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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Caixa japonesa, pronta.
Colocar os pregos decorativos foi um tapa num cego: Abrir, nos pontos marcados, os prefuros com uma broquinha de 1mm quebrada para evitar os pregos "errassem o caminho", hehe, colocar os pregos e martelar.
(Por que uma broca quebrada? Porque essas broquinhas fininhas quebram ate se a gente olhar muito forte para elas, e de qualquer maneira para furos tao finos em madeira praticamente nao e' necessario fio. Entao, guarda-se as broquinhas boas para furar ferro (e quebrar, hehe) e aproveita-se os cacos na madeira.)
Ja com o puxador...
Bueno, para comeco de conversa, embora fosse necessario apenas um, comprei quatro — porque sao baratinhos, me parece util te-los em estoque e porque sei o velho Murphy nao perdoa. Nao consegui achar um modelo so com poste e alca com dimensoes compativeis com a caixa; o modelo que servia e acabei comprando foi com placa. Uma big placa! (Na verdade, pensei que seria desarticulavel, possivel remover a placa, mas... doce ilusao, tsc, tsc.) Colocando o dito cujo no lugar onde deveria ficar, pareceu-me ficar algo mais pesado, certamente nao tao elegante quanto a opcao utilizada por Mr. Schwarz em sua reproducao.
Dai, como tinha comprado mesmo em excesso ja prevendo problemas, resolvi cortar os postes na marra e tentar ver se seria possivel uma gambiarra aceitavel...
Em uma tirinha de cedro rosa posicionei e colei com cola Fusor (a que melhor cola metal em madeira, das que eu tenho) os postes cortados. No dia seguinte, a cola bem curada, coloquei a enjambracao em posicao na caixa para tirar uma temperatura de se valeria a pena continuar os esforcos. O resultado esta ahi na foto ao lado (talvez valha lembrar que, como sempre, basta clicar nas imagens para ve-las em maior resolucao).
Minha conclusao foi de que, no limite de minhas capacidades, simplesmente nao haveria maneira de fazer a coisa que nao parecesse matacao.
Entao, partir para colocar o puxador completo, com placa e tudo.
Mais uma vez, confirmou-se o velho Murphy e' impiedoso. O precioso da loja havia escolhido, provavelmente com um risinho sinistro, parafusos de fixacao para os puxadores com um longo pescoco sem rosca. Como imagino se possa ver na imagem `a direita, o pescoco do parafuso e' tao longo quanto a rosca femea no pilao de fixacao do puxador. O qual, por sua vez, e' praticamente tao longo quanto a espessura da madeira.
Corrida desabaladamente irritada `as caixas de quinquilharias e encontro um, apenas um, parafuso desse modelo com pescoco curto. Mais catacao e encontro um de cabeca conica com rosca compativel mas — claro! — nem uma unica miseravel arruela compativel. O que me obrigou a fazer uma arruela, claro.
Entao, serrados e limados os parafusos para um comprimento compativel, furada e modelada de uma guia de cremona a arruela, marcados e abertos os furos para posicionar o bendito puxador, a coisa ficou finalmente posicionada.
(Quer dizer, finalmente, nao exatamente: ainda fiquei me devendo ir buscar hora dessas um parafuso de pescoco curto para substituir a enjambrina...)
Mas enfim, para o meu gosto ate que a coisa nao ficou tao feia, ne?
O ultimo passo da montagem consistiu em seguir a recomendacao de Mr. Schwarz em seu tutorial e aplicar parafusos para reforcar a colagem dos sarrafos da tampa.
A razao, claro, porque os sarrafos sao os pontos de aplicacao de forca para abrir e fechar a tampa e essa carga com o somar-se os anos pode se traduzir em ruptura da colagem.
Contrario `a recomendacao de Mr. Schwarz por parafusos com cabecas de panela, achei cabecas conicas ofereceriam um melhor acabamento.
E, nisso, minha versao da caixa japonesa estava finalmente concluida...
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terça-feira, 27 de setembro de 2016
Armario de fim de inverno — na parede
O armarinho, uma vez seco o veneno, recebeu cera no compartimento inferior, escuro, e duas demaos de oleo de tungue nas demais areas. Exceto a parte posterior, contra a parede, que recebeu duas demaos de antimofo.
