quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tomando jeito

Progredindo na construcao do movelzinho inspirado pelo no-de-pinho, construi suas gavetas.



Para a frente delas, um baixo relevo cortado no torno e, no centro, com um puxador torneado em... no-de-pinho. Optei por montar as gavetas utilizando outra vez encaixes de malhetes em cauda-de-andorinha, para treinar. E testar, ver como ficava, uma variante: inverter caudas por pinos na frente e atras das gavetas.

Reparem na imagem `a esquerda a inversao, evidente nas tabuinhas ja cortadas de cedrinho `a direita, e que serao os lados da gaveta. Caudas na frente e pinos atras. Alem da variacao (abaixo a rotina!, hehe), pareceu-me deixar o conjunto mais monolitico — mas pode ser minha impressao.

Adicionalmente, essa foi a primeira vez que fiz, `a mao e "para valer", um encaixe em asa-de-andorinha a meio, ou meio-cego. Infelizmente, o problema que relatei de o pinus ser muito mole e deformar-se com os encaixes e desencaixes dos malhetes voltou a ocorrer. Assim, decidi fazer a colagem das gavetas com auxilio de grampos para forcar bem os encaixes e, depois, preencher as folgas com massa de serragem com cola. O que acabou criando um artefato meio estranho, meio futurista, tao interessante quanto temporario...


Uma vez coladas e posto o fundo, as gavetas foram lixadas e receberam tres demaos de oleo de tungue por fora, e duas demaos de goma-laca no interior.


Para o fundo do armarinho resolvi utilizar um compensado fininho e velho que tinha dando sopa. Cortei uma 'fatia' da chapa, utilizando serra tico-tico manual e um guia. O pedaco foi lixado e recebeu tres demaos de oleo de tungue no lado de dentro. Apos, coloquei a carcaca do movel sobre o compensado e marquei os limites para localizar furos para os parafusos que, com um pouco de cola branca, fixaram o tampo no fundo. Com uma tupia o excesso do bordo foi entao cortado rente, e o lado de fora igualmente lixado e acabado com oleo de tungue.



Os pedacos esfacelados do compensado, nas bordas, sao desimportantes, como se vera...

domingo, 27 de janeiro de 2013

Tentando desfazer o no

Considerando, como mencionado na postagem anterior, a inclusao de nos-de-pinho em algum projeto, acabei decidindo pela construcao de um armarinho. Especificamente um armarinho daqueles de colocar no banheiro sobre a pia e, portanto, tentando combinar com o ja existente la, utilizando ainda outra vez a combinacao de "madeiras vagabundas": pinus com cedrinho.

Sem pressa, resolvi nao apenas utilizar minha tecnica preferida de construcao, o metodo 'preguicoso' de fazer tudo sem projeto e triando o minimo de medidas, como empregar ao maximo (que permita a preguica, hehe) ferramentas manuais. Iniciei pela montagem da carcaca basica, com encaixes por malhetes em rabo-de-andorinha (cortadas `a mao com inspiracao nesse video).


E' comumente recomendado, e com razao, deva-se evitar madeiras moles como o pinus quando se deseja fazer encaixes justos, e essa sabedoria confirmou-se: como o pinus se deforma por qualquer coisinha, o inevitavel montar e desmontar dos encaixes acaba por provocar folgas. Consideraveis. Bem visiveis. Para contornar o problema a carcaca foi colada e sujeita com grampos para manter-se em esquadro e, quando seca a cola, os espacos, as folgas nas emendas foram preenchidas com massa de serragem com cola.

A seguir, com plainas manuais e lixadeiras eletricas (evitar sempre que possivel lixar `a mao e' dever de todos nos, nao e' mesmo?) as emendas foram devidamente regularizadas.

Desdobrei na serra de fita umas pranchinhas de cedrinho para fazer umas divisorias, aparelhadas entao na desengrossadeira e depois lixadas (lixadeira eletrica, claro), e as fixei com parafusos. A seguir, a carcaca basica ja montada e lixada foi devidamente envenenada com cupincida.



Por que a fixacao com parafusos ao inves de encaixes? Para combinar, como mencionado acima, com o outro armario ja existente no banheiro, que possui parafusos `a mostra. E o envenenamento, considerado principalmente o uso de cedrinho rico em brancal (um magneto para cupins), indispensavel.

E nisso estamos...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A questao do no'



Por esses dias tive oportunidade de comentar com amigos no forum Madeira! quanto `a beleza da madeira do no-de-pinho. Na ocasiao, mencionei a extrema dificuldade de trabalhar esse lenho cuja unica utilidade aparentemente e' ser a melhor lenha que existe para lareiras, e contei que estava criando coragem para tentar coloca-lo no torno para ver o que se poderia produzir...

