terça-feira, 15 de março de 2016

Primeiro companheiro - a carcaca



Incluindo algumas ocorrencias desagradaveis — que relatei no forum Madeira! — dei por encerradas hoje as lides da construcao da carcaca do doravante denominado "primeiro companheiro", o primeiro de pretensamente tres moveis para fazer companhia ao balcao das cavilhas.


Nada de muito especial na construcao, exceto a madeira: as laterais, o topo e a base do movel sao de imbuia; as divisorias horizontais de pinho. A montagem foi feita empregando ensambladuras em cauda-de-andorinha e as divisorias encaixadas em rasgos abertos com dado blade. Mais por frescura do que propriamente por seguranca, os encaixes das divisorias receberam duas milicavilhas (palitos de dente) como reforco, hehe.


Antes da montagem as madeiras foram lixadas com lixadeira rotoorbital, G80 e G220 — sem maiores preocupacoes em remover todos os defeitos de superficie da imbuia: achei melhor deixar alguns defeitos aparentes do que transformar, mais do que o indispensavel, precioso lenho em poeira. A seguir as taboas de pinho foram envenenadas com Jimo Cupim® seguido, quando seco, de duas demaos de stain cor imbuia. Feita a colagem e acertados os encaixes com plainas e lixas, a imbuia igualmente recebeu veneno.


Concluidos todos os acertos e seco o veneno, duas demaos de cera no exterior, uma no interior.


E e' onde estamos...




segunda-feira, 7 de março de 2016

Um jeito de desdobrar

(Clique nas imagens para ve-las em maior resolucao.)

Com a conclusao do balcao (das cavilhas), hora de dar inicio aos trabalhos dos, mm, moveis de companhia. Como usual, nao tenho uma exata ideia do que vai sair, o que vai ser feito. Esses projetos recebem consideravel contribuicao das madeiras; o jeitao delas vai sugerindo formas, modos, jeitos e a coisa vai tomando forma meio que por conta propria, hehe.

A primeira coisa que fiquei sabendo quanto ao novo movel foram as dimensoes: aproximadamente 70x45x25cm. A segunda foi a madeira da carcaca: imbuia, a ser aparelhada a partir de uns restos de pranchas. Isso posto, a primeira constatacao foi seria necessario desdobrar as pranchas de 5cm de espessura. Para tanto resolvi empregar um jeito que, na minha assumidamente limitadissima experiencia, e' o que gera menores perdas ate obter-se as pranchas desdobradas e aparelhadas. E resolvi documentar o metodo...

Inicialmente as pranchas sao deixadas com quatro lados retos, empregando desempeno, serra circular de bancada e desengrosso.

Cortando as laterais
Corte dos topos
Uma vez as pranchas aparelhadas, as laterais sao cortadas na serra de bancada utilizando um disco de kerf fino elevado `a maxima altura possivel. Sempre mantendo a mesma face em contato com a guia, a seguir cortam-se os topos, com o disco agora elevado apenas par de centimetros.

Se a largura da prancha for maior do que a permitida pela serra de fita, a fase seguinte e' feita com um serrote ryoba, cortando sempre ao redor da peca usando os kerfs ja cortados como guias. Se, como foi o caso, a peca cabe na serra de fita, a conclusao do corte e' feita la, `a mao livre, utilizando os kerfs abertos como guias.

Concluido o desdobre na serra fita




Uma vez as pranchas desdobradas, como imagino se possa ver na imagem `a direita as superficies cortadas ficam algo irregulares, como e' o padrao da serra fita. A regularizacao e' entao feita empregando o desengrosso com pequenos incrementos, procurando perder-se o menos possivel da madeira no processo.

A ideia — principalmente em se tratando de imbuia, uma essencia notoriamente problematica para ser planeada —  nao e' obter-se uma superficie pronta para acabamento mas simplesmente nivelar todas as irregularidades, ignorando eventuais "arrepios" derivados da gra revessa.

Assim mesmo, procurando perder-se o minimo possivel de madeira nos processos de aparelhamento, a perda em desdobres e' sempre consideravel. Como pode ser visto na imagem abaixo, no exemplo em pauta a perda, assinalada pela seta vermelha mostrando a diferenca em relacao a espessura das taboas originais nao desdobradas, ficou ao redor de 25%.


