quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cera microcristalina - protecao de metais

(clique nas imagens para ve-las em maior resolucao)


A principal razao que me levou a testar a microcera (mistura 3:1 de parafina microcristalina com cera de carnauba) foi, como ja mencionei, verificar seu desempenho quando aplicada como antioxidante em superficies metalicas. Isso, como tambem mencionado, inspirado nos resultados obtidos empregando a Renaissance Wax (RW) que proporciona excelentes resultados — mas e' importada e portanto cara.

Mais uma vez me repetindo, nao pretendo aborrecer ninguem com relatos minuciosos dos como e dos por que. Resumindo, o que fiz foi aplicar a microcera como protecao em tampos de maquinas feitos em ferro fundido cinzento e em ferramentas que tendem a facilmente oxidar (formoes e plainas manuais), submete-las a testes simulando condicoes de trabalho com variada severidade em induzir oxidacao, e tirar uma temperatura: Se vale a pena o seu uso, e entao como usar.

Evidentemente, resultados mais confiaveis poderiam ser obtidos com maior tempo de observacao e maior variedade de testes mas, meu criterio, o que pude ver nessa semana de testes e' suficiente para conclusoes satisfatorias. Indiscutivelmente, outras maos, outros lugares, outros metodos levarao a resultados diversos do que obtive mas, espero, no fundamental as conclusoes serao as mesmas...

Logo apos a aplicacao da microcera
Nove dias depois, tudo igual fora a luz

Na protecao de tampos de ferro fundido foi onde a microcera apresentou seu melhor desempenho.

Na minha 'oficina' exposta ao elemento, ao ar livre para todos os efeitos praticos, o tampo de minha lixadeira oscilante de rolo ficou totalmente exposto durante nove dias. Farta variacao de temperatura (5 a 29ºC), umidade raramente inferior a 90%, nao raro 100%; choveu em oito dos nove dias. A oxidacao foi ainda 'facilitada' por adicionar poeira de madeira sobre o tampo por varios dias.

Ao final dos nove dias, nenhuma diferenca, a protecao foi totalmente eficiente.

O tampo da minha serra de bancada nao e' mantido impecavel. Longe disso. Marcas, ocasionadas por inumeras razoes durantes os varios anos que esta em uso, causaram manchas e oxidacoes que so foram removidas parcialmente. A microcera foi aplicada apos uma limpeza um pouco mais profunda, incluindo mesmo aplicacao de lixas em alguns pontos.

O que eu considero um tampo de serra limpo
O tampo recebeu, a diferentes tempos, diferentes 'facilitadores' de oxidacao buscando simular, mm, "coisas que acontecem". Joguei e sequei/limpei quase em seguida, agua quente e fria, alcool, goma laca, oleo, cola pva. Molhei as maos com salmoura para simular suor e toquei aqui e ali e sequei sem lavar, quase em seguida. Todos os dias, varias vezes, alem de serrar umas madeiras simulei serrar muitas outras, passando incontaveis vezes pra la e pra ca uma ripa de cedro gaucho.

O mesmo processo de testes, com intensidade algo menor, foi aplicado tambem `as mesas da minha desempenadeira. A cera resistiu a praticamente tudo, ajudando bem a lubrificar a passagem das madeiras. So nao resistiu `a salmoura: as marcas dos dedos enferrujaram. Foram removidas, umas com bombril, outras com lixa, e voltei a reaplicar a microcera. E voltei a sujar com salmoura. E voltou a enferrujar.

Suor — como se eu ja nao soubesse! — e' um problema serio....


O tampo da serra, `a esquerda logo apos a aplicacao da microcera, `a direita ao serem dados por encerrados os testes.

As manchas de ferrugem causadas pela salmoura ja tinham sido removidas.









As mesas da desempenadeira sofreram o mesmo, se menos intenso, regime de testes. Acima, `a direita, logo apos a aplicacao da microcera; `a esquerda, ao final dos testes.