Bueno, a ideia de girar esses nos ainda permanece, pendendo no entanto desenvolver uma forma confiavel de fixa-los no torno. Ate hoje as unicas pecas que ja vi manufaturadas com no-de-pinho foram cinzeiros rusticos — o que nao e' dificil de entender quando se considera que a madeira e' praticamente tao dura como metal. Ocorreu-me entao a primeira coisa a fazer — para evitar correr riscos indesejaveis na hora "H" da peca girando — seria, antes mesmo de tentar bolar um jeito de fixar, tentar verificar melhor a estrutura desses toquinhos, e para isso cortei umas fatias transversais com a serra fita.

So que... vendo as 'bolachas' que tinha cortado em cima da bancada, com aquela madeira bonita como ela so, me deu pena de guarda-las para o fogo. Resolvi tentar inventar um projeto onde aproveita-las.

Gostaria de contar um raio de inspiracao me teria revelado o que fazer e trazer aqui a coisa pronta para mostrar aos meus sete fieis leitores. Mas nao... Na verdade ainda nao tenho ideia clara de como empregar as 'bolachas'. E, alem disso, vou me afastar da 'oficina' por uns dias. Entao, como a coisa vai dar mesmo uma estacionada, peco desculpas mas resolvi mostrar essa fase, nao apenas intermediaria como indefinida, de um projeto que nao imagino qual va ser...

O fato e' que cortei umas tabuas de pinus e entalhei uns rebaixos onde colocar as 'bolachas' em relevo, como sobre pequenos pedestais:



Como disse, ainda nao sei como nem onde vou utilizar essas pecas. Na verdade nao sei sequer se vou emprega-las estruturalmente ou como decoracao.

Ainda bem que vou ter um tempo para pensar...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

De luneta II

Encaminhando a conclusao da estrutura da luneta, aparafusei e colei mais uma pranchinha para alargar a area da base, e consequentemente a estabilidade do acessorio no torno, e entao aparafusei e colei embaixo uma tabuinha fina de itauba para, ocupando o espaco entre as barras do torno, manter posicao e alinhamento. Um pedaco de compensado entao, e um parafuso trespassante e porca de 1/2", e estava feita a pinca de fixacao.

Adicionalmente, modifiquei a fixacao das hastes colocando uma barra continua com uma porca-garra no centro. (Como sempre, clicar uma foto abre uma pagina com imagens de maior/melhor resolucao.)


Resultou todas as fixacoes, da luneta e das hastes, podem ser eficientemente feitas `a mao, sem necessidade de qualquer ferramenta.





Como as emendas do anel — especialmente por se tratar de emendas de topo, sempre problematicas — ainda me pareciam frageis apesar da colagem com epoxi e das 'gravatas borboletas', resolvi aplicar uma serie de grampos para reforca-las, deixando em aberto a possibilidade futura de, se necessario, aplicar umas placas metalicas nas juncoes.

E, com isso, a estrutura ficou completa:



As hastes e seus apoios no anel foram lixadas com lixa 220G para deslizarem sem maiores problemas; o resto ficou como estava. Para impermeabilizar e proteger a peca, foram aplicadas a pincel duas demaos generosas de goma-laca na luneta toda.

Ahi chegaram as rodas.

E a luneta ficou pronta:


Ja testada e funcionando a contento, permite apoiar pecas de 2 a 22cm de diametro, o que imagino cobrira todas as minhas necessidades. Na hipotese improvavel de ser necessario um diametro maior, sera possivel sem maiores problemas, apenas modificando a fixacao dos guias das hastes, expandir o diametro da parte apoiada da peca para 30cm.

Mais do que isso nao imagino va ser preciso. Se for... veremos, hehe.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

De luneta



O resultado de uma conversa com um amigo sobre lunetas — nao o instrumento optico, mas esse tipo ahi ao lado, o apoio para madeiras no torno (que os Grandes Irmaos chamam "steady rest") — foi uma promessa de que ele iria tentar me conseguir umas rodas de patins para eu construir um.

Bom... Conseguiu.

Estao para chegar qualquer dia, agora...

Mas entao, enquanto aguardo a chegada das rodas resolvi ganhar tempo e ja ir construindo a estrutura onde coloca-las. Ha inumeras formas construtivas possiveis para o acessorio, e a Teia e' por certo uma cornucopia, em exemplos e variedade: So o Tio Google, por exemplo, retorna mais de 29 milhoes de artigos.

