terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Emenda Maloof — cortando `a mao

Nao surpreendentemente, as fresas de tupia que eu queria para cortar emendas Maloof constavam naquele vasto capitulo do catalogo das nossas firmas brasileiras.  O capitulo do "nao tem"!

Como isso se traduz em inevitavelmente havera uma consideravel demora ate eu poder dispor das tais fresas, ainda mais agora em epoca de festas de findiano, e como estava curioso em ver e avaliar a juncao que a emenda proporciona, resolvi cortar uma, `a mao...


Catei umas sucatas de madeira para o teste, e iniciei marcando no "assento" o corte primario do soquete Maloof, dimensionado para a "perna".
E' um teste, mas e' fundamental procurar a maior precisao possivel para as medidas e angulos, ainda mais que essa foi uma emenda propositadamente cortada muito, muito rasa.
Depois do corte primario, com serra, plaina e formao, ainda baseado nas dimensoes da "perna" medi e marquei, usando uma faca, os cortes para os rebaixos (que podem ser muito mais facilmente cortados com uma fresa de rabbeting, na tupia). As linhas de corte foram acentuadas com grafite, para melhorar a visibilidade.
E entao eis pronto o soquete Maloof. Todos os angulos e dimensoes foram cuidadosamente revisados pois este sera o lado "certo" da emenda, e nao mais sera alterado; todos os ajustes que venham a ser necessarios realizar ocorrerao no outro lado da emenda, o lado "de acertar".
Tirando a medida com um paquimetro no soquete ja cortado, transferi e fiz o primeiro corte na "perna".
Os cortes laterais no encaixe da "perna", marcados com faca a partir das dimensoes medidas no soquete e, aqui, acentuados direto com formao.
Os dois lados da ensambladura, no "assento" e na "perna" cortados e ajustados com a devida reciprocidade para uma emenda sem folgas. Tao sem folgas que para ser encaixada necessita fortes marteladas, com um malho ou um martelo de borracha.

Reparar como a "perna" foi levemente afilada para encaixar-se no soquete, propositadamente cortado uns poucos milimetros muito estreito.












A emenda, encaixada.

Reparar que apesar da emenda ser muito, muito rasa, sem cola e sem parafusos, ainda assim o encaixe se sustenta com suficiente estabilidade.














Se algum de meus seis fieis leitores tambem tiver a curiosidade de ver como funciona e como pode ser modificada essa emenda basica, e resolver experimentar cortar uma dessas na mao, adianto algumas observacoes pensando ajudar:

Lembre-se que cortar emendas e' facil, corta-las exatas nao e'. Que inicialmente o resultado fique torto, com folgas, etc., e' o esperado. Ha de haver uma necessaria familiarizacao com ferramentas e metodos ate se conseguir precisao, e isso so se consegue pondo a mao na massa. Continuadamente.

Procure sempre lancar as medidas para que os encaixes fiquem apertados. E' sempre possivel relaxar um encaixe apertado demais, mas se tiver folga a unica solucao realmente efetiva sera cortar de novo.

Nao tenha pressa! Como diria o Norm Abram, meca duas vezes antes de cortar.

Tenha clareza! Marque as linhas com nitidez e sinalize os lados. E' muito facil "embaralhar as ideias" no meio dos cortes.

Publique/comente/discuta seus resultados, dificuldades, erros, acertos, manhas, dicas, no Forum Madeira! Nao e' raro o obvio de um ser o misterio de outro...


domingo, 4 de dezembro de 2011

Emenda Maloof — o basico

Toda emenda deve sempre ser cortada da maneira mais exata possivel, idealmente sem qualquer folga. Por dois motivos, fundamentalmente: Primeiro para que nao ocorram angulacoes indesejaveis secundarias a um mau encosto das faces do encaixe. E entao, ainda mais fundamental, para que haja o minimo de cola entre as faces — pois como as modernas colas tem maior adesividade com a madeira do que consigo mesmo, quanto menos cola em uma emenda, mais intensa a adesao (razao por que se usa prensas, grampos, nas colagens: justamente para espremer fora o mais possivel da cola dos espacos nos encaixes).