Existem certamente outras tecnicas de desdobrar pranchas possivelmente capazes de causar menores perdas. Ja tentei algumas — cortar apenas na serra fita e cortar apenas com serrote ryoba — mas embora certamente a perda para a lamina seja consideravelmente menor do que quando se utiliza a serra circular de bancada, nas minhas maos a superficie resultante ao final do corte apresenta tantas irregularidades que o desengrosso necessario para nivela-las acaba consumindo mais material do que este metodo com a serra de bancada. Mais treino e refino nos outros metodos talvez eventualmente possa trazer melhores resultados mas, pelo menos por enquanto, ao utilizar madeiras mais nobres eu prefiro fazer como relatei.

Afinando o angulo reto no shooting board
As pranchas desdobradas e prontas
Uma vez feito o desdobre das pranchas, seu comprimento e' ajustado pelo corte em esquadro dos topos e entao afinado com o emprego de um shooting board.



As pranchas assim obtidas sao consideras como prontas para o proximo passo: as emendas. O acabamento final, com lixas, sera aplicado antes de efetuar-se as colagens das ensambladuras.

...

Como?

O que aconteceu com os 25% de material que acabou perdido?

Imagino as imagens ahi abaixo possam ser suficiente explicacao...

























Confesso da uma certa dor ao jogar isso tudo fora. Certamente, o lixo mais perfumado que eu conheco...

Mas, ate que alguem invente um processo de reciclagem para madeiras nobres, fazer o que?

domingo, 6 de março de 2016

Balcao das cavilhas - a cereja

Por razoes socio-logistico-familiares, como se percebe a conclusao total do balcao das cavilhas acabou sofrendo consideravel demora. Mas enfim o movel foi posicionado no seu local definitivo e recebeu no tampo o complemento final: o resto da prancha de muiracatiara posicionado como uma guarda:


A guarda foi fixa empregando, na retaguarda, tres parafusos em angulo, a tecnica chamada pocket screws, e na frente um sarrafo da mesma muiracatiara fixado com pinos F de 50mm ao tampo e `a guarda.

Apliquei o que chamo meu acabamento padrao: duas demaos generosas de oleo de tungue seguidas de uma dezena de finas demaos de goma-laca e por fim duas demaos de cera (mistura em iguais quantidades por volume de parafina, cera de abelhas e de carnauba, em terebintina).


Agora, bolar companhia para o coitadinho, tao isolado ali no canto...


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Balcao das cavilhas completado

Bem... Completado, completado na verdade nao, que alem de uma limpeza geral (com enfase nos vidros, hehe) ainda faltam umas demaos de goma-laca e a cera, mas a construcao por certo esta concluida, e o aspecto final nao imagino va mudar.




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A carcaca do balcao (enfim) foi completada

Apos prolongadas deliberacoes, repetidas entrevistas com o travesseiro, finalmente me decidi por uma das tantas versoes possiveis para aplicar portas no balcao que estou construindo.


Nada exatamente inovador ou excepcional, apenas uma mistura de metodos e uma certa assimetria pensando em tornar o movel talvez mais chamativo: as duas portas laterais por fora, com dobradicas por tras, a porta central embutida, opaca com um painel decorativo em jequitiba, menor e com dobradicas expondo o cilindro.



O movel esta ainda apenas com preacabamento protetor, e faltam ainda uma serie de detalhes para dar a coisa por concluida, mas imagino ja da para ter uma boa ideia de como vai ficar.


Provavelmente demore uns dias mas, fiquem tranquilos, prometo so volto a incomoda-los com esse assunto quando a coisa estiver definitivamente concluida.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Limpeza de laminas de serras circulares, e outras

Ha algum tempo eu havia conseguido um frasco pequeno da formula 2050 da CMT, solucao de limpeza para serras circulares, fresas de tupia, etc., e havia ficado muito bem impressionado com a efetividade do produto. Problema no entanto, embora seu preco na origem seja ate bem razoavel, depois de processados frete, taxas e impostos a coisa fica muito, muito desagradavel. O que ocasionou eu fosse pesquisar na Rede qual o ingrediente ativo da coisa...

Nao demorou muito descobrir trata-se de butilglicol. Novas pesquisas mostraram esse solvente, hidrossoluvel e atoxico, e' muito, muito utilizado em multiplas aplicacoes de limpeza, tanto industrial como domestica. Alguns telefonemas e descobri consegue-se compra-lo em nosso mercado. Mas ha um porem, um severo porem: a menor embalagem de venda que encontrei foi 20 litros. Para usar na limpeza das serras a concentracao e' de 5%, ou seja, quantidade suficiente para preparar um absurdo volume final de 400 litros. Convenhamos...