Para fechar o compartimento inferior construi uma porta com restos de pinho e compensado naval, fixei com dobradica piano e fiz fechos com imas. Tambem ganhou veneno, duas demaos de oleo de tungue no exterior, e cera no interior, escuro. Ahi, meia duzia de demaos de goma laca onde tinha sido aplicado o oleo e entao cera. E ficou pronta a encrenca...
Para colocar o movel em seu lugar, fixei em nivel a barra do encaixe frances com dois parafusos em buchas embutidas, depois de garantir os furos para as buchas nao iriam atingir nada importante soterrado na parede, e pendurei o armario.
Como esperado, as laterais com as tiras de compensado 'defeituosas' — o ponto forte do estilo rustico rude, parecendo pintura modernosa, na opiniao de um amigo — ficaram praticamente invisiveis com o movel no lugar. (O que, naturalmente, originou protestos de minha funcionaria que jura que gosta do jeito das laterais. Fazer o que? Alguem sempre reclama. Como outros reclamaram que, pelo ambiente, o movel TINHA de ser pintado de branco...)
Ficou como se ve nas imagens abaixo.
E, como diria meu amigo Durgue Costa, o Cigano:
Azar!... Eu gostei.
Para fechar o compartimento inferior construi uma porta com restos de pinho e compensado naval, fixei com dobradica piano e fiz fechos com imas. Tambem ganhou veneno, duas demaos de oleo de tungue no exterior, e cera no interior, escuro. Ahi, meia duzia de demaos de goma laca onde tinha sido aplicado o oleo e entao cera. E ficou pronta a encrenca...
Para colocar o movel em seu lugar, fixei em nivel a barra do encaixe frances com dois parafusos em buchas embutidas, depois de garantir os furos para as buchas nao iriam atingir nada importante soterrado na parede, e pendurei o armario.
Como esperado, as laterais com as tiras de compensado 'defeituosas' — o ponto forte do estilo rustico rude, parecendo pintura modernosa, na opiniao de um amigo — ficaram praticamente invisiveis com o movel no lugar. (O que, naturalmente, originou protestos de minha funcionaria que jura que gosta do jeito das laterais. Fazer o que? Alguem sempre reclama. Como outros reclamaram que, pelo ambiente, o movel TINHA de ser pintado de branco...)
Ficou como se ve nas imagens abaixo.
E, como diria meu amigo Durgue Costa, o Cigano:
Azar!... Eu gostei.
sábado, 24 de setembro de 2016
Armario de fim de inverno — a carcaca
(Clique nas imagens para ve-las em maior resolucao.)
Uma vez seca a colagem dos paineis laterais, por descargo de consciencia e porque imagino o movel va receber alguns consideraveis maus tratos no seu futuro dia a dia, optei por reforcar as emendas aplicando-lhes um longo parafuso desde a lateral. E entao cobrindo com um tampao de cedro rosa a cabeca dos parafusos, imitando uma cavilha, porque na minha estranha religiao moveis que usam parafusos estruturais nao podem mostrar tais parafusos, hehe.
O passo seguinte foi cortar de uma prancha de pinho (araucaria) a base e a prateleira central. A base foi fixada `as laterais com doze parafusos, seis em cada lado, e a prateleira foi encaixada em um sulco aberto com dado blade nas laterais e entao fixada com quatro parafusos de cada lado, dois em cada coluna. Nenhuma cola, e as cabecas dos parafusos foram igualmente cobertas com tampao de cedro rosa.
Baseado no principio (religioso?) de testar fazer o que dizem nao se faz, optei por deixar o 'lado ruim' das laterais, onde as pranchas estao repletas de 'defeitos', virado para fora e o 'lado bom', com as laminas de cedro gaucho praticamente intactas, para o interior do movel. A ideia fundamental, claro, sendo que ao inves de tentar esconder, disfarcar as inumeras imperfeicoes dos lenhos colhidos da 'sucata', e' bem mais honesto deixar essas imperfeicoes absolutamente expostas, no 'estilo' que resolvi chamar de rustico rude — e ver com que jeito a coisa vai ficar. (Enquanto, evidentemente, a preocupacao basica e' que o armarinho seja absolutamente resistente, duravel e, se necessario, passivel de ser consertado, retocado, arrumado, etc., se e quando porventura surja tal necessidade.)