Aplicada com bombril em uma demao cuidadosa, longa e repetidamente espalhada, e polida com bombril entre 15 a 45 minutos apos a aplicacao, a microcera demonstrou oferece uma protecao relativamente eficaz `a oxidacao, que permanece mesmo com uso relativamente intensivo das maquinas. No caso de surgirem pontos de oxidacao, como os causados pelo 'suor', e' limpar e reaplicar localmente.



Imagino em ambientes mais protegidos e com condicoes climatologicas mais amenas do que na minha 'oficina' aberta aos ventos, sera perfeitamente viavel uma reaplicacao geral da cera nao mais do que semestralmente, quica anualmente...
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A protecao contra oxidacao nas ferramentas manuais, como e' facil de entender, deixou a desejar: as maos suam. E na lida frequentemente suam muito.














Como pode ser visto neste velho formao 'baleado' que foi empregado nos testes, o suor e' mesmo um problema serio.

A base do formao, antes de receber a microcera, foi lixada da ponta ate a linha verde, na imagem `a esquerda, ate ficar livre de qualquer oxidacao. Essa area foi tocada com os dedos umidos com salmoura e quase em seguida seca. No outro dia a ferrugem era nitida; foi removida com WD40 e bombril, e a cera reaplicada. Como apontam as setas amarelas, ficaram nitidas 'cicatrizes'.

O bizel foi polido no estropo antes de receber a cera, ficando espelhado. Tocado com salmoura e seco, resultado tal como na base.

Como contaminacao com suor e' algo praticamente inevitavel na superficie das ferramentas manuais, protecao apenas com microcera sera insuficiente.

A RW parece conseguir o feito de proteger contra suor, mas ainda preciso testar mais ate ter certeza e poder confiar.

Cera nas plainas tem a vantagem adicional de lubrificar as solas, e pode-se frequentemente utilizar os formoes sem lhes tocar as laminas — entao a microcera ate que pode ter seus usos. Mas para protecao contra o suor, pelo menos por enquanto vou continuar jogando pelo seguro e usando o paninho com oleo, que esse sim e' infalivel.

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Essas sao minhas conclusoes finais.

Minha sugestao e': Discordem totalmente delas!

Considerem-nas integralmente equivocadas em premissa, metodos e analise, alem de pessimamente fundamentadas.

Comprem as ceras, preparem-nas e vao fazer seus proprios testes, chegar `as suas proprias conclusoes. E' barato, divertido e, coisa muito rara, tenho certeza. Certeza de que vai valer a pena.


3 comentários:

  1. Hmmmm, pois é, antes de mais nada na torcida por energia em testes com a RW nas ferramentas manuais.
    O suor é o maior vilão por aqui. No verão é terrível, mas, segundo as minhas observações, a intensidade do uso é fator bem significativo. Prática contínua por horas, ou às vezes poucos minutos de desdobro, é aquecimento do motor na certa, e o corpo se vira com o seu mecanismo de arrefecimento. E o líquido acaba indo parar no ferro em algum momento, e não se percebe! Sim, quando se nota já é tarde.

    A cera de carnaúba nas *minhas mãos* foi um desastre, enquanto o WD-40 uma salvação, mas há de se rezar o terço todo o santo dia. Confesso que somar os minutos (hm, às vezes demora mais, hehe) em um intervalo de dias é de assustar.

    Se a RW, por acaso, consegue entregar mais eficiência que o óleo, creio fortemente valer o investimento se não for necessário aplicações demasiadamente regulares, mas digamos que com base nos testes da PortinhoLabs, estou duvidando deste possível desempenho.

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  2. Normalmente utilizo uma luva de alta sensibilidade ao usar as ferramentas manuais. Obviamente tira um pouco do contato com a peça e a própria ferramenta, mas, singularmente, suo mais que a maioria das pessoas, justamente nas mãos. Além do que, moro no litoral nordestino. Calor e umidade não faltam...

    Gostaria de elogiar o texto, o conteúdo e o humorado "rigor" das explanações. É sempre um prazer seu blog.

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    1. Grato pelo comentario, Andre.

      Como apontei na postagem imediatamente posterior a esta, fazer uma aplicacao de fosfatizante antes da aplicacao da microcera oferece uma protecao relativamente aceitavel contra o suor e, imagino, por tabela contra a maresia. Talvez valha experimentar?

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