Resolvi entao pesquisar quais produtos de limpeza vendidos no comercio utilizam butilglicol como componente basico. E foi ahi que eu acertei, em cheio. Nao apenas encontrei um produto, mas tratava-se inclusive de um produto de uso regular na minha casa, chamado Veja Cozinha (antigamente X-14).


Hoje entao, trocando uma serra circular de kerf normal por uma de kerf fino para desdobrar umas ripinhas que serao as portas do balcao que estou montando, resolvi testar o tal de Veja substituindo a formula 2050...


A serra, tendo sido usada por um longo periodo, estava encrustada, muito encrustada de resinas e residuos, mas o resultado com o produto do supermercado foi o mesmo da formula secreta italiana.




Apliquei a mesma tecnica: recobrir a serra, em ambos os lados, com uma generosa camada do produto e deixar ficar por uns 15 minutos. Entao escovacao intensa com uma escova de dentes em todas as superficies, enfase nos dentes e nos cortes da lamina. Mais 15 minutos e repetir a escovacao. Entao, secar a lamina com um pano seco, sem enxaguar (alegadamente a fina camada que sobra do produto inibe a ferrugem e ate retarda o acumulo de resinas quando a lamina voltar ao uso).


Dizer que fica como nova seria exagero mas, pelo contraste, da vontade.


Imagino utilizando-se uma escova de cerdas mais duras (latao, aco inox, etc.) seja possivel remover praticamente todos os residuos, mas o que sobra depois da escova de dentes, para o meu gosto pelo menos, nao justificaria o esforco.

Estupidamente, esqueci de fotografar a lamina antes da limpeza, mas talvez o resultado mostrado ahi nas fotos demonstre que muito pouco fica, e mesmo os intersticios dos finos cortes abertos na lamina restam livres de praticamente toda sujidade.

Como?

Nao, nao tenho patrocinio ou qualquer especie de interesse em nenhum dos produtos mencionados. Apenas pensei a tecnica poderia talvez interessar a algum de meus sete fieis leitores.



Completando a carcaca do balcao

(Como sempre, clique nas imagens para ve-las em maior resolucao.) 






As prateleiras foram posicionadas, foi colocado o fundo e o tampo, e o projeto comeca a tomar ares de movel...

Embora por enquanto as prateleiras estejam apoiadas em ripinhas de madeiras fixas `a carcaca com parafusos, a ideia e' fazer a fixacao definitiva com parafusos atraves da carcaca, pensando incrementar a rigidez estrutural.



O fundo foi feito utilizando pranchas muito finas de cedro rosa que haviam 'sobrado' da construcao dos armarios relatada em postagens anteriores. Em funcao do processo algo rude empregado para reduzir a espessura das pranchas utilizadas naqueles armarios restaram, como fica evidente na imagem `a esquerda, gritantes defeitos nas superficies dessas pranchas; mas como vao ficar contra a parede tais defeitos ficarao 'invisiveis'.

Tirando proveito da flexibilidade resultante da pequena espessura das pranchas, o fundo foi montado com duas pranchas sobrepostas em 'escama', como se ve na imagem `a direita. As pequenas aberturas triangulares que ficaram serao devidamente calafetadas no acabamento final do movel.



Colocado o fundo, o tampo foi posicionado sobre a carcaca. Como apenas sua parte superior havia sido aplainada, a inferior deixada como veio da serraria, nao foi surpresa nenhuma constatar resultaram frestas claramente visiveis, como suponho as imagens ilustram.

Utilizando repetidas operacoes de uma combinacao de plainas manuais e lixadeiras eletricas, o contato entre tampo e carcaca foi melhorado, mantendo sempre cuidadosa atencao a manter-se bem nivelado o topo do movel.

Eventualmente tudo ficou bem estavel mas — inescapavel — ainda restou alguma irregularidade na linha de contato.

A solucao que me ocorreu foi aplicar a "manobra do gato": jogar areia em cima. No caso, a areia consistiu de uns sarrafinhos de muiracatiara pregados com pinos F ao tampo, bem justos contra as paredes da carcaca. A manobra nao apenas corrige o defeito estetico, ocultando as irregularidades da interface, mas ainda garante o posicionamento correto do tampo.




Hora de comecar a pensar nas portas...