segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A serragem toma forma

Utilizando, logo que secaram, algumas das pranchinhas que a limitacao de meu ferramental permitiu obter dos restos da figueira, para ver que jeito pegava — e tambem para poder afirmar que nem so gamelas pode-se fazer com o lenho — construi uma caixinha...


Inicialmente, claro, as pranchinhas foram aparelhadas e grosseiramente dimensionadas para ter-se uma ideia de tamanho, embora eu ainda nao tivesse uma nocao mais exata de como a peca ficaria...


Com ajuda de algumas consultas ao travesseiro a forma final da peca veio vindo `a luz, as tabuinhas foram devidamente ajustadas e saiu a montagem. Ahi abaixo, a peca ja montada tendo recebido uma demao de oleo de tungue como fundo do acabamento:


Seco o oleo, a peca recebeu goma-laca com lixamento leve com grana 400 entre as cinco demaos e entao cera, para um acabamento acetinado.

No melhor dos mundos, eu teria preferido ter feito a tampa em uma peca unica, ao inves da colagem; provavel que o resultado estetico ficasse melhor. Mas, como ficou, achei que a madeira de gameleira-branca, com seus veios retorcidos por certamente mais de seculo, mostrou-se bem chamativa e a peca pronta com a tampa fixada com uma dobradica nao ficou de todo ma, acho eu...


E, com toda certeza, uma gamela e' que nao e', hehehe...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mais serragem

Como o bom nas ferias e' carregar pedras, tendo constatado as tabuas que como relatei havia desdobrado a partir de um pequeno toco de figueira estao quase tao secas quanto jamais ficarao, e sem evidenciar maiores empenamentos ou rachaduras, criei coragem para tentar desdobrar um toco maior. Obviamente meu maquinario continua limitado, nada adequado para atividades de serraria, sem falar na minha inexperiencia praticamente total em executar essas tarefas. (Alias, vale talvez apontar, a sobrecarga imprimida nas maquinas e na minha desgastada carcaca me pareceu tanta que acho a experiencia de desdobrar tocos em tabuas vai mesmo e' acabar nesse lote. A nao ser que eu descubra uma serraria pelos rededores, hehe.)

De qualquer modo, consegui obter no "corte grosso" 10 tabuinhas que futuramente, espero, poderao ser aparelhadas e/ou desdobradas para tentar construir algum projeto. Ahi abaixo as oito, mm, melhores, postas para secar:


As outras duas, que nem sei se serao aproveitaveis, sao essas ahi jogadas em meio a costaneiras e outras 'sucatas'. Sendo 'sucata' a designacao de madeiras que talvez tenham de esperar chegar o inverno para terem uso — se e' que voces me entendem.


Enfim, agora e' esperar a secagem, e vamos ver que suco se conseguira tirar desses frutos...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Caco

Aproveitando um "buraco" nas ferias, aproveitei para dar uma limpeza na 'oficina'...

Entre outros cavacos, um toco, um pedaco carcomido de amoreira ja ia indo para o saco de lixo quando, reparando melhor, notei que embora muito pouco, praticamente nada restasse intacto do brancal, o cerne nao estava assim tao afetado. Curioso, pois essa madeira costuma sempre apresentar surpresas agradaveis, levei o toco ao torno so para ver o que sairia...



Acabamento com lixa ate grana 600 e cera, sem polimento.

Nao sei voces. Para mim, apesar de restar no pe o testemunho do estado lamentavel em que se encontrava o brancal, certamente foi outra vez uma surpresa agradavel, hehe...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Mesa auxiliar pronta

Apos ter aplicado cobertura de protecao em toda a mesa com antimofo reforcada com duas demaos de cera no tampo, colocar puxadores nas gavetas e fixado um resto de lencol de borracha para cobrir parte do tampo, ...



... carreguei a mesinha auxiliar com todos os apetrechos relacionados aos tornos (muito ferro e, acreditem, muito, muito peso) e dei o projeto como apto para o uso.