Neste momento no entanto e' muito possivel, provavel mesmo, algum de meus sete fieis leitores, mais miudeiro, com toda a propriedade esteja indagando: "Mas o que uma prancha de pinho de 30cm de largura esta fazendo na sucata?" Assim, o': O proprietario da madeireira que mais frequento —sabendo bem que estou longe de ser perito, mas tambem nao sou um total idiota quanto a conhecer madeiras, e que por alguma razao eu procuro selecionar taboas com nos, grana revessa, desenhos e tal ao inves das taboas bem regulares que a maioria de seus clientes prefere — me ofereceu essa prancha por um preco especial, com consideravel desconto. Por que razao? Porque a prancha inclui a medula, o que os Grandes Irmaos chamam pith, o centro de crescimento da tora; e nao apenas madeira com medula tende a trabalhar, empenar de tudo quanto e' jeito, como a medula e' um lenho esponjoso, fragil, e extremamente vulneravel a organismos xilofagos.
No entanto, apesar desses, mm, inconvenientes, a zona da medula apresenta usualmente uns desenhos e coloracoes interessantes e, sim, sob certas condicoes pode-se contornar seus piores problemas. Por isso — e pelo preco, claro — fiquei com a taboa, mas a deixei meio separada, na porta da sucata, digamos assim.
Os pedacos que cortei para fazer a base e a prateleira, como se ve nas imagens abaixo e como era de se esperar, apresentaram seus problemas. A parte que virou a prateleira (`a esquerda) apresentava uma boa area atacada por broca, o que resolvi com a medida geral de aplicar Jimo® Cupim em todo o movel e, no especifico, por entupir os furos com massa de serragem de pinho e cola. A parte que foi para a base (na direita), alem de uma certa descoloracao com fungos escuros, tinha alguma separacao em um veio (o mais escuro e avermelhado, no centro) e um par de rachaduras, o que tratei com cianoacrilato.
Ja as colunas dos paineis laterais, foram cortadas de um resto de louro freijo com defeitos: casca, brancal, manchas e algumas rachaduras nas extremidades. As rachaduras, como se ve na imagem `a direita, tambem foram tratadas com cianoacrilato; os demais defeitos... fazem parte do estilo rustico rude, hehe.
O proximo passo foi colocar o fundo.
Primeiramente coloquei na parte superior o conjunto para um encaixe em faca (ou encaixe frances), serrado de uma ripinha de freijo. Como no entanto o parafusamento necessitou ser feito muito na borda da coluna do painel lateral, resolvi reforcar colocando por cima, parafusado no topo das colunas, uma ripa de pinho. Colhida, claro, na sucata onde estava pelas razoes que me parecem obvias na imagem da direita.
O fundo propriamente foi feito com outro resto do compensado de cedro gaucho, umas taboas de louro freijo da 'sucata' (por curtas, manchadas e com brancal) e um resto de compensado naval todo manchado de fungos pretos. As pecas foram todas fixadas com parafusos; como na parte de tras do movel, contra a parede, os parafusos nao ficarao visiveis, nao foi preciso oculta-los (o estilo rustico rude e' rigido, mas condescendente, hehe). Aquela ripinha la em baixo, obviamente da sucata, serve para manter o armario no prumo quando for para a parede.
Um ultimo toque foi colar umas laminas finas de cedro rosa para cobrir os topos das laterais no alto do movel. Sim, vejam voces, o estilo rustico rude ate pode ser considerado feio. Mas nao pode ser guenzo, nao pode ser fragil e, principalmente, nao pode ser desleixado, oras...
Ahi, mais umas aplicacoes com as lixadeiras onde considerado necessario, sopracao e aplicacao de veneno, marron escuro no compartimento inferior, incolor no resto tudo.
E com isso, acho, a carcaca esta completada...
Uma vez seca a colagem dos paineis laterais, por descargo de consciencia e porque imagino o movel va receber alguns consideraveis maus tratos no seu futuro dia a dia, optei por reforcar as emendas aplicando-lhes um longo parafuso desde a lateral. E entao cobrindo com um tampao de cedro rosa a cabeca dos parafusos, imitando uma cavilha, porque na minha estranha religiao moveis que usam parafusos estruturais nao podem mostrar tais parafusos, hehe.