Se esses principios se aplicam a quaisquer encaixes, no caso das emendas Maloof sao de todo indispensaveis: e' absolutamente necessario que essas emendas sejam angular e dimensionalmente absolutamente exatas, sem nenhuma tortuosidade, nenhuma folga. Isso porque da forma como se empregam essas emendas nao apenas sao, literalmente, fulcrais no posicionamento das partes — e portanto pequenos erros angulares inevitavelmente se traduzirao em assimetrias e desnivelamentos — como serao submetidas pelo uso do movel onde estao inseridas a elevadas e constantes pressoes e tracoes, de tal forma que assimetrias e desnivelamentos se traduzirao nao apenas em 'arranhoes' esteticos como quase certamente em riscos estruturais inaceitaveis levando inicialmente a mobilidade e eventualmente a falhas nas emendas.


Como mencionei na minha postagem anterior, nao tenho ainda nenhuma experiencia pratica com emendas Maloof. Tudo o que segue e' de segunda mao, foi obtido de pesquisas na Teia; nao tenho qualquer pretensao se trate da verdade escrita em pedra mas apenas um apanhado basico para encaminhar/facilitar o aprendizado da tecnica e, eventualmente, seu emprego em um movel compativel.

Pelo que se pode ver, e como seria de esperar, um bom numero de marceneiros dA Matriz copia, emula, imita o estilo de moveis de Sam Maloof, no que eles chamam de Maloof inspired furniture, ou, mobiliario inspirado em Maloof. Inescapavelmente emendas Maloof participam notavelmente na maioria desse mobiliario e, tambem inescapavelmente, ha variantes supostamente mais faceis de efetuar, mais efetivas, mais bonitas, etc., etc. (Ha inclusive quem venda kits para confeccao de variantes, como e' o caso de Scott Morrison, um dos mais afamados desses emuladores, que disponibiliza em seu site (por "miseros" U$159, mais frete) um kit para confeccao do que ele denominou Emenda Borboleta (Butterfly Joint™).)

Na verdade, como praticamente tudo que o mestre criou, a emenda Maloof (uma modificacao/adaptacao da emenda em espiga e fura) e' altamente eficiente e fundamentalmente simples.
E' perfeitamente possivel, sim, corta-la na mao, com ferramentas manuais, serras, plainas e formoes. Como no entanto e' um processo necessariamente repetitivo (havera no minimo 4 dessas emendas em uma cadeira, por exemplo, provavelmente mais, conforme a modelagem), e' um metodo que se beneficia de automatizacao, do uso de maquinas.


Vale comentar ainda que essas emendas podem ser modificadas, visando certos especificos resultados.
Por ora, para nao complicar pareceu-me mais apropriado iniciar o aprendizado pelo mais simples: uma ensambladura reta. Das diversas versoes que o titio Google me ofereceu, essas ilustracoes "emprestadas" do site Cedroswoodworking me pareceram adequadas para mostrar como fazer:



 O primeiro passo e' fazer o recorte para a porcao horizontal (assento) do encaixe.
 Cortar o Soquete Maloof usando uma fresa de rabbet em ambos os lados, superior e inferior, do recorte, formando uma espiga central.

Cortar o elemento vertical (perna) da emenda nas exatas dimensoes do soquete. Utilizar uma fresa de roundover com o mesmo raio de corte do bit de rabbet para arredondar os bordos ate um encaixe perfeito entre o topo do soquete e o topo da perna, como mostrado na imagem acima.
 Utilizar o Soquete Maloof ja cortado para medir e setar as alturas, superior e inferior, da fresa de rabbeting, para efetuar o corte no elemento vertical (perna).
Usando as alturas determinadas acima, cortar o elemento vertical da emenda com a fresa de rabbeting, iniciando sempre pela porcao inferior do corte.
Quanto menores as folgas, quanto mais justo o encaixe, melhor.














Alguns comentarios que talvez ajudem quem se dispor a tentar reproduzir essa emenda:
  • Como em qualquer procedimento de precisao deve-se escolher um lado para ser o certo, o outro para acertar (demonstradamente, tentar fazer ajustes nos dois lados e' receita certa para desandar a maionese). Na maioria dos casos, na pratica, sera melhor escolher como certo — o lado que uma vez cortado nao sera mais mexido — o lado horizontal, ou seja, o soquete no assento da cadeira, deixando o lado vertical, ou seja, a perna da cadeira, para receber todos os ajustes necessarios para um encaixe perfeito. Por isso, quando iniciar o procedimento cortando o encaixe no lado horizontal, e' bom assegurar-se meticulosamente os angulos estejam absolutamente retos, as superficies absolutamente planas. 
  • Para determinar sejam iguais os raios de corte da fresa de rabbeting e da fresa de roundover, o jeito mais facil e' ver suas especificacoes no catalogo/site do fabricante. Outro jeito e' na pratica: fazer os cortes em um retalho e ver se os raios coincidem.
  • E' melhor inicialmente dimensionar a peca vertical (perna) um tiquitinho maior que o encaixe recortado na horizontal (assento), para haver margem para correcoes, garantia de que nao havera folgas.
  • Teoricamente e' possivel fazer os cortes de tupia empregando uma tupia manual, sem utilizar mesa. Mas dado a necessidade de maxima precisao no encaixe, e' muitissimo recomendavel usar mesmo uma mesa, e onde possivel com guia.


