Mostrando postagens com marcador Oficina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oficina. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Caixa japonesa, pronta.


Colocar os pregos decorativos foi um tapa num cego: Abrir, nos pontos marcados, os prefuros com uma broquinha de 1mm quebrada para evitar os pregos "errassem o caminho", hehe, colocar os pregos e martelar.


(Por que uma broca quebrada? Porque essas broquinhas fininhas quebram ate se a gente olhar muito forte para elas, e de qualquer maneira para furos tao finos em madeira praticamente nao e' necessario fio. Entao, guarda-se as broquinhas boas para furar ferro (e quebrar, hehe) e aproveita-se os cacos na madeira.)



Ja com o puxador...


Bueno, para comeco de conversa, embora fosse necessario apenas um,  comprei quatro — porque sao baratinhos, me parece util te-los em estoque e porque sei o velho Murphy nao perdoa. Nao consegui achar um modelo so com poste e alca com dimensoes compativeis com a caixa; o modelo que servia e acabei comprando foi com placa. Uma big placa! (Na verdade, pensei que seria desarticulavel, possivel remover a placa, mas... doce ilusao, tsc, tsc.) Colocando o dito cujo no lugar onde deveria ficar, pareceu-me ficar algo mais pesado, certamente nao tao elegante quanto a opcao utilizada por Mr. Schwarz em sua reproducao.



Dai, como tinha comprado mesmo em excesso ja prevendo problemas, resolvi cortar os postes na marra e tentar ver se seria possivel uma gambiarra aceitavel...

Em uma tirinha de cedro rosa posicionei e colei com cola Fusor (a que melhor cola metal em madeira, das que eu tenho) os postes cortados. No dia seguinte, a cola bem curada, coloquei a enjambracao em posicao na caixa para tirar uma temperatura de se valeria a pena continuar os esforcos. O resultado esta ahi na foto ao lado (talvez valha lembrar que, como sempre, basta clicar nas imagens para ve-las em maior resolucao).

Minha conclusao foi de que, no limite de minhas capacidades, simplesmente nao haveria maneira de fazer a coisa que nao parecesse matacao.



Entao, partir para colocar o puxador completo, com placa e tudo.




Mais uma vez, confirmou-se o velho Murphy e' impiedoso. O precioso da loja havia escolhido, provavelmente com um risinho sinistro, parafusos de fixacao para os puxadores com um longo pescoco sem rosca. Como imagino se possa ver na imagem `a direita, o pescoco do parafuso e' tao longo quanto a rosca femea no pilao de fixacao do puxador. O qual, por sua vez, e' praticamente tao longo quanto a espessura da madeira.

Corrida desabaladamente irritada `as caixas de quinquilharias e encontro um, apenas um, parafuso desse modelo com pescoco curto. Mais catacao e encontro um de cabeca conica com rosca compativel mas — claro! — nem uma unica miseravel arruela compativel. O que me obrigou a fazer uma arruela, claro.


Entao, serrados e limados os parafusos para um comprimento compativel, furada e modelada de uma guia de cremona a arruela, marcados e abertos os furos para posicionar o bendito puxador, a coisa ficou finalmente posicionada.

(Quer dizer, finalmente, nao exatamente: ainda fiquei me devendo ir buscar hora dessas um parafuso de pescoco curto para substituir a enjambrina...)


Mas enfim, para o meu gosto ate que a coisa nao ficou tao feia, ne?



O ultimo passo da montagem consistiu em seguir a recomendacao de Mr. Schwarz em seu tutorial e aplicar parafusos para reforcar a colagem dos sarrafos da tampa.

A razao, claro, porque os sarrafos sao os pontos de aplicacao de forca para abrir e fechar a tampa e essa carga com o somar-se os anos pode se traduzir em ruptura da colagem.


Contrario `a recomendacao de Mr. Schwarz por parafusos com cabecas de panela, achei cabecas conicas ofereceriam um melhor acabamento.


E, nisso, minha versao da caixa japonesa estava finalmente concluida...





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Cera microcristalina - conclusoes (quase) finais




Apos pouco mais de um mes de testes, acredito a microcera — mistura a quente de tres partes de parafina microcristalina e uma parte de cera de carnauba mais uma pitada de bicarbonato, tudo dissolvido em limoleno — definitivamente oferece protecao efetiva na protecao de tampos metalicos ou quaisquer metais ferrosos expostos.

Exceto por tintas, a cera demonstrou-se equivalente ou superior a todos os demais metodos de protecao de superficies metalicas que empreguei, e ainda incorporando varias vantagens adicionais como apontado nas postagens anteriores, salientemente baixos custos, financeiros e operacionais. E, de quebra, serve ainda como um bom acabamento para madeiras, hehehe...