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| Formando a caixa |
O passo seguinte foi cortar de uma prancha de pinho (araucaria) a base e a prateleira central. A base foi fixada `as laterais com doze parafusos, seis em cada lado, e a prateleira foi encaixada em um sulco aberto com dado blade nas laterais e entao fixada com quatro parafusos de cada lado, dois em cada coluna. Nenhuma cola, e as cabecas dos parafusos foram igualmente cobertas com tampao de cedro rosa.
Baseado no principio (religioso?) de testar fazer o que dizem nao se faz, optei por deixar o 'lado ruim' das laterais, onde as pranchas estao repletas de 'defeitos', virado para fora e o 'lado bom', com as laminas de cedro gaucho praticamente intactas, para o interior do movel. A ideia fundamental, claro, sendo que ao inves de tentar esconder, disfarcar as inumeras imperfeicoes dos lenhos colhidos da 'sucata', e' bem mais honesto deixar essas imperfeicoes absolutamente expostas, no 'estilo' que resolvi chamar de rustico rude — e ver com que jeito a coisa vai ficar. (Enquanto, evidentemente, a preocupacao basica e' que o armarinho seja absolutamente resistente, duravel e, se necessario, passivel de ser consertado, retocado, arrumado, etc., se e quando porventura surja tal necessidade.)
Neste momento no entanto e' muito possivel, provavel mesmo, algum de meus sete fieis leitores, mais miudeiro, com toda a propriedade esteja indagando: "Mas o que uma prancha de pinho de 30cm de largura esta fazendo na sucata?" Assim, o': O proprietario da madeireira que mais frequento —sabendo bem que estou longe de ser perito, mas tambem nao sou um total idiota quanto a conhecer madeiras, e que por alguma razao eu procuro selecionar taboas com nos, grana revessa, desenhos e tal ao inves das taboas bem regulares que a maioria de seus clientes prefere — me ofereceu essa prancha por um preco especial, com consideravel desconto. Por que razao? Porque a prancha inclui a medula, o que os Grandes Irmaos chamam pith, o centro de crescimento da tora; e nao apenas madeira com medula tende a trabalhar, empenar de tudo quanto e' jeito, como a medula e' um lenho esponjoso, fragil, e extremamente vulneravel a organismos xilofagos.
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| No centro da taboa, a medula |
No entanto, apesar desses, mm, inconvenientes, a zona da medula apresenta usualmente uns desenhos e coloracoes interessantes e, sim, sob certas condicoes pode-se contornar seus piores problemas. Por isso — e pelo preco, claro — fiquei com a taboa, mas a deixei meio separada, na porta da sucata, digamos assim.
Os pedacos que cortei para fazer a base e a prateleira, como se ve nas imagens abaixo e como era de se esperar, apresentaram seus problemas. A parte que virou a prateleira (`a esquerda) apresentava uma boa area atacada por broca, o que resolvi com a medida geral de aplicar Jimo® Cupim em todo o movel e, no especifico, por entupir os furos com massa de serragem de pinho e cola. A parte que foi para a base (na direita), alem de uma certa descoloracao com fungos escuros, tinha alguma separacao em um veio (o mais escuro e avermelhado, no centro) e um par de rachaduras, o que tratei com cianoacrilato.
Ja as colunas dos paineis laterais, foram cortadas de um resto de louro freijo com defeitos: casca, brancal, manchas e algumas rachaduras nas extremidades. As rachaduras, como se ve na imagem `a direita, tambem foram tratadas com cianoacrilato; os demais defeitos... fazem parte do estilo rustico rude, hehe.
O proximo passo foi colocar o fundo.
Primeiramente coloquei na parte superior o conjunto para um encaixe em faca (ou encaixe frances), serrado de uma ripinha de freijo. Como no entanto o parafusamento necessitou ser feito muito na borda da coluna do painel lateral, resolvi reforcar colocando por cima, parafusado no topo das colunas, uma ripa de pinho. Colhida, claro, na sucata onde estava pelas razoes que me parecem obvias na imagem da direita.