O uso, naturalmente, ira demonstrar a necessidade ou nao de futuros ajustes e ou acrescimos. Por exemplo esta em consideracao, para varios meetings com o travesseiro, se valera ou nao a pena incluir um gavetao na parte de baixo, ali onde esta a mala verde. Mas enfim, alguem ja disse que na verdade todo projeto e' um processo, hehehe...


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mesa auxiliar

Devido a ser aberta, nao ter paredes em dois lados e `a limitacao do espaco, utilizar as maquinas ditas estacionarias na minha 'oficina' quase sempre requer uma 'ativacao': tirar a maquina de onde esta guardada e coloca-la em posicao em que possa ser usada, e entao levar o rabicho com a alimentacao eletrica. Chato, irritante, mas inevitavel.

Embora a bancada, o torno grande e a serra de mesa sejam, por sua massa e/ou por fixacao ao piso, naturalmente "imexiveis", os acessorios ficam devidamente guardados e, para usa-los, igualmente e' preciso uma 'ativacao' chata e irritante. Especialmente para o torno isso fica trabalhoso, porque a cada setup e' preciso muita movimentacao. Cheguei a colocar uma caixa de papelao onde deixar os formoes durante o uso, mas mesmo assim nao e' infrequente gastar mais tempo indo e voltando do que propriamente torneando.

Pensando em dar um jeito nessa encrenca, resolvi fazer uma mesinha auxiliar para, primeiro, colocar todos os penduricalhos dos tornos em um lugar so e, depois, para facilitar o acesso e uso desses penduricalhos...


Tudo bem, eu sei que fazer antecipadamente um projeto no papel, mesmo minimo, um croqui que seja, representa no fim das contas consideravel economia, tanto no tempo de execucao, quanto por evitar desperdicio de materiais. Mas o fato e' que velhos cacoetes sao dificeis de largar, e quando se trata de 'moveis' para a oficina eu nao planejo e' nada; vou mesmo e' catando restos daqui e dali e deixo as ideias soltas para a coisa ir-se formando meio que por conta dela mesmo — se e' que faz algum sentido essa bobagem. Depois de pronto, claro que reparo mil e uma coisas que eu faria diferente e provavelmente com muito melhor resultado estetico e pratico, mas... E' coisa de velho. Azar que e' errado. E' assim que eu faco, e pronto!


Entao, utilizando uns retalhos de compensado quase totalmente mofados de preto (o que resultou no trabalho adicional de lavar as pecas com cloro antes das montagens), uma prancha (empenada, por supuesto!) de pinus, um sarrafo de cedro (com uns furos de broca) e retalhos de imbuia, acabei montando isso ahi embaixo sobre os rodizios que um dia foram da serra de fita:





As beiras de imbuia foram coladas no tampo e fixas com pocket screws nas pernas. Como se ve em detalhe ahi `a direita, adicionei cantoneiras nos seus cantos, para aumentar a firmeza da peca e para cobrir os furos dos parafusos. Nao esta visivel, mas no centro do tampo, na sua parte inferior, coloquei uma ripa de grapia, fixa ao tampo por cola e tres parafusos e `as beiras por um parafuso trespassante.

Feita a carcaca, furei as beiras com brocas forstner para ter onde colocar os formoes, confeccionei e fixei uma prateleira utilizando as travessas das pernas como apoio e entao parti para uma grossa enjambracao adaptando umas gavetas que tinha feito e nao utilizado em algum outro projeto esquecido — o que, claro!, acabou sendo a parte mais complicada e demorada da coisa toda.

Com o que chegamos ao que se ve nas fotos abaixo:


Antes de colocar em uso, ha ainda os sempre interminaveis retoques de acabamento e, inescapavelmente, havera que dar-se umas lixadas (sempre, sempre essa maldicao!!), aplicar antimofo, possivelmente colocar uns puxadores nas gavetas e...