Bueno, com ja tinha mencionando anteriormente, propus como desafio no Forum Madeira! a execucao desses encaixes. Quem quiser participar, mostrando seus resultados, discutindo modos e meios, facilitacoes, dificuldades, dicas, o que for, e' so postar (tem de estar inscrito no forum) no topico Tutorial, ou desafio... - Emendas Maloof.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Falando em desafios

Com a possivel excecao de lixar (e mesmo ahi aprecio muito os resultados, se deploro a monotonia dessa disciplina), acho que aprecio tudo o que se pratica em marcenaria. Uso de maquinas, uso de ferramentas manuais, improvisacao de ferramentas, criacao de jigs, o cheiro, as texturas, de algum jeito em tudo ha encantos, atrativos. Sem falar, claro, nos resultados, a transformacao de uma ideia em algo solido, capaz de cumprir uma funcao enquanto agrada o senso de estetica. Mas se gosto de praticamente tudo, operacoes com tupia e efetuar encaixes sao, para meu gosto, as cerejas do bolo, o plus non ultra, la creme da la creme...

Consequencia direta de meu gosto, aprecio nos artistas e artesaos da marcenaria justamente os que enfatizam o que mais aprecio na execucao de obras em ressonancia com meu conceito de belo e, por isso, minha predilecao pelas criacoes dos mestres japoneses e suas ultraprecisas, eficientissimas, intrincadas e belissimas ensambladuras (mesmo quando para todos os efeitos invisiveis na obra pronta, hehe) e, na moderna marcenaria ocidental, os mestres do norte da Europa, Finlandia, Noruega, Dinamarca, com suas linhas enxutas, fluentes, sensuais, em contraste com o arido "cubismo" que, em funcao do uso intensivo de paineis, parece contaminar tudo o que se constroi em madeira e amadeirados aqui por pindorama (excetuando, claro, as raras e honrosas excecoes).


Mas sabidamente as coisas sao travessas, implicantes, nao respeitam nunca as regras que criamos. Apreciadores de loiras acabam vivendo vida inteira com uma morena. Virtuoses do violao classico acabam mesmo no contrabaixo eletrico em banda pop. Bem assim, o marceneiro cujas criacoes mais aprecio na verdade nao teve nenhum contato, nem com a escola oriental, nem com os europeus do norte em seu aprendizado. Na verdade nao teve contato com ninguem, nenhuma escola, mas aprendeu sozinho `a custa de nada mais do que seguir o que lhe parecia ser adequado. Obviamente com o passar do tempo veio eventualmente a se informar e a adotar ensinamentos desse e daquele estilo aqui e ali em sua obra, mas suas criacoes foram sempre inconfundiveis, seu estilo unico.




Nao que seja a melhor ou a mais bela, penso eu, de suas criacoes. Mas a cadeira de balanco foi certamente o movel mais famoso ideado por Sam Maloof. Varias delas estao hoje adornando a casa de nomes muitissimo famosos, em diversos museus dA Matriz e de alguns outros paises, e seu preco no mercado hoje arranca em varias dezenas, quando nao centenas de milhares de dolares.

Mas o que me atrai mesmo nelas... sao as emendas! Ao contrario da maioria dos projetos, nao so nenhum esforco foi feito para oculta-las como, ao contrario, elas sao clara, nitidamente realcadas. E que emendas sao essas que ao contrario da maioria — que acabam enfraquecidas, afrouxadas pelo tempo e pelo inexoravel, inevitavel "trabalho" da madeira em se contrair e expandir — tiram proveito justamente desse interminavel 'trabalho' do lenho. Sao tao notaveis tais emendas que acabaram batizadas com o nome de seu criador: the Maloof joint, ou, a emenda Maloof.