O fundo propriamente foi feito com outro resto do compensado de cedro gaucho, umas taboas de louro freijo da 'sucata' (por curtas, manchadas e com brancal) e um resto de compensado naval todo manchado de fungos pretos. As pecas foram todas fixadas com parafusos; como na parte de tras do movel, contra a parede, os parafusos nao ficarao visiveis, nao foi preciso oculta-los (o estilo rustico rude e' rigido, mas condescendente, hehe). Aquela ripinha la em baixo, obviamente da sucata, serve para manter o armario no prumo quando for para a parede.
Um ultimo toque foi colar umas laminas finas de cedro rosa para cobrir os topos das laterais no alto do movel. Sim, vejam voces, o estilo rustico rude ate pode ser considerado feio. Mas nao pode ser guenzo, nao pode ser fragil e, principalmente, nao pode ser desleixado, oras...
Ahi, mais umas aplicacoes com as lixadeiras onde considerado necessario, sopracao e aplicacao de veneno, marron escuro no compartimento inferior, incolor no resto tudo.
E com isso, acho, a carcaca esta completada...
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Armario de fim de inverno
Com um dos invernos mais complicados, mais chatos que o velho Pedro conseguiu aviar chegando (aparentemente; nunca se sabe...) ao fim, hora de tirar o po das maquinas. Ou, melhor, hora de fazer po com as maquinas, hehe...
Para retomar a embocadura, optei por executar um projetozinho simples para minha, mm, lavanderia: um armario onde armazenar sabao, amaciante, essas coisas, de forma a poder acessa-las sem precisar me abaixar (ja que atualmente eles ficam 'armazenados' no piso).
Adicionalmente, resolvi fazer o tal armario utilizando apenas 'sucata' — restos de (boas) madeiras que estao acumulados pelos cantos. Mais especificamente, resolvi utilizar tanto quanto possivel umas sobras da mesa que desmontei, um produto um dia relativamente comum mas hoje absoluta raridade: compensado de cedro gaucho. Um exemplar tipico, recem saido da 'sucata' esta mostrado ahi na foto `a esquerda (como sempre, clique nas imagens para ve-las em maior resolucao).
Passei algum tempo 'admirando' as pecas do raro compensado, imaginando de que forma poderia integra-lo na idea de movel que estava contemplando. Sim, como nao e' raro, do projeto so tenho a ideia, nenhum plano tracado, esperando que as madeiras me contem de que jeito a coisa vai ser, hehehe — um metodo que aprecio bastante mas que, inegavelmente, consome um bom tempo para desenvolver-se...
Ao final de algum tempo matutando, decidi por fazer uns paineis com o compensado, para serem usados como laterais do tal armario. Catei duas taboinhas de freijo e cortei delas quatro ripas para os lados longos e, de um retalho de cedro rosa, cortei quatro outras ripas para os lados curtos. O passo seguinte foi aparelhar devidamente as ripas nas plainas e, uma vez dimensionadas, abri um rasgo com a dado blade em todas elas. Isso feito, cortei as linguas nas extremidades dos lados curtos e... estavam prontas as molduras para o painel.
O passo seguinte foi tratar o compensado de cedro: remover os pregos, dimensionar as pecas na serra de esquadria, dar uma ajeitada no aspecto geral da coisa, um trabalho para plainas e lixadeiras ate ficar algo minimamente apresentavel. Ajustar a espessura para entrar com leve folga nos rasgos da moldura, enfiar as pecas nos 'trilhos' e verificar as montagens secas dos paineis.
As tiras de compensado estavam originalmente coladas e pregadas e, ao serem removidas, evidente que a parte colada sofreu um certo, mm, esfacelamento. Aplicado o pseudoacabamento com lixadeiras, um lado ficou relativamente apresentavel — o lado bom — enquanto que o lado esfacelado, o ruim, ficou parecendo uma colcha de retalhos.
Confirmado com a montagem seca o dimensionamento correto das pecas, foi feita a colagem da moldura com as pecas do painel apenas encaixadas, sem cola.
Observando os paineis prontos nos grampos, enquanto ficava pensando em possiveis retoques, confesso que ainda nao decidi qual lado dos paineis sera o interno e qual o externo, o bom ou o ruim.
Quando tirar os grampos vou ter que dar uma molhada neles para ver com que cara vao ficar antes de decidir. Mas, por hoje, e' por aqui que ficamos...