O unico ponto onde a microcera mostrou alguma insuficiencia na protecao que oferece foi em circunstancias onde substancias capazes de provocar e/ou acelerar a oxidacao — como acidos, sais, etc., contidos por exemplo em suor, fezes de passaros, etc. — permanecessem prolongadamente em contato.


Apos mais alguns testes, o metodo que encontrei capaz de resolver essa limitacao foi aplicar, cumprindo rigorosamente todas as instrucoes de aplicacao, um fosfatizante comercial na superficie antes da aplicacao da microcera.

A imagem acima ilustra o efeito de deixar-se uma pequena poca de salmoura (feita com sal de cozinha) secar e permanecer sobre aco protegido por fosfatizante e microcera, durante ~22 horas.
Da esquerda para a direita, nas tomadas superiores, a salmoura secando ate formar uma pelicula de cristais. Nas inferiores, o sal iodado absorveu umidade do ar e manchou o metal; o resultado de limpar a superficie com um pano e entao o resultado de limpar a superficie com bombril.


A aplicacao correta de fosfatizante demanda sim um pouco de tempo para completarem-se devidamente as reacoes quimicas envolvidas no processo, mas nao e' trabalhosa, o produto nao e' caro e a protecao adicional que se alcanca e', nos casos onde se faz necessaria, bem efetiva.


Desnecessario dizer, mas digo de qualquer jeito, a microcera esta em uso corrente na protecao de minhas maquinas e ferramentas e, claro, as observacoes continuarao em busca de detetar eventuais falhas que possam vir a ocorrer em sua efetividade.

Se/quando for o caso, por certo virei informar.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cera microcristalina - protecao de metais

(clique nas imagens para ve-las em maior resolucao)


A principal razao que me levou a testar a microcera (mistura 3:1 de parafina microcristalina com cera de carnauba) foi, como ja mencionei, verificar seu desempenho quando aplicada como antioxidante em superficies metalicas. Isso, como tambem mencionado, inspirado nos resultados obtidos empregando a Renaissance Wax (RW) que proporciona excelentes resultados — mas e' importada e portanto cara.

Mais uma vez me repetindo, nao pretendo aborrecer ninguem com relatos minuciosos dos como e dos por que. Resumindo, o que fiz foi aplicar a microcera como protecao em tampos de maquinas feitos em ferro fundido cinzento e em ferramentas que tendem a facilmente oxidar (formoes e plainas manuais), submete-las a testes simulando condicoes de trabalho com variada severidade em induzir oxidacao, e tirar uma temperatura: Se vale a pena o seu uso, e entao como usar.

Evidentemente, resultados mais confiaveis poderiam ser obtidos com maior tempo de observacao e maior variedade de testes mas, meu criterio, o que pude ver nessa semana de testes e' suficiente para conclusoes satisfatorias. Indiscutivelmente, outras maos, outros lugares, outros metodos levarao a resultados diversos do que obtive mas, espero, no fundamental as conclusoes serao as mesmas...

Logo apos a aplicacao da microcera
Nove dias depois, tudo igual fora a luz

Na protecao de tampos de ferro fundido foi onde a microcera apresentou seu melhor desempenho.

Na minha 'oficina' exposta ao elemento, ao ar livre para todos os efeitos praticos, o tampo de minha lixadeira oscilante de rolo ficou totalmente exposto durante nove dias. Farta variacao de temperatura (5 a 29ºC), umidade raramente inferior a 90%, nao raro 100%; choveu em oito dos nove dias. A oxidacao foi ainda 'facilitada' por adicionar poeira de madeira sobre o tampo por varios dias.

Ao final dos nove dias, nenhuma diferenca, a protecao foi totalmente eficiente.

O tampo da minha serra de bancada nao e' mantido impecavel. Longe disso. Marcas, ocasionadas por inumeras razoes durantes os varios anos que esta em uso, causaram manchas e oxidacoes que so foram removidas parcialmente. A microcera foi aplicada apos uma limpeza um pouco mais profunda, incluindo mesmo aplicacao de lixas em alguns pontos.

O que eu considero um tampo de serra limpo
O tampo recebeu, a diferentes tempos, diferentes 'facilitadores' de oxidacao buscando simular, mm, "coisas que acontecem". Joguei e sequei/limpei quase em seguida, agua quente e fria, alcool, goma laca, oleo, cola pva. Molhei as maos com salmoura para simular suor e toquei aqui e ali e sequei sem lavar, quase em seguida. Todos os dias, varias vezes, alem de serrar umas madeiras simulei serrar muitas outras, passando incontaveis vezes pra la e pra ca uma ripa de cedro gaucho.