Para quem nao conheca, nem as emendas, nem a cadeira, mas tenha curiosidade, apresento um link — http://thecraftsmanspath.com/?s=Sculpted%20Rocking%20Chair — (em ingles, como infeliz e quase sempre inescapavelmente e' a regra) onde um blogueiro dA Matriz relata, em varias postagens, de seu exercicio em emular o mestre. E de onde "emprestei" as imagens abaixo, evidenciando alguns aspectos de como sao efetuadas as emendas Maloof:





Na verdade aprecio tanto, acho tao inacreditavelmente bem boladas essas emendas que estou criando coragem para faze-las, emprega-las em um movel. Nao, nao em uma cadeira de balanco, pelo menos nao por ora, mas em um projeto um pouco menos complexo. Ja sai `a caca de madeiras apropriadas e de algumas ferramentas e acessorios que me parecem necessarios.

Se porventura algum de meus seis fieis leitores se interessar tambem em tentar aprender a construir e empregar essas emendas, pretendo apresentar a ideia como um Desafio no forum Madeira!, pensando em unir esforcos e, principalmente, ideias para a execucao da tecnica.

Vamos ver no que vai dar...

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Acabado

Encerrando enfim o tedioso, arrastado episodio da reforma das tres cadeiras, relato que o acabamento com goma laca e cera progrediu inteiramente dentro dos conformes, sem quaisquer imprevistos. As tres cadeiras finalmente abandonaram a 'oficina' e retornaram para o redor da mesa de jantar:


(Como da para reparar ainda restam duas cadeiras passiveis de serem reformadas para o novo design, mas pelo menos por ora nao tenho intencao de agredi-las: essa coisa de fazer varias pecas iguais realmente nao e' meu chao...)

Repito que, para quebrar um pouco a monotonia, pelo menos os danos ocasionados pelo traumatico desmonte que inflingi `as pobres cadeiras obviamente nao foram os mesmos para todas, e o processo de reparos teve de necessariamente ser individualizado. Utilizando tecnicas de cirurgia plastica e a sabedoria felina (cirurgioes plasticos procuram ocultar as cicatrizes colocando-as onde nao sao visiveis, e os gatos efetuam a conhecida manobra com areia depois da, mm, "obra") procurei na medida do possivel ocultar ou disfarcar os erros e defeitos. Sem querer aborrecer meus fieis seis leitores com riqueza de minucias de detalhezinhos inteiramente superfluos, apenas dois exemplos:


Alguns problemas infelizmente nao houve jeito de disfarcar e os reparos restaram absolutamente evidentes.




No entanto para a maioria dos danos houve alguma manobra possivel para reduzir-lhes ou ocultar totalmente a visibilidade. Por exemplo, no caso do encosto ahi `a direita, a lasca arrancada do pilar direito da cadeira foi reposta por uma 'invasao' do encosto, como pode ser notado pelo 'dente' que se formou na parte de baixo do encaixe da direita, que nao existe `a esquerda — nem, alias, em nenhuma das outras cadeiras.

Reparando bem, olhos criticos com toda a certeza nao terao quaisquer dificuldades em encontrar claras evidencias de varios defeitos em qualquer das cadeiras. Nao se discute. Mas para olhos leigos, desatentos aos detalhes, penso na maioria os disfarces ficaram ate efetivos. E depois, eu nao saberia fazer nada melhor, mesmo...

O mais importante, no entanto, e' que independente do visual a funcao certamente melhorou e o novo design resulta em muito mais conforto no uso das cadeiras.

E, vamos e convenhamos, nao sao exatamente os olhos os orgaos da nossa anatomia que devem julgar uma cadeira, nao e' mesmo?

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Despacito, pero cumplidor...

ALELUIA!

Mesmo mantendo a marcha lenta, no vagar que meus anos me cobram, consegui afinal terminar a tediosa, irritantemente repetitiva e aborrecidamente cansativa funcao de lixar as tao decantadas cadeiras. Envenenadas com Jimo Cupim como convem, ahi estao elas ja aguardando a primeira demao de goma laca — envernizamento que pretendo iniciar em dois dias, prazo para garantir que, tanto o veneno tenha secado bem, como minhas estruturas organicas internas nao reclamem muito dos esforcos com que as torturo:



E entao, para dar uma palida ideia da polvadeira ocasionada, uma visao assustadora: esse batucador de teclas que vos posta flagrado em intervalo dos mencionados finalmentes, utilizando as necessarias protecoes para sobrevir sem maiores danos `a exposicao ao talco de cedro e aos estridores dos motores universais:








E se voces estao achando que esse monte de penduricalhos — respirador, abafador de ruidos, oculos — sao feios... Saibam que estao enganados. Enganadissimos!