Para retomar a embocadura, optei por executar um projetozinho simples para minha, mm, lavanderia: um armario onde armazenar sabao, amaciante, essas coisas, de forma a poder acessa-las sem precisar me abaixar (ja que atualmente eles ficam 'armazenados' no piso).
Adicionalmente, resolvi fazer o tal armario utilizando apenas 'sucata' — restos de (boas) madeiras que estao acumulados pelos cantos. Mais especificamente, resolvi utilizar tanto quanto possivel umas sobras da mesa que desmontei, um produto um dia relativamente comum mas hoje absoluta raridade: compensado de cedro gaucho. Um exemplar tipico, recem saido da 'sucata' esta mostrado ahi na foto `a esquerda (como sempre, clique nas imagens para ve-las em maior resolucao).
Passei algum tempo 'admirando' as pecas do raro compensado, imaginando de que forma poderia integra-lo na idea de movel que estava contemplando. Sim, como nao e' raro, do projeto so tenho a ideia, nenhum plano tracado, esperando que as madeiras me contem de que jeito a coisa vai ser, hehehe — um metodo que aprecio bastante mas que, inegavelmente, consome um bom tempo para desenvolver-se...
Ao final de algum tempo matutando, decidi por fazer uns paineis com o compensado, para serem usados como laterais do tal armario. Catei duas taboinhas de freijo e cortei delas quatro ripas para os lados longos e, de um retalho de cedro rosa, cortei quatro outras ripas para os lados curtos. O passo seguinte foi aparelhar devidamente as ripas nas plainas e, uma vez dimensionadas, abri um rasgo com a dado blade em todas elas. Isso feito, cortei as linguas nas extremidades dos lados curtos e... estavam prontas as molduras para o painel.
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| As ripas cortadas, aparelhadas e oom o rasgo aberto |
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| As molduras, em montagem seca |
O passo seguinte foi tratar o compensado de cedro: remover os pregos, dimensionar as pecas na serra de esquadria, dar uma ajeitada no aspecto geral da coisa, um trabalho para plainas e lixadeiras ate ficar algo minimamente apresentavel. Ajustar a espessura para entrar com leve folga nos rasgos da moldura, enfiar as pecas nos 'trilhos' e verificar as montagens secas dos paineis.
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| O lado 'bom' da montagem seca |
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| O lado 'ruim' da montagem seca |
Confirmado com a montagem seca o dimensionamento correto das pecas, foi feita a colagem da moldura com as pecas do painel apenas encaixadas, sem cola.
Observando os paineis prontos nos grampos, enquanto ficava pensando em possiveis retoques, confesso que ainda nao decidi qual lado dos paineis sera o interno e qual o externo, o bom ou o ruim.
Quando tirar os grampos vou ter que dar uma molhada neles para ver com que cara vao ficar antes de decidir. Mas, por hoje, e' por aqui que ficamos...
terça-feira, 17 de maio de 2016
Mesa cereja - um pouquinho torta
O passo seguinte na confeccao da mesa cereja, claro, era fixar a prancha de cedro com bordos naturais aos pes. O problema aqui era o fato de a prancha nao estar aparelhada, apresentando variacoes em todas as suas dimensoes e, obvio, nenhum lado reto. A solucao indicada pelo meu grande conselheiro foi conseguir uma, pelo menos uma, referencia confiavel, e a referencia apontada foi tracar a linha de centro da prancha.
A linha central da prancha marcada em ambas as faces serviu como referencia para fixar uma regua e, usando dois esquadros e um compasso nao foi dificil marcar e entao cortar entalhes esquadrejados onde encaixar e entao fixar com parafusos os pes da mesa `a prancha.
Utilizando grampos para fixar os pes nos seus lugares e niveis para acertar prumo e nivel, depois de aplicar cola PUR nos encaixes mandei ver os oito parafusos. Notei, quando alguns parafusos 'chamaram'— no aperto final, a parafusadeira estalando a embreagem — algum movimento houve nos pes. Uma conferencia rapida no entanto, e tudo estava em ordem, reto, alinhado, nivelado, no prumo.
Uau, aleluia! Toda gloria ao Santo Travesseiro! Olhando a coisa depois da remocao dos grampos... nada mau, hein?
