas a serem emendadas. Considerei primeiro empregar a tupia de mao para faze-las, mas duas consultas ao travesseiro acabaram por me convencer eu obteria resultados mais precisos e possivelmente, ao final, com menos trabalho e esforco, utilizando a tecnica manual ensinada por Mr. Paul Sellers empregando formoes. Alem do que, um bom treino...




Acima `a esquerda, tudo pronto para iniciar a marcacao e corte das furas e, `a direita, o inicio da abertura da segunda fura com a primeira, ja pronta, em primeiro plano.



Nas fotos acima, os primeiros lados com as furas abertas e as espigas soltas posicionadas, prontos para a colagem.

Antes de colar no entanto ha de abrir as furas nos lados que faltam e fazer a montagem seca da coisa toda para conferir ajustes e efetuar as correcoes dos desacertos que, inevitavelmente como reza o Murphy, haverao de aparecer.

Coisa para fevereiro...