Feio mesmo, visao dantesca, seria se os equipamentos nao estivessem ali.

sábado, 19 de novembro de 2011

A passos de formiga, mas com vontade

Outra postagem mais para assegurar a meus seis fieis leitores ainda ha atividades, do que propriamente para mostrar servico. De qualquer maneira a cirurgia do dedo vem cicatrizando nos conformes e a funcao do polegar direito esta recuperada praticamente a 80%, o que permitiu eu mantivesse a vagarosa, lerdissima reforma das cadeiras...




As colagens de montagem foram devidamente concluidas, como tambem a modelagem basica com disco flap dos assentos e encostos (um severo e bem-sucedido teste de meu respirador). Atualmente estou concluindo a fixacao dos reforcos estruturais e imagino em dois dias devo iniciar a modelagem fina e a tao inevitavel quanto desagradavel lide com as lixas.







Cada cadeira sofreu diferentes 'traumas' no desmanche algo brutal a que as submeti, assim e' necessario aplicar uma tecnica especifica de reparos para cada uma na remontagem, o que resultara evidentemente em diferencas nem tao sutis entre cada uma quando finalizadas.


A intencao, sempre sem forcar a maquina para evitar novos, mm, incidentes, e' no maximo ate o final da proxima semana ter concluido a trabalheira com as lixas e conseguir dar inicio `a aplicacao de laca. Vamos ver...



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sábado, 5 de novembro de 2011

De volta, com vagar

Ainda como consequencia da besteira que cometi permitindo `a ansia de terminar a ja tantas vezes decantada cadeira me levar alem da capacidade que meus anos ainda me concedem, acabei por necessitar uma pequena cirurgia na mao direita para corrigir um problema surgido em um tendao do polegar. O que resultou — afinal, nao e' por nada que para a legislacao trabalhista perder um polegar equivale a perder a mao — em total afastamento nao so das atividades da 'oficina' como em impedimento para digitar...

Mas como desde ontem consegui me livrar do curativo que me tolhia os dedos da mao direita, para evitar meus fieis seis leitores possam pensar os tenha abandonado posto este breve relato do, mm, status quo das atividades de marcenaria em casa.

Como tinha mencionado havia iniciado (algo traumaticamente, e' verdade) a reforma de mais tres cadeiras do conjunto da mesa de jantar.



Antes da cirurgia ja havia terminado as colagens para os assentos e encostos, efetuado os reparos basicos nos danos que havia causado na desmontagem dos 'esqueletos', e cortado as juncoes primarias para as tres cadeiras.





O que vem a seguir, como pode ser visto pelas marcacoes a giz ahi ao lado, e' iniciar o desbaste para a moldagem dos assentos e encostos. Fundamentalmente, isso e' feito utilizando um disco flap em uma esmerilhadeira e no momento meu tendao ainda nao suporta o esforco de segurar o peso da ferramenta, portanto essa parte ainda vai ter aguardar talvez um par de semanas para ter inicio.

No entanto, como ontem ja tinha recuperado a liberdade de utilizar a mao direita, liberdade essa limitada apenas pela dor, resolvi tentar avaliar o quanto ja posso fazer e decidi tornear os tarugos que serao utilizados futuramente como principal ponte de apoio dianteiro do assento sobre o 'esqueleto'.



Consegui cortar e tornear os tres tarugos (que futuramente serao seis, cortados ao meio por ocasiao do uso), sem maiores problemas. Um pode ser visto sobre o assento da cadeira isolada, os outros dois sao esses aqui:



Ou seja, nao estou mais totalmente incapacitado. Aleluia!

Mas tambem deu para perceber que tenho que ir devagar, mais devagar ainda, ao pote. Depois de guardar as coisas usadas para fazer os tarugos, fui lavar bem as maos, principalmente a direita e' claro, e trocar o curativo da ferida operatoria. Um dos cantinhos estava umido, tinha 'babado' um pouquinho de sangue.

Mas enfim, pelo menos as novidades eu ja posso contar...