Todavia, conhecendo bem as artimanhas do Murphy — e, sinceramente, sabendo que eu nao tenho essa bola toda, hehe — eu ja imaginava aquelas mexidinhas na hora do aperto final dos parafusos nao iam ficar de graca. Revisando minuciosamente o resultado sem o atravancamento dos grampos e com a cola seca, reparei os angulos fugiam do reto. Pouca coisa, par de graus aqui, um e meio ali mas, reto, reto nao, nao estavam.
Mas, convenhamos, ninguem vai analisar no dia a dia uma mesa com esquadros e niveis, nao e' mesmo? E, tudo bem, talvez ate haja alguem com olhos capazes de detetar desalinhamentos de um a dois graus. Mas, aos olhos do meu cliente a coisa ate que estava muito boa, hehehe.
So que sei bem, se os olhos se deixam enganar, a madeira nao. E eu tinha ainda de construir a moldura para o tampo, e aqueles poucos graus certamente iriam causar desencontros nas juncoes, frestas que ate um cegueta iria ver a dezenas de metros.
Minha ideia original era construir a moldura do topo separada da base e depois de pronta aparafusa-la no cimo das pernas. Com os desalinhamentos no entanto, esse metodo seria receita garantida de cacaca! Resolvi entao que iria construir a moldura no lugar, sobre as pernas, sem esquadro e tirando as medidas pelas proprias pecas, e tomara que os demonios todos tenham ido dormir.
Assim, aparelhei e dimensionei os lados longos da moldura em duas ripas de marfim-mara e, apoiando as ditas cujas sobre as pernas, marquei e entao cortei nelas um rebaixo raso nas areas de contato. Com isso, consegui um posicionamento estavel para as laterais e, variando profundidade e angulo dos rebaixos conforme a necessidade, pude garantir as pecas ficassem bem niveladas. Uma vez garantido o nivel, fixei as laterais `as pernas com parafusos. Hora de posicionar os lados curtos.
Sabendo que os lados curtos nao ficariam exatamente esquadrejados, uma serie de possiveis encaixes foram descartados a priori. O metodo que me pareceu mais eficaz para fazer emendas consistentes — e fora de esquadro — foi copiar a tecnica muito utilizada pelos irmaos Greene do encaixe de caixa com tres dentes, com o malhete macho nos lados curtos.
Fiz os cortes para os malhetes empregando a serra fita. Nas femeas, retirei o segmento do meio, com bedame. Nos machos, serrei fora os segmentos laterais com serra manual. Para marcar angulos e profundidades fiz uma primeira marcacao fixando as laterais longas com os parafusos e posicionando as laterais curtas no lugar que desejava e marquei as posicoes com lapis. Cortei os malhetes femeas por essas marcacoes, voltei a fixar as laterais longas nas pernas e tornei a conferir angulos e posicionamentos para as laterais curtas, marquei e entao cortei os machos por essas marcacoes.
Como talvez seja mais facil entender vendo as fotos abaixo...
Na porcao central da moldura foi posicionada uma trave fixada com um encaixe 'quase' a meia madeira, passante. (Por razoes esteticas eu originalmente tinha pensado em utilizar espiga e fura passante, mas estruturalmente a opcao final me pareceu mais apropriada.).
E com isso a estrutura toda da mesa foi completada e efetuei uma primeira montagem seca, o que ja da os ares do aspecto final do novo movel...
Bueno, agora partir para a montagem final, a colocacao do tampo na moldura, os aderecos, o refinamento fino do acabamento, incluindo correcao/tapeacao dos erros que ainda permaneceram visiveis, e tudo, e tal.
Qualquer bathora dessas...
A linha central da prancha marcada em ambas as faces serviu como referencia para fixar uma regua e, usando dois esquadros e um compasso nao foi dificil marcar e entao cortar entalhes esquadrejados onde encaixar e entao fixar com parafusos os pes da mesa `a prancha.
Utilizando grampos para fixar os pes nos seus lugares e niveis para acertar prumo e nivel, depois de aplicar cola PUR nos encaixes mandei ver os oito parafusos. Notei, quando alguns parafusos 'chamaram'— no aperto final, a parafusadeira estalando a embreagem — algum movimento houve nos pes. Uma conferencia rapida no entanto, e tudo estava em ordem, reto, alinhado, nivelado, no prumo.
