- O tampo
A primeira coisa que constatamos ao observar o tampo como proposto por M. Roubo e' que e' feito de uma unica prancha de madeira solida e e' muito grosso (6 a 7 polegadas, a espessura recomendada). Esse 'monobloco' de madeira alem de uma superficie de trabalho plana oferece peso, inercia, firmeza, resistencia a pressoes, pancadas, etc. Estabilidade, enfim.
Entao reparamos que os cantos sao todos em esquadro, um perfeito paralelepipedo, referencia e guia para o mais fundamental dos angulos em marcenaria.
Uma bancada ha de oferecer modos e meios de sujeitar a peca sendo trabalhada, liberando as maos do marceneiro. Mais especificamente, ha de permitir se possa operar livre e confortavelmente em todas as superficies da madeira; faces, lados e topos. Para isso vemos, na seta verde uma morsa, nas setas amarelas um dos furos e um valete (ou valet, ou holdfast) e, na seta vermelha, o batente para plainagem.
Dimensionalmente, a especificacao e' o tampo seja tao longo quanto a mais longa peca a ser trabalhada (6 pes, a recomendacao) e nao tao largo que da frente o braco nao alcance o fundo (recomendado 2 pes).
- Os pes
Os grossos (4"x6") pes da bancada de M. Roubo sao fixos ao tampo atraves de encaixe em espiga e fura duplo, a porcao mais central retangular, a mais lateral ajustada em cauda-de-andorinha. Colada sem folgas, uma juncao extremamente rija (diz-se que em uma boa bancada nada e' peso-pena ou peso-medio, tudo e' peso-pesado!), mais uma vez visando maxima estabilidade.
Ha de se reparar os pes sao plainados rentes, nao fazem qualquer ressalto com o tampo, nem em cima, nem nas laterais, de forma que frente e fundos da bancada sao planos em esquadro com o tampo. Adicionalmente, tambem nos pes ha furos onde posicionar o valete oportunizando, com ou sem auxilio da morsa, prender-se pranchas de lado, permitindo operar com facilidade seus lados ou coloca-las em esquadro com outras pranchas postas no topo.
Na parte inferior os pes sao conectados entre si por travessas encaixadas em espiga e fura, coladas e reforcadas por cavilhas, no sentido de obter-se maxima rigidez na estrutura. A altura das travessas nao deve ser tao baixa que atrapalhe usar-se vassoura para limpar o chao abaixo da bancada, nem tao alta que nao permita colocar-se o pe sob a travessa como ponto de apoio para puxar o corpo. (Sim, seculo XVIII tambem e' ergonomia, hehe.)
- A Morsa
Uma morsa e' empregada no pe esquerdo dianteiro (a premissa e' que, para plainar, nao ha canhotos, hehe).
Os aspectos mais chamativos aqui sao,
em primeiro lugar, que a morsa seja facilmente removivel, de forma a poder-se liberar sem obstrucoes todo o plano anterior da bancada, caso necessario, e
igualmente liberar-se o tampo, pois o outro aspecto chamativo e' o alto do mordente da morsa ultrapassa em alguns milimetros o plano do topo da bancada, de forma a se possa prender uma prancha sobre o topo, entre o mordente e um dog* colocado em um furo no tampo exatamente em frente ao mordente.
* - Perdao, mas nao consigo me lembrar da traducao em portugues para dog de bancada. Tao logo lembre, ou seja lembrado, hehe, retificarei.
- O Batente
O batente para plainagem e' um caibro quadrado (4"x4") que se encaixa com absoluta justeza (so deve-se mover, para cima ou para baixo, a golpes de malho) em uma fura aberta rente `a esquerda do pe dianteiro esquerdo. O recuo da fura em relacao `a borda do tampo deve ser tal que um terco a metade do caibro fique encostado no pe.

Quando desejado usa-lo, umas batidas de malho elevam o conjunto peca metalica e caibro o quanto desejado acima do nivel do topo de modo que uma prancha a ser plainada possa ser firmada contra o serrilhado, de topo, e o ressalto da morsa, de lado.
- Regalitos
Adicionalmente ao basico mencionado, alguns apendices opcionais sao sugeridos por M. Roubo, e apontados pelas setas na imagem acima:
— atras, `a esquerda, um encaixe, uma fenda onde colocar formoes;
— embaixo, entre os pes, apoiadas nas travessas, algumas taboas formam uma prateleira (quanto mais pesada a bancada, mais estavel, entao ponha-se coisas pesadas la);
— `a direita, sob o tampo, uma gaveta;
— embaixo do tampo, invisivel deste angulo, um pequeno pote fixo ao tampo por parafuso rota para frente e expoe... sebo para lubrificar/conservar as ferramentas.
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OBS. — As imagens que 'chupei' para essa postagem foram editadas a partir de originais postadas no blog de Mr. Jameel Abraham, um dos proprietarios da fabrica Benchcrafted, nA Matriz. Quem quiser ver, os originais e outras belissimas imagens dessa belissima bancada que segue `a risca o projeto original de M. Roubo, e' so dar um clique aqui.