O mesmo processo de testes, com intensidade algo menor, foi aplicado tambem `as mesas da minha desempenadeira. A cera resistiu a praticamente tudo, ajudando bem a lubrificar a passagem das madeiras. So nao resistiu `a salmoura: as marcas dos dedos enferrujaram. Foram removidas, umas com bombril, outras com lixa, e voltei a reaplicar a microcera. E voltei a sujar com salmoura. E voltou a enferrujar.

Suor — como se eu ja nao soubesse! — e' um problema serio....


O tampo da serra, `a esquerda logo apos a aplicacao da microcera, `a direita ao serem dados por encerrados os testes.

As manchas de ferrugem causadas pela salmoura ja tinham sido removidas.









As mesas da desempenadeira sofreram o mesmo, se menos intenso, regime de testes. Acima, `a direita, logo apos a aplicacao da microcera; `a esquerda, ao final dos testes.



Aplicada com bombril em uma demao cuidadosa, longa e repetidamente espalhada, e polida com bombril entre 15 a 45 minutos apos a aplicacao, a microcera demonstrou oferece uma protecao relativamente eficaz `a oxidacao, que permanece mesmo com uso relativamente intensivo das maquinas. No caso de surgirem pontos de oxidacao, como os causados pelo 'suor', e' limpar e reaplicar localmente.



Imagino em ambientes mais protegidos e com condicoes climatologicas mais amenas do que na minha 'oficina' aberta aos ventos, sera perfeitamente viavel uma reaplicacao geral da cera nao mais do que semestralmente, quica anualmente...
- ooOoo -


A protecao contra oxidacao nas ferramentas manuais, como e' facil de entender, deixou a desejar: as maos suam. E na lida frequentemente suam muito.














Como pode ser visto neste velho formao 'baleado' que foi empregado nos testes, o suor e' mesmo um problema serio.

A base do formao, antes de receber a microcera, foi lixada da ponta ate a linha verde, na imagem `a esquerda, ate ficar livre de qualquer oxidacao. Essa area foi tocada com os dedos umidos com salmoura e quase em seguida seca. No outro dia a ferrugem era nitida; foi removida com WD40 e bombril, e a cera reaplicada. Como apontam as setas amarelas, ficaram nitidas 'cicatrizes'.

O bizel foi polido no estropo antes de receber a cera, ficando espelhado. Tocado com salmoura e seco, resultado tal como na base.

Como contaminacao com suor e' algo praticamente inevitavel na superficie das ferramentas manuais, protecao apenas com microcera sera insuficiente.

A RW parece conseguir o feito de proteger contra suor, mas ainda preciso testar mais ate ter certeza e poder confiar.

Cera nas plainas tem a vantagem adicional de lubrificar as solas, e pode-se frequentemente utilizar os formoes sem lhes tocar as laminas — entao a microcera ate que pode ter seus usos. Mas para protecao contra o suor, pelo menos por enquanto vou continuar jogando pelo seguro e usando o paninho com oleo, que esse sim e' infalivel.

- ooOoo -

Essas sao minhas conclusoes finais.

Minha sugestao e': Discordem totalmente delas!

Considerem-nas integralmente equivocadas em premissa, metodos e analise, alem de pessimamente fundamentadas.

Comprem as ceras, preparem-nas e vao fazer seus proprios testes, chegar `as suas proprias conclusoes. E' barato, divertido e, coisa muito rara, tenho certeza. Certeza de que vai valer a pena.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cera microcristalina - preparando a encrenca

Como esperado, chegou hoje a encomenda: um quilo de cera microcristalina.

Pelo plastico transparente da embalagem da para ver sao perolazinhas, muito brancas, Abrindo e pegando a coisa na mao, as perolazinhas sao nada aderentes, muito lisas e duras; se apertadas com toda a forca entre os dedos nao se deformam, mas calcando com a unha elas cedem. Parecem feitas de um plastico macio, digamos assim.

Passei as perolazinhas do saco plastico para uns vidros, como da para ver ahi na foto `a esquerda, com um saco com cera de carnauba fazendo companhia.

Mas o que interessa e' por maos `a obra. Do que havia prospectado na Rede, resolvi experimentar com 100g de micro, 30g de carnauba e 300ml de solvente. Nao nessas quantidades, claro, que cera rende muito e isso daria para par de anos. Reduzi para 1/10: 10g de micro, 3g de carnauba e 30ml de limoleno.


Ahi na foto acima, o 'laboratorio' para preparar a formula. Da esquerda para a direita, um fogaozinho eletrico com termostato, com uma caneca quase cheia d'agua em cima, um termometro de culinaria e uma balanca de cozinha com resolucao em gramas. E uns potinhos onde derreter/esquentar as coisas...