Uau, aleluia! Toda gloria ao Santo Travesseiro! Olhando a coisa depois da remocao dos grampos... nada mau, hein?
Todavia, conhecendo bem as artimanhas do Murphy — e, sinceramente, sabendo que eu nao tenho essa bola toda, hehe — eu ja imaginava aquelas mexidinhas na hora do aperto final dos parafusos nao iam ficar de graca. Revisando minuciosamente o resultado sem o atravancamento dos grampos e com a cola seca, reparei os angulos fugiam do reto. Pouca coisa, par de graus aqui, um e meio ali mas, reto, reto nao, nao estavam.
Mas, convenhamos, ninguem vai analisar no dia a dia uma mesa com esquadros e niveis, nao e' mesmo? E, tudo bem, talvez ate haja alguem com olhos capazes de detetar desalinhamentos de um a dois graus. Mas, aos olhos do meu cliente a coisa ate que estava muito boa, hehehe.
So que sei bem, se os olhos se deixam enganar, a madeira nao. E eu tinha ainda de construir a moldura para o tampo, e aqueles poucos graus certamente iriam causar desencontros nas juncoes, frestas que ate um cegueta iria ver a dezenas de metros.
Minha ideia original era construir a moldura do topo separada da base e depois de pronta aparafusa-la no cimo das pernas. Com os desalinhamentos no entanto, esse metodo seria receita garantida de cacaca! Resolvi entao que iria construir a moldura no lugar, sobre as pernas, sem esquadro e tirando as medidas pelas proprias pecas, e tomara que os demonios todos tenham ido dormir.
Assim, aparelhei e dimensionei os lados longos da moldura em duas ripas de marfim-mara e, apoiando as ditas cujas sobre as pernas, marquei e entao cortei nelas um rebaixo raso nas areas de contato. Com isso, consegui um posicionamento estavel para as laterais e, variando profundidade e angulo dos rebaixos conforme a necessidade, pude garantir as pecas ficassem bem niveladas. Uma vez garantido o nivel, fixei as laterais `as pernas com parafusos. Hora de posicionar os lados curtos.
Sabendo que os lados curtos nao ficariam exatamente esquadrejados, uma serie de possiveis encaixes foram descartados a priori. O metodo que me pareceu mais eficaz para fazer emendas consistentes — e fora de esquadro — foi copiar a tecnica muito utilizada pelos irmaos Greene do encaixe de caixa com tres dentes, com o malhete macho nos lados curtos.
Fiz os cortes para os malhetes empregando a serra fita. Nas femeas, retirei o segmento do meio, com bedame. Nos machos, serrei fora os segmentos laterais com serra manual. Para marcar angulos e profundidades fiz uma primeira marcacao fixando as laterais longas com os parafusos e posicionando as laterais curtas no lugar que desejava e marquei as posicoes com lapis. Cortei os malhetes femeas por essas marcacoes, voltei a fixar as laterais longas nas pernas e tornei a conferir angulos e posicionamentos para as laterais curtas, marquei e entao cortei os machos por essas marcacoes.
Como talvez seja mais facil entender vendo as fotos abaixo...
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| Cortando o segmento central de uma lateral longa, com bedame |
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| O segmento central removido de uma lateral longa |
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| Uma lateral curta colocada sobre uma longa para conferir posicao e angulos, antes de cortar os segmentos laterais para formar a espiga da ensambladura |
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| A pequena diferenca de angulo; a linha mais escura o angulo desejado, a linha mais clara o angulo reto |
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| O encaixe feito. Note-se a pequena diferenca de angulo representaria uma indisfarcavel fresta |
Na porcao central da moldura foi posicionada uma trave fixada com um encaixe 'quase' a meia madeira, passante. (Por razoes esteticas eu originalmente tinha pensado em utilizar espiga e fura passante, mas estruturalmente a opcao final me pareceu mais apropriada.).
E com isso a estrutura toda da mesa foi completada e efetuei uma primeira montagem seca, o que ja da os ares do aspecto final do novo movel...
Bueno, agora partir para a montagem final, a colocacao do tampo na moldura, os aderecos, o refinamento fino do acabamento, incluindo correcao/tapeacao dos erros que ainda permaneceram visiveis, e tudo, e tal.
Qualquer bathora dessas...
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