(Clique nas imagens para ve-las em maior resolucao.)
Com a conclusao do balcao (das cavilhas), hora de dar inicio aos trabalhos dos, mm, moveis de companhia. Como usual, nao tenho uma exata ideia do que vai sair, o que vai ser feito. Esses projetos recebem consideravel contribuicao das madeiras; o jeitao delas vai sugerindo formas, modos, jeitos e a coisa vai tomando forma meio que por conta propria, hehe.
A primeira coisa que fiquei sabendo quanto ao novo movel foram as dimensoes: aproximadamente 70x45x25cm. A segunda foi a madeira da carcaca: imbuia, a ser aparelhada a partir de uns restos de pranchas. Isso posto, a primeira constatacao foi seria necessario desdobrar as pranchas de 5cm de espessura. Para tanto resolvi empregar um jeito que, na minha assumidamente limitadissima experiencia, e' o que gera menores perdas ate obter-se as pranchas desdobradas e aparelhadas. E resolvi documentar o metodo...
Inicialmente as pranchas sao deixadas com quatro lados retos, empregando desempeno, serra circular de bancada e desengrosso.
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| Cortando as laterais |
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| Corte dos topos |
Uma vez as pranchas aparelhadas, as laterais sao cortadas na serra de bancada utilizando um disco de
kerf fino elevado `a maxima altura possivel. Sempre mantendo a mesma face em contato com a guia, a seguir cortam-se os topos, com o disco agora elevado apenas par de centimetros.
Se a largura da prancha for maior do que a permitida pela serra de fita, a fase seguinte e' feita com um serrote ryoba, cortando sempre ao redor da peca usando os
kerfs ja cortados como guias. Se, como foi o caso, a peca cabe na serra de fita, a conclusao do corte e' feita la, `a mao livre, utilizando os
kerfs abertos como guias.
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| Concluido o desdobre na serra fita |
Uma vez as pranchas desdobradas, como imagino se possa ver na imagem `a direita as superficies cortadas ficam algo irregulares, como e' o padrao da serra fita. A regularizacao e' entao feita empregando o desengrosso com pequenos incrementos, procurando perder-se o menos possivel da madeira no processo.
A ideia — principalmente em se tratando de imbuia, uma essencia notoriamente problematica para ser planeada — nao e' obter-se uma superficie pronta para acabamento mas simplesmente nivelar todas as irregularidades, ignorando eventuais "arrepios" derivados da gra revessa.
Assim mesmo, procurando perder-se o minimo possivel de madeira nos processos de aparelhamento, a perda em desdobres e' sempre consideravel. Como pode ser visto na imagem abaixo, no exemplo em pauta a perda, assinalada pela seta vermelha mostrando a diferenca em relacao a espessura das taboas originais nao desdobradas, ficou ao redor de 25%.

Existem certamente outras tecnicas de desdobrar pranchas possivelmente capazes de causar menores perdas. Ja tentei algumas — cortar apenas na serra fita e cortar apenas com serrote ryoba — mas embora certamente a perda para a lamina seja consideravelmente menor do que quando se utiliza a serra circular de bancada, nas minhas maos a superficie resultante ao final do corte apresenta tantas irregularidades que o desengrosso necessario para nivela-las acaba consumindo mais material do que este metodo com a serra de bancada. Mais treino e refino nos outros metodos talvez eventualmente possa trazer melhores resultados mas, pelo menos por enquanto, ao utilizar madeiras mais nobres eu prefiro fazer como relatei.
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| Afinando o angulo reto no shooting board |
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| As pranchas desdobradas e prontas |
Uma vez feito o desdobre das pranchas, seu comprimento e' ajustado pelo corte em esquadro dos topos e entao afinado com o emprego de um
shooting board.
As pranchas assim obtidas sao consideras como prontas para o proximo passo: as emendas. O acabamento final, com lixas, sera aplicado antes de efetuar-se as colagens das ensambladuras.
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Como?
O que aconteceu com os 25% de material que acabou perdido?
Imagino as imagens ahi abaixo possam ser suficiente explicacao...
Confesso da uma certa dor ao jogar isso tudo fora. Certamente, o lixo mais perfumado que eu conheco...
Mas, ate que alguem invente um processo de reciclagem para madeiras nobres, fazer o que?