- ooOoo -

Quando comecei a lidar com preparo de ceras eu utilizava o fogao da cozinha, com chama aberta, para esquentar o banho-maria. E recomendava deixar por via das duvidas um extintor de automovel `a mao, em caso de necessidade. Eventualmente... Houve a necessidade! Deixem que lhes diga o extintor e' uma pessima ideia. Sim, apagou o fogo. Mas esparramou po por tudo, jogou agua e cera derretida longe, gerando ocupacao para praticamente um dia inteiro de mao de obra ate a cozinha voltar a um estado compativel com atividades culinarias. Com o que, aprendi tres coisas: 1) Se necessario esquentar o solvente e/ou cera ja diluida com solvente, usando chama aberta e' praticamente certo vai pegar fogo na cera ou no solvente; 2) O melhor jeito de apagar o fogo da cera ou do solvente NAO e' usar extintor mas, calmamente, tampar o banho-maria, com uma tampa, uma toalha umida, qualquer coisa que abafe o fogo; 3) Cozinha nao e' lugar de preparar cera.

O certo e', em um ambiente externo, de preferencia bem aberto para nao ficar empestado com os fumos que porventura exalem e/ou malcheirosos respingos problematicos, utilizar um aquecedor eletrico, sem chama — de preferencia com termostato para evitar a agua do banho-maria ferva furiosamente e possa entornar a cera. Um termometro ajuda a setar o termostato. Uma balanca, claro, para pesar os componentes, e alguma coisa, um frasco graduado, uma seringa, etc., para medir o solvente. Obviamente esta-se utilizando equipamentos de culinaria, nao de precisao — ha de se considerar uma margem de erro compativel.

- ooOoo -

E com tais aparatos e consideracoes, esta montado o cenario onde iniciar-se a producao dos primeiros testes.

Pesei as ceras... E nisso ja cometi um erro.

Peguei um potinho, pus na balanca e adicionei a cera microcristalina ate 10g, e comecei a adicionar a carnauba. Logo vi a quantidade que havia adicionado certamente ja deveria ser mais do que 3g, mas a balanca dizia que nao. Aquilo que falei ali acima: e' equipamento para cozinha, nao e' equipamento de precisao. O jeito e' pesar uma cera em um pote, conferir tres, cinco vezes, e pesar a outra cera em outro pote, conferir tres, cinco vezes, e so entao mistura-las.



E entao levar ao banho-maria. E esperar. Ambas as ceras tem ponto de fusao alto, ao redor de 80-90°C, entao leva um tempinho.


Quando praticamente toda a cera estiver derretida, em outro pote leva-se o solvente para o banho-maria, aguarda-se uns minutos, adiciona-se uma pequenissima pitada de bicarbonato de sodio `as ceras, mais uma boa mexida e entao tira-se tudo do banho e derrama-se o solvente nas ceras. Mexe-se bem e despeja-se a cera ainda liquida na embalagem definitiva.


E ahi esta o resultado da primeira 'fornada'. Em duas latinhas de graxa de sapato `a esquerda, o resultado da formula como descrita acima. `A direita, na latinha e no pote de plastico, o resultado de preparo daquela pesagem que saiu torta, uma percentagem bem menor de carnauba, que eu calculo entre 0,7 e 1,3g muito aproximadamente, e com um pouco mais de solvente, talvez ahi por uns 40ml. Afinal, experimentar e' preciso, hehehe...

Agora, aguardar umas 24 horas para a cera emulsionar bem antes de partir para aplicar um pouco das formulas em uns tampos de maquinas e ver como se desempe...

Haan?
Como?
Para que o tal de bicarbonato?

Bueno, tanto eu tenha lido o uso da cera de carnauba para conservacao de metais pode ser problematico porque quando em tempo essa cera se oxida tende a se tornar acida. O bicarbonato e' para, talvez, evitar essa possivel acidez.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Cera microcristalina - o comeco


Ha pouco mais de um mes consegui obter, para satisfazer velha curiosidade, uma embalagem de 200 ml da Renaissance Wax. Essa cera e' uma formulacao criada pelo British Museum ao redor de 1950 como um anticorrosivo, empregado para conservacao de suas pecas; especialmente pecas de metal, e especialmente as sujeitas a manipulacao, contato com maos nuas. Embora podendo ser utilizada em mobiliario e pecas de madeira em geral, nesse emprego relatam-se certas limitacoes.

Minha intencao era empregar a dita cuja cera como protetora para ferramentas metalicas e no tampo de ferro fundido das maquinas, sujeitas `as condicoes climaticas do portinho, extremamente propiciadoras de oxidacao. Afinal, a informacao era de que uma vez aplicada forma um filme duro, resistente, persistente, impermeavel ao ar, `a agua e ao alcool.

