Afora varios dos moveis que construi ha tempos com tais madeiras e que hoje nada, absolutamente nada, mostram da passagem dos anos, constitui sem querer uma testemunha solida...
Esses restos mostrados ahi nas imagens ao lado (clique nelas para ve-las em maior resolucao) sao o que sobrou do prototipo da replica de uma cadeira de espaldar baixo do Sam Maloof, e cuja construcao foi relatada aqui mesmo, la por dezembro de 2011.
Quando encerrei a construcao do prototipo e parti para construir a versao final da cadeira, as pecas em pinus foram simplesmente deixadas de lado, sem qualquer acabamento ou cuidados de qualquer especie. Esses restos especificamente, o assento e os pes dianteiros, eu acabei utilizando para fazer uma plataforma onde subir, ja nao me lembro mais para que. Quando acabou sua utilidade, foram colocados ahi onde foram fotografados, inteiramente expostos `a intemperie, tomando sol, chuva, ventos, calor e frio, por mais de quatro anos.
Ha claros, evidentes sinais da passagem do tempo. Na cor cinza, caracteristica de todas madeiras oxidadas, algumas fissuras, algum mofo — mas o lenho propriamente esta integro, e ficaria como novo se devidamente tratado. Enquanto isso, a cola epoxi bicomponente da Redelease falhou, um dos parafusos que fixava um braco corroeu-se.
Mas o vagabundissimo pinus, afora o mofo na parte em contato com o piso, ate agora nao foi tocado por nenhum organismo xilofago: nem podridao, nem cupins, nem brocas. Como disse, repito: o lenho sem qualquer protecao esta integro, perfeitamente recuperavel sob a superficie oxidada.
O mesmo nao pode ser dito de uma outra madeira da turma dos vagabundos. Dois tocos de eucalipto que utilizei inicialmente como picador e depois, quando deixei de cortar lenha a machado, como suporte para plantas, esses mostram-se muito, muito mais afetados pelo tempo e os elementos.
Nao tenho como precisar a idade desses tocos, ate porque quando os trouxe ja estavam bem secos e acinzentados.
De qualquer modo achei valia o registro de como essas essencias usualmente tao desprezadas estao longe de ser tao pereciveis como apregoado. E, sendo bem mais faceis de ser encontradas e entao custando bem menos do que suas parentes mais 'nobres', essas madeiras vagabundas sao muito boa materia prima, e nao apenas para aprendizado e testes, mas — pelo menos na minha sempre desconsideravel opiniao — capazes de oferecer substrato muito melhor estruturado e bem mais duravel do que as chapas sinteticas usualmente empregadas na construcao de moveis.
Bem interessante.
ResponderExcluirTenho dificuldades de comprar a idéia da madeira vagabunda, mas... de certo ainda me falta muita experiência antes de tentar concluir algo.
Confesso que engoli em seco ao ver o estado do eucalipto pois a obra conta com troncos desta espécie na parte estrutural.
[]s
Tive oportunidade de ver dois telhados internamente aparentes, estrutura toda em em pinus, que alem de obviamente efetivos ficaram lindissimos. Na minha sempre desconsideravel opiniao nao e' mau material. So que e' preciso saber usar para contornar suas limitacoes.
ExcluirEucalipto tem a caracteristica de ter alta absortividade, ou seja, porque muito se impregna tem excelente responsividade a preservativos. Alem do que, aqueles dois exemplos estao totalmente expostos aos elementos sem qualquer protecao enquanto, imagino, teus troncos estarao protegidos.
E, pelo que posso ver, essa coisa de madeira vagabunda tem muito mais a ver com preco do que propriamente com boas qualidades. Exemplo e' o tauri, dito excelente lenho e recomendado inclusive pelo IBAMA e pela EMBRAPA como madeira estrutural e que no entanto nao tem qualquer resistencia a fungos. Em todos os moveis em que utilizei tauari e deixei so encerado tive de aplicar antimofo e goma-laca para impermeabilizar, porque todo dia, aqui na umidade do portinho, ficavam cobertos de mofo branco.