Eu sempre que possivel gosto de simplificar ao maximo o projeto de meus acessorios. Nao apenas por minhas assumidas limitacoes tecnicas, ou porque essa opcao usualmente resulta em construcoes mais simples e mais faceis (o que e' sempre bem recebido por meu lado preguicoso, hehe), mas principalmente porque, feito assim, o produto traz muito menos complicacoes para conservar e, eventualmente, para consertar quando necessario.



Assim, ao inves de tentar algo na linha do modelo da OneWay que aparece ali na foto de abertura resolvi fazer algo mais na linha desse ahi `a direita. E, na medida do possivel, reaproveitando retalhos, ao inves de utilizar madeira 'nova'.

Iniciei pelo mais dificil, o anel.

Depois de varias consideracoes, decidi por corta-lo em tres segmentos na serra de fita, a partir de moldes feitos em um programa de desenho no computador, colados sobre um retalho de uma prancha de pinus. O unico detalhe importante na hora do corte foi, naturalmente, tomar maximos cuidados os angulos e medidas das faces a ser coladas ficassem o mais exatos possivel.

Cortados os tres segmentos, fiz a colagem utilizando cola epoxi e prensamento com cinta, adicionando uns sarrafos e clamps para evitar entortamentos:


Montado o anel, seca a cola, coloquei-o sobre o barramento do torno para confirmar estava razoavelmente centrado com o eixo. E entao, para criar uma base e aproveitar para reforcar uma das emendas, aparafusei e colei em posicao o anel a uma chapinha de grapia.



Para reforcar as duas outras emendas cortei duas 'gravatas borboletas' nelas. Ia cortar a junta em madeira dura, mas ahi ocorreu-me a ideia, que me pareceu melhor, e mais facil, de preencher a emenda com epoxi de alta densidade.

(Os plasticos, na foto, parecem estar sob a cola, o que seria um absurdo. Na verdade o plastico esta tao bem aderido ao epoxi que ficou praticamente transparente.)

Provavelmente — porque Seguro morreu de velho abracado com a Dª Prudencia, mas Desconfiado ainda esta vivo! — ainda vou aplicar uns grampos para reforcar mais as emendas.

Ahi, foi construir as hastes de apoio onde se fixarao as rodas. Mantendo a 'tecnica' da maxima simplicidade, utilizei uns retalhos de compensado e parafusos. O posicionamente foi feito com a ajuda de um medidor de angulo, mas fundamentalmente no 'olhometro'. O resultado, claro, nao ficou exatamente preciso. Mas (perdao pelo trocadilho!)  nao e' preciso, convenhamos.


E nisso estamos.

Imagino ainda terei tempo, antes da chegada das rodas, de terminar a base e estabelecer o metodo de fixacao da luneta no torno. E' o que veremos...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Completando a arte




Apos umas duas dezenas de demaos de goma-laca aplicadas com boneca, em uma tecnica bastante semelhante ao "polimento frances", a mesa sem pernas foi devidamente fixada em seu lugar definitivo.



Pelas imagens penso se pode perceber, em primeiro lugar, o por que de a mesa receber a dimensao e o formato que recebeu e, para os meus olhos pelo menos, como  o conjunto 'fechou', ficou harmonico. Alem do que, o mais importante, a Arte moderna um tanto abstrata afinal esta em posicao adequada para cumprir sua finalidade...





Para finalizar o tema, uma mencao quanto ao acabamento aplicado...

Como mencionei, no tampo uma tecnica bastante semelhante ao "polimento frances" — mas algo simplificada, uma vez que a ideia era alcancar um acabamento brilhante, mas nao espelhado. Para os meus olhos a caracteristica alteracao de cor e reflexao do cedro conforme a incidencia da luz — um efeito chamado "olho de gato", ou moiré, ou chatoyance — ficou ainda mais acentuada com a aplicacao da goma-laca...


... e a superficie, embora sem atingir o brilho vitreo que se pode obter, ainda assim ficou suficientemente polida para permitir reflexos nitidos...


No resto da peca o acabamento foi, apos o oleo de tungue, tres demaos de goma-laca com pincel, lixa G-400, mais duas demaos com boneca e entao cera de carnauba, para um brilho bem menos intenso, acetinado.

Mas enfim, como diria meu amigo Cigano, "azar, eu gostei".

Pareceu-me um bom projeto com que encerrar esse 2012 quando, viu-se, o mundo NAO se acabou, hehe...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fechando o circulo

Uma ideia nascida no final do outono vai desabrochando agora, no fim da primavera...