Tao logo recebi a encomenda, abri o pote para ver o jeitao da coisa — levissimo cheiro de solvente organico, uma massa branca que cede um pouco de si para um pano ou papel toalha quando se passa, como e' o jeito das ceras, mas que peculiarmente nao cede praticamente nada quando apertada com toda a forca de um dedo. (Nao, nao testei se entra um prego, mas imagino que sim, hehehe.)

Em seguida, claro, fui aos testes. Selecionei como pecas de prova meus barriletes que desprotegidos enferrujam so de se olhar para eles, um velhissimo formao tapado de muita ferrugem desde que o conheci, e uma sobra de cedro rosa. Como preparacao, passei bem esfregado, varias vezes, papel toalha nos barriletes para remover o oleo que os protegia. No formao passei lixa 220 no lombo para tirar o grosso da ferrugem e depois, na parte mais da base, passei lima ate aparecerem areas de metal limpo e a seguir tornei a lixar todo o lombo com lixa 400 e a seguir um pano seco. O cedro, deixei como estava, sem qualquer acabamento ou lixagem fina.

Como recomendado, apliquei uma levissima, finissima camada da cera em todo o corpo dos barriletes, em todo o corpo do formao e na face do cedro. Nao segui a recomendacao de, apos alguns minutos da aplicacao, remover o excesso com um pano. As imagens abaixo tomei hoje, praticamente um mes depois. Nenhum reforco foi aplicado e as pecas foram manipuladas, embora nao tanto quanto seriam normalmente — que tenho lidado pouco na 'oficina' gracas ao velho implicante e `as condicoes metereologicas com que vem nos brindando por esses dias.








Os barriletes (como sempre, clique nas imagens para ve-las em maior resolucao) apresentam alguns pontos de oxidacao nas bases, apontados pelas setas verdes. Esses pontos ja estavam la quando apliquei a cera, e nao os removi justamente para incrementar o teste, ja que ferrugem cataliza, acelera a formacao de mais ferrugem. Nao notei nenhum aumento da ferrugem na base, e no resto do corpo dos acessorios tudo reluzindo.









No formao nao percebi qualquer mudanca. O que estava enferrujado continua, nem mais, nem menos, tao enferrujado quanto estava; as partes brilhantes continuam brilhantes.





O pedaco de cedro rosa deixei secar umas 12 horas apos a aplicacao — notei estava bem seco porque a madeira que tinha escurecido um pouco na aplicacao como e' normal, tinha retornado `a aparencia inicial, como se nada tivesse sido aplicado. Apenas ao tato, um certo aveludado traia a presenca da cera. Testei molhar a superficie e a agua ficou em bolinhas, mas sem alterar a cor da madeira sob as bolinhas. Sacudindo fora a agua e passando um pano, tudo bem sequinho e sem qualquer sinal de ter sido molhado. Reapliquei agua hoje, Nada mudou.

Todavia, olhando mais de perto pode-se perceber o principal problema que eu havia lido ocorre: Onde havia veios abertos a cera os havia preenchido, e ficado branca, opaca. E embora eu tenha escovado com forca e passado flanela com forca, ela continuou e continua la, branca e opaca, como se pode ver na foto. Tentei, sem muito esmero e' verdade, remove-la com uma agulha, mas nao houve jeito a menos que removesse a madeira junto. (Consta, o unico jeito de remover e' utilizando um solvente forte, de thinner para cima. Ou calor. E nao e' facil. Lixar? Aaargh! Nao me falem em lixar...)


E nisso estamos. O troco parece realmente funcionar. A proxima etapa sera aplicar nos tampos das maquinas...

Porem, ao constatar o uso dessa cera pode ser uma bela mao na roda para evitar ferrugem, um problema ficou evidente: ela nao existe no nosso mercado, e importa-la nao fica nada barato. Dai, o curioso aqui resolveu fazer uma outra experiencia: ver se consigo fazer essa cera em casa.

Algo para um novo episodio, qualquer bathora dessas.


Claro, aqui neste batcanal...


domingo, 12 de junho de 2016

Geladeira sem luz - iniciando a imitacao

Com a morosidade que o intenso inverno precoce aqui no Continente de Sao Pedro determina — as horas com condicoes minimamente humanas de trabalho na 'oficina' praticamente ao ar livre ficando fortemente limitadas (ou entao, vai ver, porque o inverno convida `a preguica, hehe) — minha tentativa de criar um movel imitando uma das velhas geladeiras de madeira operadas a barras de gelo vai progredindo. Vagarosamente, mas vai...