Mas eu nao disse que a coisa vai-se fazendo por si mesmo? Pois entao?
E' coisa para outra hora — em breve, espero — em outra postagem, aqui neste batcanal.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Serragens

Feita a poda da figueira centenaria que domina o meu jardim, fiquei com alguns dos restos, nem uma duzia de toras. Ainda assim, quase um metro cubico de madeira. Infelizmente (ou talvez nao, hehe) nao disponho de equipamento de serraria; na verdade minha serra de fita tem reles 16,5 cm de altura maxima de corte, o que reduz em muito minha capacidade, tanto para cortar pranchas, como para desdobres. Muito provavelmente a maior parte dessa madeira que guardei ira ser processada no torno, uma questao de conveniencia. Mas de qualquer maneira resolvi tentar obter umas pranchinhas pensando em praticar uns processos que ate hoje so tinha visto em filmes e, quem sabe?, talvez futuramente conseguir produzir alguns projetos agradaveis.

Experimentalmente entao, escolhi uma das toras de menor diametro, serrei um segmento o menos tortuoso e, com a serra sabre e a serra de fita, cortei umas pequenas taboas:


Depois de serradas, empilhei sobre um pedaco de compensado e utilizei uns sarrafos para espacar as 'pranchas' para a secagem.


Nao faco ideia como essas pranchas, ainda soltando consideraveis quantidades de seiva (branca e muito pegajosa), irao se comportar na secagem.


De todo modo agora e' aguardar uns meses ate as pranchas ficarem tao estaveis quanto ficarao e entao ver o que sera possivel de se fazer para aparelha-las e que tal se prestarao em um futuro projeto.

Vamos ver...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Misturando

Primeiro foi a poda da arvore, e ahi encadearam-se varios fatores que me mantiveram distante de postar aqui neste blog. Culminando, par de semanas atras, com uma pane total no meu micro, o que me deu o impulso que faltava para fazer um novo computador, capaz de suprir as limitacoes que o antigo ja manifestava. Interessantemente, nos entretantos de configurar a nova maquina lembrei-me e resolvi copiar uma ideia do meu filho, o que resultou em voltar `a marcenaria: Construir uma mesinha para dispor os monitores em uma posicao mais ergonomica e sem atulhar a mesa.

Procurando na 'sucata' encontrei um belo pedaco de prancha de imbuia. De bom tamanho mas, com 38cm, mais largo do que a capacidade de minhas plainas. Minha primeira ideia foi, uma tatica corriqueira nesses casos, depois de dimensionar o comprimento, ripar a prancha em duas, aparelhar devidamente no desempeno e no desengrosso e entao emendar os dois pedacos de volta. Mas ahi, por razoes que sei la, resolvi fazer `a moda antiga: aparelhar a prancha na mao, com plainas manuais — algo que so fiz na minha longinqua adoloscencia, e entao nem meia duzia de vezes.

Rapaz! A diferenca que os anos fazem! Tomei um suador de ensopar a camisa, tive de interromper o processo algumas vezes para encontrar ar e os bracos ainda hoje tem um tremorzinho e um dolorimento. Mas, depois de uma demao protetora de oleo de tungue, mereceu uma cerveja. Vejam so:

No primeiro plano o resto da prancha bruta de imbuia; atras o tampo ja aparelhado e com uma demao de oleo de tungue

Aquilo foi ontem. Hoje, com o oleo seco e eu mais descansado, hora de fazer os pezinhos. Encontrei ainda um outro pedaco de imbuia e, na serra de bancada, cortei quatro ripinhas das quais tornear os pes. A fixacao, aproveitando o torno, por entarugamento.

Assim, antes de levar as ripas para o torno, primeiro marquei a posicao dos pes utilizando um gabarito feito com uma folha de papel e um prego:




Marcadas as posicoes dos pes, levei o tampo para a furadeira de bancada e utilizei uma broca Forstner para fazer as furas onde encaixa-los. Nisso, claro, obtendo diametro e profundidade para tornear os tarugos na base dos pes.















Ahi foi levar as ripas para o torno, tornear os pezinhos, lixa-los (argh!), encaixa-los e cola-los no tampo...


E entao foi aplicar mais uma demao geral de oleo de tungue, depois outra.


Agora e' deixar secar bem o oleo, aplicar cera e... usar.