Como relatado aqui mesmo no blog, no final de maio passado eu concluia uma peca altamente experimental que meu amigo Rmon — com inacreditavel aptidao, como se vera — veio a batizar de Arte moderna um tanto abstrata. Esse objeto retratado ahi `a esquerda, como provavelmente ninguem mais lembra.

Ninguem lembrara tampouco, imagino, o proposito do objeto seria servir de 'porta-trecos'. E inclusive eu comentava, para melhor disponibiliza-lo para seu objetivo ele deveria ser colocado no pequeno vestibulo em frente `a porta de entrada da casa, sobre uma mesinha. Mesinha ainda a ser construida.


E nisso ficamos...



-- oOo --



Em setembro entao, indo `a madeireira comprar uma chapa de compensado naval aproveitei, como sempre, para dar uma passeada no patio para espiar o estoque de madeiras macicas. (Va que de repente surjam uns exemplares de jacaranda? A gente nunca sabe, hehehe...) Como de costume, nao resisti `a tentacao das cores e curvas despudoradamente expostas em bruta nudez por algumas tabuas e o pudico compensado acabou achando companhia para a viagem.

Em especial no pequeno lote, tinha-me chamado a atencao uma tabua de 400x25x4cm de cedro rosa. O Alemao, funcionario da madeireira que usualmente me ajuda nas prospeccoes de bater tabuas, a tinha desprezado de cara por cheia de defeitos. Muitas irregularidades, algum empenamento, varios nos, falhas, brancal, manchas, desfiamentos. Uma droga!


Cedro rosa e' caro, e o Alemao se honra de sempre me apontar o melhor quando me ajuda. Ficou me olhando com certa estranheza quando eu disse que queria aquela tabua mas, como o fregues sempre tem razao e da gorjeta...

Obviamente, eu imaginava por tras daquelas irregularidades todas estava um padrao de veios que chamaria os olhos, e fiquei imaginando poderia empregar bem aquela tabua, talvez fazendo um desdobramento em folha de livro ou coisa parecida, em algum lugar bem chamativo de uma peca. A primeira coisa que me ocorreu foi fazer uma nova versao de um dos primeiros projetos que construi, esse Philadelphia spice cabinet em itauba ahi `a direita. Alem da oportunidade de corrigir todas as tantas mancadas que cometi no primeiro, o peso e a qualidade do cedro-rosa da tabua permitiriam um movelzinho mais leve e, supostamente, bem menos sobrio, mais chamativo.

A ideia nao foi executada (ainda?) devido a dois fatores fundamentais: a complexidade e a (sejamos crus) enchecao de saco de construir um projeto seguindo planos rigorosos, e o fato de que nao teria onde colocar a nova versao quando concluida (sem falar que as tantas gavetinhas desse ahi ainda estao todas vazias, hehe).

E entao, por esses dias ocorreu-me eu poderia utilizar a tabua na construcao do tampo para a mesinha aquela onde colocar a Arte moderna um tanto abstrata...

Fui `a Teia e aos meus arquivos buscar inspiracao para modelos possiveis. Varios pareciam inicialmente promissores mas esbarravam logo em objecoes intransponiveis. O vestibulo e' uma area bem pequena, obviamente muito transitada, dando acesso à sala e ao banheiro social, e praticamente todos os tipos de mesinhas que vi, quando levava suas medidas para o vestibulo, ou viravam trambolhos obstrutivos, ou ficavam grosseira e/ou ridiculamente fora de proporcoes.

Foi quando assisti um velho video do Norm Abram mostrando a construcao do que ele denominou wall hung console. Essencialmente, uma prateleira!

Firmada a ideia da prateleira, o projeto do New Yankee Workshop foi deixado de lado. Quando serrei e fiz a aparelhagem grossa do que seria a prateleira, a madeira revelou-se ainda mais bonita do que eu esperava. E ahi, lembrando usualmente madeiras muito figuradas beneficiam-se de designs ultra simples, ao inves das tecnicas de Mr. Abram resolvi foi mesmo fazer do jeito mais simples possivel.

As pecas recortadas na serra fita, ja devidamente lixadas e sendo envenenadas com Jimo Cupim®
A parte inferior da prateleira ja montada, com uma demao de oleo de tungue

A parte de cima da prateleira com uma demao de oleo de tungue — bota madeira feia nisso!
Construida ontem sob uma temperatura que alcancou 39°C, hoje o acabamento teve de ser interrompido porque o velho Pedro resolveu continuar mandando chuva e, convenhamos, quando chove nao e' hora de se utilizar qualquer acabamento.

Quando clarear o horizonte eu volto `a lide.

E, claro, depois conto para voces...