Tendo, como mostrado na postagem imediatamente anterior, aparelhado as madeiras para o 'esqueleto' da carcaca do movel, marquei nelas cuidadosamente medidas a posicao para as furas nas colunas e para as espigas nas travessas. A seguir, abri as dezoito furas utilizando bedame de ½" e malho empregando, com pequenas variacoes pessoais, a tecnica ensinada pelo Paul Sellers (https://www.youtube.com/watch?v=q_NXq7_TILA).

Os retalhos usados para setar a serra





O proximo passo foi cortar as espigas nas extremidades das ripas utilizando, para setar a serra de bancada, retalhos com a mesma altura e espessura das ripas e, para garantir o esquadro nos cortes, recorrendo ao auxilio do goniometro e do tenoning jig.





Com a serra devidamente setada e utilizando o goniometro fiz os cortes transversais para os ombros e, depois de reajustar a setagem, usei o tenoning jig nos cortes longitudinais aos veios para completar as espigas.



Apos conferir o 'casamento' dos malhetes, limpando onde necessario a fura ou a espiga, uma ultima verificacao foi feita efetuando a montagem seca das porcoes da frente e do fundo do movel:


Conferida a montagem, tornei a desmontar as emendas para em seguida refaze-las, dessa feita aplicando cola e grampos para a montagem final.

Como optei por deixar os encaixes bem justos, a montagem exigiu o emprego de malho sem rebote para assentar as emendas antes de grampear. Por isso, porque a colocacao das travessas das laterais igualmente havera de ser feita necessitando semelhante 'persuasao' — e porque esta frio, muito frio — para evitar possiveis contratempos optei por deixar a cola secar bem, deixando as pecas secando durante toda a noite antes de terminar a montagem do 'esqueleto'.

E nisso estamos...






terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Limpeza de laminas de serras circulares, e outras

Ha algum tempo eu havia conseguido um frasco pequeno da formula 2050 da CMT, solucao de limpeza para serras circulares, fresas de tupia, etc., e havia ficado muito bem impressionado com a efetividade do produto. Problema no entanto, embora seu preco na origem seja ate bem razoavel, depois de processados frete, taxas e impostos a coisa fica muito, muito desagradavel. O que ocasionou eu fosse pesquisar na Rede qual o ingrediente ativo da coisa...

Nao demorou muito descobrir trata-se de butilglicol. Novas pesquisas mostraram esse solvente, hidrossoluvel e atoxico, e' muito, muito utilizado em multiplas aplicacoes de limpeza, tanto industrial como domestica. Alguns telefonemas e descobri consegue-se compra-lo em nosso mercado. Mas ha um porem, um severo porem: a menor embalagem de venda que encontrei foi 20 litros. Para usar na limpeza das serras a concentracao e' de 5%, ou seja, quantidade suficiente para preparar um absurdo volume final de 400 litros. Convenhamos...


Resolvi entao pesquisar quais produtos de limpeza vendidos no comercio utilizam butilglicol como componente basico. E foi ahi que eu acertei, em cheio. Nao apenas encontrei um produto, mas tratava-se inclusive de um produto de uso regular na minha casa, chamado Veja Cozinha (antigamente X-14).


Hoje entao, trocando uma serra circular de kerf normal por uma de kerf fino para desdobrar umas ripinhas que serao as portas do balcao que estou montando, resolvi testar o tal de Veja substituindo a formula 2050...


A serra, tendo sido usada por um longo periodo, estava encrustada, muito encrustada de resinas e residuos, mas o resultado com o produto do supermercado foi o mesmo da formula secreta italiana.




Apliquei a mesma tecnica: recobrir a serra, em ambos os lados, com uma generosa camada do produto e deixar ficar por uns 15 minutos. Entao escovacao intensa com uma escova de dentes em todas as superficies, enfase nos dentes e nos cortes da lamina. Mais 15 minutos e repetir a escovacao. Entao, secar a lamina com um pano seco, sem enxaguar (alegadamente a fina camada que sobra do produto inibe a ferrugem e ate retarda o acumulo de resinas quando a lamina voltar ao uso).


Dizer que fica como nova seria exagero mas, pelo contraste, da vontade.


Imagino utilizando-se uma escova de cerdas mais duras (latao, aco inox, etc.) seja possivel remover praticamente todos os residuos, mas o que sobra depois da escova de dentes, para o meu gosto pelo menos, nao justificaria o esforco.

Estupidamente, esqueci de fotografar a lamina antes da limpeza, mas talvez o resultado mostrado ahi nas fotos demonstre que muito pouco fica, e mesmo os intersticios dos finos cortes abertos na lamina restam livres de praticamente toda sujidade.

Como?

Nao, nao tenho patrocinio ou qualquer especie de interesse em nenhum dos produtos mencionados. Apenas pensei a tecnica poderia talvez interessar a algum de meus sete fieis leitores.



sábado, 20 de junho de 2015

Montagem da base

Enquanto `as vesperas da entrada do inverno o velho Pedro resolveu deixar desabar os termometros, finalmente terminei os cortes dos malhetes nas diferentes travessas que formam a base da futura, mm, comoda e pude efetuar a primeira montagem dessa porcao do movel...


Nada de mais, por certo. Apenas a transicao de uma pilha de sarrafos em uma geringonca xarope de movimentar e que ocupa um espaco enorme, hehehe...




Vai indo, com muito vagar.

E ha ainda bastante o que fazer para completar a base, ate decidir se faco sua moldagem grossa antes ou depois de partir para a construcao do gabinete propriamente dito...

E' como eu disse: nenhuma pressa.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Excepcionalmente, um jig


Nao gosto de usar/fazer jigs.

Fundamentalmente porque bolar e construir um jig para facilitar uma coisa demora e da trabalho, e nao raro demora menos tempo e da menos trabalho fazer a tal coisa sem utilizar jig nenhum. Furas para dobradicas, por exemplo. Acho mais facil e mais rapido fazer na mao do que construir um jig para corta-las com tupia. A nao ser, claro, que precise cortar duzias de furas iguais, hehe.


(Mr. Norm Abram, protagonista do famosissimo (e saudoso) New Yankee Workshop, no entanto afirmava que fazia jigs nao para ganhar tempo, mas para melhorar a consistencia do trabalho. Tudo bem, inegavelmente faz sentido: qualquer coisa feita `a mao sempre tera variacoes, e um jig elimina tais variacoes. Mas Mr. Abram e' um mestre, domina a arte e a tecnica, praticamente nao tem mais nada a aprender.
Eu... sou apenas um curioso.)


Mas `as vezes nao tem jeito, so um jig resolve. Por exemplo, o mais demorado e complicado de colar uma laminacao em curva e' construir a forma, o jig. Mas sem a forma nao tem como.




Esse papo furado todo como preambulo para contar que na construcao de pecas do que pretendo venha a ser a base da comoda que estou tentando montar para o meu quarto me deparei com uma dessas circunstancias onde a unica saida foi um jig:


Querendo cortar espigas cilindricas nas extremidades de travessas longas, a opcao obvia era tornea-las; no entanto deparei-me com o problema de as travessas serem longas demais para serem colocadas entre pontas no barramento do torno. Matutei horas sobre maneiras alternativas de cortar as espigas, mas todos os metodos que imaginei esbarravam em dificuldades e imprecisoes. Ate que, ovo de Colombo, surgiu a ideia de utilizar a luneta do torno como apoio para a peca, utilizando um jig. Este ahi da foto `a esquerda, mais precisamente.

Como a porcao a ser torneada era na extremidade da peca, bem junto `a placa, nao precisei me preocupar com vibracoes no corte especificamente; apenas mantive uma velocidade relativamente baixa para evitar vibracoes na propria luneta — que afinal, convenhamos, nao e' das estruturas mais rijas ja construidas, hehe.


A coisa funcionou a contento — descontados alguns daqueles inevitaveis erros que afligem tudo que se faz pela primeira vez e que, um pouco por vergonha de te-los cometido, outro pouco para nao entediar meus sete fieis leitores com detalhes macantes, vou escusar-me de relatar...


 De todo modo, como disse, a coisa funcionou.

E, ainda que tendo de fazer um jig, consegui minhas longas travessas com espigas cilindricas cortadas nas extremidades:



sábado, 13 de junho de 2015

A mao, ou a motor?


Ceu azul? Sol?
Excecoes da regra.

Frio, nao raro abaixo de 10°C. Chuvas, finas, frequentes, continuadas. Cerracao fechando o ceu em cinzas quando nao chove. Umidade relativa do ar praticamente nunca abaixo de 95%. Nada demais, claro; apenas o cardapio habitual que o velho Pedro serve a seu Continente, todo inverno.



Na minha 'oficina' praticamente a ceu aberto, abrir os tampos das maquinas ao elemento e' receita certa para a ferrugem chegar e fazer casa. Sem falar que trabalhar entrouxado sem duvidas e' proposta nada convidativa, ainda menos, muito menos, com os dedos enregelados. O que usualmente se traduz em minha presenca na 'oficina' e os brinquedos com madeira escassearem ate quase total ausencia no inverno — pretextando ao separador de orelhas oportunidades de engendrar o que fazer para celebrar a chegada de minha prima favorita...

Esse ano no entanto, como comentei anteriormente os cupins que invadiram meu closet acabaram por me pressionar a construir substituto(s) para a peca infestada, preferivelmente antes da primeira revoada dos enxames daqueles danados devoradores de madeira seca. Bueno, a primeira providencia que tomei foi... mandar a pressa para o inferno!

Ja paguei o preco da pressa fazendo os moveis para a cozinha e decidi desta feita vou ignorar o tempo e prirorizar o divertimento. O que, suponho, sera bom para minha saude e para a das maquinas — que serao utilizadas tao somente quando indispensavel, deixando o grosso do servico a ser efetuado com toda a calma (e provavel que mais meticulosamente do que de habito, diga-se) com ferramentas manuais bem mais faceis de manter protegidas da acao nefasta do clima da estacao.

Quanto ao projeto do(s) movel(is)?... Nao ha!

Ha esse esboco, a ideia geral desenhada no computador. A partir dai pretendo ir fazendo as pecas do jeito que a madeira deixar, e deixar a madeira ir dizendo do jeito que possa ser...

Ta certo, sei bem nao e' o jeito mais pratico, certamente nao o mais agil e muito provavelmente nao e' a maneira mais esperta de se criar um design. Mas a intencao, afinal, e' so que seja divertido, o mais divertido possivel.

Ate agora fiz umas colagens, cortei uns encaixes, tentando arquitetar os pes, a base para o movel da esquerda ahi da ilustracao; fiz ate uma montagem seca para ir tendo uma ideia...


Vamos ver que bicho vai dar...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Afinando o barrilete

Devo iniciar confessando um erro: alicercado fundamentalmente na minha ignorancia, claro, e vendo em um video Mr. Roy Underhill afirmar que em frances holdfast se chama valet, adotei chamar a ferramenta como valete, em portugues.

No entanto encontrei referencia e confirmei nos dicionarios, em portugues o objeto se chama mesmo e' barrilete. Mil perdoes!

-- ooOoo --

Mas o que eu queria contar e' finalmente consegui quem me trouxesse dA Matriz um par de barriletes da Gramercy que ha tempos eu cobicava mas nao ousava importar porque o frete ficava mais caro do que as ferramentas (pois e', ferro pesa, hehehe).

Tendo recebido os novos brinquedinhos e agradecido profusamente ao benemerito portador, fui obviamente para a bancada testar o desempenho do negocio. Enfiei a geringonca em um dos furos de 3/4" e com uma pancada do malho tentei fixar um naco velho de madeira...

Dois problemas!

O primeiro problema e' que, mesmo o malho nao sendo dos mais pesados e a pancada nao sendo das mais fortes, a pressao se transmite toda bem para a ponta do barrilete e marca, fundo, a madeira — como imagino se possa ver ahi na imagem `a esquerda (como sempre, clique para ampliar).

O outro problema e' que o prendedor nao prendia.
Mesmo com pancadas mais fortes (e, claro, marcas mais fundas na madeira), a ferramenta nao se fixava suficientemente.

A verdade e' que eu ja esperava ambos os problemas, tendo lido referencias a eles em varias fontes disponiveis na Teia. E, claro, ja sabia como soluciona-los. (Sim, sim: viva, mil vezes viva a Intenet!)


A solucao para o primeiro problema e' colocar alguma coisa entre o barrilete e a madeira a ser fixada que proteja esta daquele (que lingua, a nossa!).



No meu caso, optei por colar com epoxi na ponta do novo brinquedo um pedaco de borracha macia — mais especificamente um retalho de sola de sandalia Havaiana, hehe.

Funcionou perfeitamente.
Primeiro problema... Resolvido.


O segundo problema, a ferramenta ficar solta ao inves de se travar no furo, devia-se ao tampo da minha bancada ser muito grosso e, por isso, nao haver espaco no furo para o acavalamento. A solucao, reduzir a espessura do tampo ampliando o diametro do fundo do furo.

Acessar o fundo do furo, no outro lado do tampo da bancada, foi um pouco trabalhoso. Nao querendo aborrecer meus sete fieis leitores com relatos de incontaveis detalhes tediosos, resumo a coisa contando que os furos — coincidentemente tambem sete — foram alargados em funil com goiva e malho, lima circular em furadeira manual, e grosa, e o tampo movido e operado com auxilio de um guincho, como mostram as fotos:

O tampo da bancada foi erguido dos pes e girado com ajuda do guincho

`A esquerda do tampo, os tres primeiros furos alargados

Todos os sete furos alargados e envenenados com cupinicida

O tampo voltando a seu lugar sobre os pes

E com os furos alargados o segundo problema estava resolvido, e os barriletes passaram a sujeitar as pecas com toda a firmeza e sem deixar quaisquer marcas nas madeiras.



Plim, plim!  Final feliz, hehehe...